Estudo indica que vagas de calor afetam até 75% das espécies animais

As grandes ondas de calor, como a que atingiu a América do Norte em 2021, desencadeiam efeitos ecológicos em cascata frequentemente desastrosos mas também por vezes subtis, afetando a maior parte das espécies animais, segundo um estudo publicado hoje.

© D.R.

A onda de calor que ocorreu entre 25 de junho e 2 de julho de 2021 no oeste da América do Norte, impulsionada pelas alterações climáticas, esteve entre as mais extremas já registadas a nível global, com temperaturas que por vezes ultrapassaram os 50°C (graus celsius).

“A onda de calor teve repercussões ecológicas consideráveis, incluindo um aumento de quase 400% nos incêndios florestais e consequências negativas para mais de três quartos das espécies estudadas”, disse Diane Srivastava, professora no Centro de Investigação da Biodiversidade da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e coautora do estudo, publicado na revista “Nature Ecology & Evolution”.

Para avaliar o impacto da onda de calor, os investigadores combinaram dados meteorológicos, ecológicos e hidrológicos, juntamente com informações sobre incêndios florestais e modelos científicos.

Segundo o estudo, das 49 espécies terrestres e marinhas estudadas, mais de 75% foram afetadas negativamente, com impactos altamente variáveis: algumas populações caíram a pique em quase 99%, enquanto outras apresentaram aumentos de até 89%.

A variabilidade nos efeitos deve-se a fatores como a disponibilidade de cobertura vegetal, a capacidade intrínseca de uma espécie para suportar o calor e o seu comportamento, incluindo a sua capacidade de procurar sombra.

Mais de metade da população de cracas — pequenos crustáceos — não sobreviveu, assim como 92% dos mexilhões. As populações de alguns patos-marinhos diminuíram 56% e os avistamentos de caribus (mamífero da família dos cervídeos) foram reduzidos para metade.

“Todos os animais que não conseguiram escapar ao calor foram duramente atingidos, incluindo animais móveis em fases vulneráveis das suas vidas, como crias de aves que ainda não conseguiam voar e estavam presas nos seus ninhos, que retêm o calor”, observou Julia Baum, autora principal e professora de biologia na Universidade de Victoria (Canadá).

Ao contrário, as algas alface-do-mar prosperaram. Mais resistentes ao calor do que outras algas, beneficiaram da sua mortalidade e multiplicaram-se, aumentando a sua área nas praias em 65% após a onda de calor.

Os investigadores descobriram também que as regiões mais frias e húmidas absorveram mais 30% de carbono do que o normal, enquanto as regiões mais quentes e secas absorveram menos 75%.

“Isto desafia a crença comum de que as ondas de calor são uniformemente prejudiciais para a vegetação”, observa Sean Michaletz, coautor do estudo. O caudal dos rios, alimentado pelo degelo da neve e do gelo, aumentou 40% durante a onda de calor antes de descer abaixo da média no final do verão, segundo outros efeitos relatados no documento.

A atividade de incêndios florestais aumentou 37% durante a onda de calor e 395% na semana seguinte.

Segundo os investigadores, estas descobertas demonstram que as ondas de calor extremas podem desencadear “efeitos em cascata” nos ecossistemas, tornando necessárias ferramentas de monitorização científica e previsão melhoradas.

Últimas do Mundo

As grandes ondas de calor, como a que atingiu a América do Norte em 2021, desencadeiam efeitos ecológicos em cascata frequentemente desastrosos mas também por vezes subtis, afetando a maior parte das espécies animais, segundo um estudo publicado hoje.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) alertou hoje para uma campanha promovida por um Estado estrangeiro para ter acesso a dados de contas do ‘WhatsApp’ e de ‘Signal’ de governantes, diplomatas e militares.
A Europol avisou hoje que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.
O Sistema de Alerta Rápido da União Europeia (UE) para produtos não alimentares perigosos registou, em 2025, um número recorde de 4.671 alertas sobre bens como cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Um esquema que terá durado 20 anos está agora em tribunal em Valladolid. A acusação diz que uma funerária retirava os caixões antes da cremação e voltava a vendê-los a outras famílias.
Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.