Ativistas do Climáximo sem expectativas para o julgamento e com a promessa de continuar protestos

Os ativistas do movimento ambientalista Climáximo assumiram não esperar muito do julgamento que começa hoje no Campus da Justiça, em Lisboa, e garantiram que vão continuar as ações de protesto e denúncia da crise climática.

© Facebook da Climáximo

“Para o julgamento em si não tenho muitas expectativas. A partir do momento em que governos e empresas, com conhecimento da crise climática, continuam ativamente, premeditadamente e conscientemente a expandir a indústria fóssil e a investir na nossa morte…”, afirmou Maria Mesquita, uma dos 11 ativistas que vão responder em tribunal pelos crimes de desobediência civil e interrupção das comunicações.

Em declarações aos jornalistas, a ativista preferiu destacar as “Assembleias de Abril” que o grupo ambientalista vai organizar nas imediações do tribunal para refletir sobre “os próximos passos” e para tentar captar o apoio das pessoas, acrescentando que se os apoiantes do Climáximo forem condenados, isso será apenas a “reiteração da guerra declarada dos governos e das empresas à sociedade”.

“Vamos continuar a resistir da forma que nos for possível e da forma que for necessária. Não existe nada mais que nós possamos estar a fazer neste momento. A partir do momento em que estas pessoas escolhem conscientemente colocar toda a nossa vida em risco, não existe mais nada que nós possamos fazer. Nós vamos continuar”, disse.

Maria Mesquita fez ainda um paralelismo entre a resistência dos ativistas climáticos com a resistência contra a ditadura do Estado Novo.

“Sabemos que estamos a fazer aquilo que é correto. Estamos a três dias de celebrar os 50 anos do 25 de Abril… da mesma forma que as pessoas que lutavam então pela liberdade resistiram e construíram um movimento de resistência popular, é isso que nós estamos a fazer e vamos continuar a fazer”, referiu, acrescentando: “Não iríamos pedir ao próprio Salazar que acabasse com a ditadura e a guerra colonial, tiveram de ser as pessoas a tomar essa responsabilidade”.

Defendeu ainda o objetivo de “abrir um debate na sociedade” para reconhecer e combater de forma efetiva a crise climática, considerando que os governos não mostraram vontade em debater soluções para esta situação.

“Já tentámos dialogar com as instituições e a resposta delas continua a ser investir em combustíveis fósseis. São planos para um gasoduto em Portugal, para um novo aeroporto… essas pessoas continuam a condenar-nos à morte, portanto, não queremos dialogar mais com estas pessoas, queremos dialogar com a sociedade”, concluiu.

O julgamento dos 11 ativistas, que respondem em tribunal pelo bloqueio da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, em dezembro de 2023, tem audiências marcadas até quarta-feira.

Os ambientalistas têm idades entre os 20 e os 58 anos e, em caso de condenação, arriscam penas superiores a um ano de prisão.

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