“As aldeias de Casebres, Vale de Guizo e Arez ficaram sem água potável e, neste momento, temos que fazer o abastecimento destas populações porque elas não têm água potável”, disse António Grilo, acrescentando que “não pode ser utilizado a água para qualquer fim, uma vez que a água ficou contaminada”.
A autarca afirmou que as autoridades já abriram algumas vias, porque houve “uma redução significativa do caudal de algumas barragens”.
António Grilo mostrou-se preocupado com a passagem da preia-mar para a baixa-bar, pois teve uma “amplitude muito reduzida, face àquilo que era expectável do rio [Sado], ou seja, o rio continua a ficar com pouca capacidade de encaixe”. Também tema o cenário dos próximos dias face à forte tensão.
Segundo o vereador, desde as 03:00 da manhã que na Avenida dos Aviadores, uma das zonas afetadas pelas cheias, voltou novamente a ficar inundada, assim como uma parte da zona ribeirinha.
Em relação às descargas das barragens, muitas delas com capacidade de armazenamento sem limite, a autarquia está a monitorar aqueles que debitam diretamente para o rio e pediu aos regantes “uma maior solidariedade” com o que está a acontecer no município.
“É expectável que nos próximos dias tenhamos aqui um subsídio de reserva que faça com que algumas destas barragens sejam obrigadas a libertar água. Portanto, há como monitorizar aqui algumas descargas preventivas, no sentido de nos prepararmos para o embate que aí vem”, acrescentou.
O município continua a prestar “apoio direto a centenas de pessoas, que ficaram desalojadas e algumas isoladas”, através dos serviços de ação social.
Com a descida significativa das águas, alguns comerciantes estão nos seus estabelecimentos removendo bens que ficaram danificados e inventariando os prejuízos.
A Barrozinha, uma zona periférica da cidade de Alcácer do Sal, já se encontra acessível.
No bairro do Forno da Cal foi construído um acesso alternativo para que os moradores consigam entrar e sair do bairro.
Segundo uma nota divulgada pela autarquia, todos os estabelecimentos de ensino do Agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal (AEAS) vão abrir esta segunda-feira, visto que se “encontram reunidas as condições de circulação em todo o concelho”.
“O agrupamento garantirá a substituição [do material escolar] com a maior brevidade possível”, bem como disponibilizará o “suplemento alimentar [dos alunos] até ao final do ano letivo”, lê-se na nota.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do tempo.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.