Ex-ministros da Cultura chamados ao Parlamento para falarem da gestão do Fundo de Fomento Cultural

Os antigos ministros da Cultura Pedro Adão e Silva e Graça Fonseca vão ser chamados ao parlamento para serem ouvidos sobre o funcionamento e a gestão do Fundo de Fomento Cultural, após aprovação, hoje, de um requerimento.

© Folha Nacional

A audição de Pedro Adão e Silva e Graça Fonseca, assim como da antiga diretora-geral do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC) Maria Fernanda Heitor, requerida pelo Chega, foi aprovada hoje na comissão parlamentar de Cultura, Juventude e Desporto com os votos a favor do PSD e do Chega e a abstenção do PS, do Livre e do PCP, segundo informação disponível no ‘site’ do parlamento.

O Chega requereu a audição dos antigos ministros da Cultura e da antiga diretora-geral do GEPAC “no âmbito das conclusões de um relatório da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) sobre o Fundo de Fomento Cultural, respeitante aos anos de 2020 a 2022”, lê-se no requerimento.

No relatório, a IGF alerta para o “risco de sustentabilidade do Fundo de Fomento Cultural”, no triénio 2020-2022, marcado pela pandemia da covid-19 durante o qual o setor cultural esteve paralisado em vários períodos.

De acordo com a IGF, naquele período, houve “uma tendência de redução” de receitas próprias, “obrigando a um aumento das transferências do Orçamento do Estado e ao uso quase integral do saldo da gerência anterior para fazer face a medidas de apoio excecionais”.

A IGF alerta que naquele triénio o Fundo de Fomento Cultural concedeu 123,7 milhões de euros em subvenções públicas “sem ter sido efetuada avaliação de resultados ou impactos”.

Mais de metade daquele valor, 77,1 milhões de euros, foi atribuídos a fundações culturais, cumprindo a lei, mas “sem afetação a uma atividade concreta e determinada e sem ter sido celebrado protocolo ou acordo escrito”.

No triénio 2020-2022, durante o governo PS liderado por António Costa, foi criado o programa de apoio Garantir Cultura, como resposta ao impacto negativo da covid-19 no tecido cultural, sobre o qual a IGF aponta “irregularidades nas despesas”, detetadas numa amostra estatística de análise a 81 processos de apoio.

Com uma dotação total de cerca de 53 milhões de euros, o Garantir Cultura é um programa de apoio à criação e à programação artísticas, criado no início de 2021 pelo Governo em contexto de pandemia.

De acordo com dados divulgados em julho de 2023 pelo então Governo, o subprograma gerido pelo GEPAC, destinado a entidades artísticas, teve uma dotação anunciada de 23 milhões de euros, e entretanto corrigida para 21,8 milhões de euros, tendo sido apoiados 1.095 projetos.

O subprograma para empresas gerido pelo COMPETE 2020, sob alçada do Ministério da Economia, através do Turismo de Portugal, teve uma dotação anunciada de 30 milhões de euros, que afinal se traduziu em 29,5 milhões de euros.

No âmbito deste subprograma foram aprovados 622 projetos.

No relatório da IGF, homologado em maio deste ano pelo Governo, aquela entidade recomenda “a elaboração de planos de atividades e/ou estratégicos anuais e plurianuais”, a criação de “regulamentação para as linhas de apoio financeiro” ou que sejam estabelecidos “protocolos ou contratos com os beneficiários”.

O Chega justifica ter dado entrada do requerimento hoje aprovado com as “graves deficiências no funcionamento” do Fundo de Fomento Cultural apontadas no relatório.

Últimas de Política Nacional

Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.
André Ventura questionou esta terça-feira a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna, na sequência das acusações feitas pelo antigo secretário-geral Ricardo Carrilho. O presidente do CHEGA falou em suspeitas de pressões para a prática de ilegalidades, questionou a gestão de 26 milhões de euros destinados ao SIRESP e prometeu impedir que a comissão parlamentar de inquérito seja bloqueada.
O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”