Creche encerra por falta de educadores e deixa cerca de 120 crianças sem escola

A Santa Casa da Misericórdia de Albufeira enviou aos encarregados de educação um e-mail onde dá conhecimento do encerramento das instalações do Centro Infantil Quinta do Pardais devido à falta de educadores de infância.

© D.R

“É com muita tristeza e pesar que me dirijo a cada um de vós para informar que todos os esforços foram feitos para recrutar profissionais licenciados como Educadores de Infância ao longo do ano de 2023 e 2024, o que se manifestou como uma tarefa impossível dada a falta de profissionais nesta área para a quantidade de oferta, que é tanto no público como no privado e no setor social”.

Foi desta forma que se iniciou o e-mail, duas semanas antes do início do ano letivo, que deixou os pais das crianças surpreendidos com a informação, uma vez que se veem agora numa situação crítica por não saberem onde deixar os filhos.

“Estamos a falar de perto de 100 crianças ou mais. O meu filho tem 1 ano e meio e não tenho onde o deixar. Se me despedir vivo do quê? A Santa Casa tem mais duas valências de creche na mesma localidade, inclusive abriram uma nova o ano passado e agora fazem isto”, lê-se num e-mail enviado por uma mãe ao jornal Sul Informação.

Em declarações ao jornal Sul, Patrícia Seromenho, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira, lamenta a situação e garante estar a fazer todos os esforços para que a situação seja resolvida.

A provedora da Santa Casa afirma estar em contacto com o Centro de Emprego, IEFP e universidades locais no sentido de tentar resolver o problema da contratação de profissionais, uma vez que há “muita falta de profissionais desta área e que sem os profissionais é impossível abrir a creche”.

Foi aberto um processo de recrutamento, mas o número de candidaturas é praticamente inexistente.

Segundo Patrícia Seromenho, após a rescisão voluntária de sete educadoras de infância e agora da diretora técnica e pedagógica, não estão reunidas as condições necessárias para iniciar o novo ano letivo no dia 10 de setembro, uma vez que o ano de 2023 já ocorreu com alguns constrangimentos e falta de educadores durante o ano.

Rute é mãe de gémeos com necessidades especiais e, em declarações à TVI, afirma que não sabe o que vai fazer, uma vez que “são crianças que necessitam de educação especial e não podem ficar em amas.”

Tendo em conta a enorme falta de vagas nas creches em todo o país e com o ano letivo prestes a começar, os pais estão desesperados e sem saber onde colocar os filhos.

Há pais que já consideram inclusive a possibilidade de serem obrigados a deixar de trabalhar ou a tirar uma licença sem vencimento, para que possam cuidar dos filhos, dada a falta de soluções para a guarda das crianças.

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