Bastonário teme que vagas no SNS fiquem por preencher e pede mais condições para médicos

O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu hoje em Setúbal que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem a obrigação de continuar a formar médicos, mesmo que muitos deles continuem a sair, a custo zero, para o setor privado.

© Facebook da Ordem dos Médicos

Em declarações à Lusa, Carlos Cortes reconheceu que o anúncio feito no sábado pela Direção Executiva do SNS para a abertura de quase mil vagas para recrutamento (logo após a homologação da classificação do internato médico) é um dado “importante e positivo”, mas realçou que é preciso ir além da criação de vagas e dar respostas às necessidades do SNS e dos seus profissionais.

“Há que criar condições de trabalho adequadas, assim como de formação e de projetos de investigação para se poder desenvolver [o SNS]. O Ministério da Saúde não tem feito o seu trabalho nessa matéria e tem sido inconsequente em dar capacidade de atração ao SNS. Há um problema de organização de todo o SNS para atrair mais profissionais”, observou.

Segundo o bastonário, a Ordem dos Médicos “sempre entregou propostas para tornar o SNS mais atrativo”, pelo que lamentou o que considerou ser “uma desatenção perigosa” do Ministério da Saúde.

“É pena que assim tenha sido. Esta abertura alargada de vagas poderia ter um desfecho diferente… Temos esta oportunidade, mas a falta de intervenção do ministro da Saúde nesta matéria não tem permitido que os médicos olhem para estas vagas numa perspetiva de carreira. E tudo indica que não serão preenchidas”, disse.

Questionado sobre o peso que o recém-alcançado acordo intercalar entre o Ministério da Saúde e o Sindicato Independente dos Médicos para os aumentos salariais pode ter neste processo alargado de recrutamento, Carlos Cortes desvalorizou, ao alertar que as questões de remuneração são apenas um dos problemas para atrair e reter médicos no SNS.

“Não é só a remuneração dos médicos, tem a ver com as condições para manter os médicos nos seus quadros. É muito mais do que um simples acordo intercalar de remuneração. O SNS exige muito mais do que isso e acho até lamentável que este aumento dos médicos seja a solução para salvar o SNS. As dificuldades são muito mais extensas”, vincou, apelando a uma reforma moderna e que não assente nos princípios que nortearam as últimas décadas.

Apesar das críticas e dos alertas, o bastonário da Ordem dos Médicos elogiou a “celeridade do processo” para a abertura de vagas, ao lembrar que em anos anteriores o Ministério da Saúde demorava vários meses a abrir concursos” e que muitos jovens médicos acabaram por desistir e rumavam aos hospitais privados, prejudicando dessa forma o SNS.

Últimas do País

As provas-ensaio de Monitorização de Aprendizagens (ModA), que deveriam realizar-se este mês, foram adiadas para abril devido às tempestades que atingiram várias zonas do país, destruindo escolas e afetando a vida dos alunos, famílias e profissionais.
Cerca de 2.600 militares estão no terreno para apoio direto às populações afetadas pelas tempestades que têm assolado Portugal continental, em 40 municípios, anunciou hoje o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).
O hospital de Leiria recebeu quase um milhar de feridos com traumas desde 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu a região, de acordo com informação dada hoje na reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil.
Quase 900 pessoas tiveram de ser realojadas desde domingo devido ao mau tempo em Portugal continental, anunciou hoje o comandante nacional da Proteção Civil.
Os alegados traficantes de droga detidos pela Polícia Judiciária (PJ) em Portimão no âmbito da operação 'Valhalla' recorriam a um carro funerário para transportar a cocaína na região sem levantar suspeitas, revelou hoje a força policial.
Empresários das frutas e legumes portugueses, que marcam presença na feira Fruit Logistica, em Berlim, consideram as medidas anunciadas pelo Governo “paliativos” que podem pôr em risco a atividade de muitos produtores.
Um total de 93 mil clientes da E-Redes continuava sem abastecimento elétrico pelas 12:00 de hoje, na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo pelo continente português, divulgou a empresa.
Moradores de aldeias que estão sem eletricidade há 10 dias, na sequência da depressão Kristin, estão a mobilizar-se para uma manifestação esta noite, em Pombal, para reclamar soluções urgentes para a população que “está desesperada”.
A administração do Hospital de Santa Maria solicitou aos profissionais que participaram na atividade adicional de dermatologia para devolverem os valores recebidos indevidamente, noticia o jornal Expresso.
As pessoas que vivam num dos concelhos afetados pela tempestade Kristin e tenham perdido ou extraviado o cartão de cidadão, vão poder renová-lo sem pagar taxas, determinou hoje o Governo, em portaria publicada em Diário da República.