Ventura defende “escrutínio” para travar “despotismo e corrupção”

O candidato a Presidente da República André Ventura defendeu a necessidade de "escrutínio e fiscalização" para não se repetir o "despotismo, corrupção e cunhas" protagonizado "pelos governos socialistas", ao comentar as escutas do caso Influencer.

© Folha Nacional

O candidato, que esteve em campanha em Ponta Delgada, referiu que o preocupa a reação do líder do PS, José Luís Carneiro, sobre as escutas do caso Influencer, que, confrontado pelos jornalistas, “estava a rir-se tranquilamente para as câmaras” sobre ter “pedido empregos para amigos e a tentar meter uma cunha”, como se “fosse uma coisa normal”.

Com o título “As cunhas de José Luís Carneiro e Manuel Pizarro”, a revista Sábado revela escutas realizadas no âmbito da Operação Influencer e numa das quais é descrito que o atual líder do PS terá pedido emprego ao então ministro do Ambiente, Matos Fernandes, para o ex-deputado e ex-autarca de Aljustrel Nelson Brito.

José Luís Carneiro rejeitou, entretanto, que tenha pedido favores ao antigo ministro do Ambiente, Matos Fernandes, referindo que apenas recomendou o perfil de uma pessoa para desempenhar determinadas funções, numa altura em que desempenhava o cargo de secretário-geral adjunto do PS.

André Ventura considerou que “o PS conseguiu montar um sistema, nos últimos anos, de tal forma poderoso, degradante e condicionado” da democracia, tendo defendido a necessidade de “escrutínio e fiscalização, procurando garantir que o atual Governo não cai nos mesmos vícios que tinham os governos socialistas de despotismo, corrupção e cunhas”.

O candidato, sobre a petição relativa à “avaliação da inconstitucionalidade” do CHEGA, referiu que esta iniciativa revela um “péssimo sentido democrático” e um “mau viver com a liberdade”.

André Ventura recordou que o CHEGA é o segundo maior partido do país e diz haver pessoas “ainda com saudades do Processo Revolucionário em Curso (PREC)” e que revelam que “gostavam de viver num país como a Venezuela, a China e a Coreia do Norte”.

Para o líder do CHEGA, a haver uma extinção, caberia ao Ministério Público junto do Tribunal Constitucional propô-la, e não ao parlamento.

“Nós devíamos querer extinguir não era o CHEGA mas esse ambiente de cunhas e promiscuidade”, afirmou, para ressalvar que discorda dos outros partidos sem os querer extinguir, “porque fazem parte do regime democrático”.

André Ventura participou numa sessão sobre as autonomias regionais na sede do CHEGA nos Açores, em Ponta Delgada, tendo afirmado que a atual Lei de Finanças das Regiões Autónomas está “desatualizada”.

Disse que constitui uma “injustiça que coloca em difícil situação de sobrevivência financeira” os Açores, com consequências para o Orçamento regional e em termos fiscais, nomeadamente no caso do IVA.

De acordo com o candidato, o reforço da autonomia para os Açores significa “melhor e mais desenvolvimento”, tendo defendido que não faz sentido a existência da figura de representante da República, que “só cria entraves” e constitui uma “força de bloqueio”.

André Ventura disse que Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa olharam para os Açores “como adereços” e prometeu, se for eleito, lutar pelo “direito à igualdade”, sendo que cabe ao Presidente da República sinalizar perante o poder político as questões das regiões autónomas.

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