IPO Porto defende educação sobre dádiva de medula óssea como prioridade

O Serviço de Terapia Celular do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto apelou hoje a que a educação sobre a dádiva de medula óssea se torne uma prioridade nacional e seja integrada no plano de formação escolar.

© facebook/ipolisboa

Em declarações à agência Lusa, e antecipando o Dia Mundial do Dador de Medula Óssea que se assinala a 20 de setembro, a diretora do Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto, Susana Roncon, lembrou que “cada vez são precisos mais dadores”, porque “cada vez há mais doentes podem potencialmente ser curados com o transplante”.

“Desde bebés muito pequeninos, com um mês de vida, até a homens ou mulheres de 60, 70 anos, podem perfeitamente fazer um transplante e ter uma hipótese de vida e de cura”, disse a diretora.

O transplante de medula óssea é uma opção terapêutica considerada vital para doentes com leucemias, anemia aplástica e outras patologias graves.

O sucesso destes procedimentos depende de dadores compatíveis, motivados e disponíveis, um desafio que os especialistas da área consideram “global”, já que cerca de 30% dos doentes não encontram um ‘match’ adequado, mesmo com milhões de dadores registados mundialmente.

O Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto quer que a educação sobre a dádiva de medula óssea se torne uma prioridade nacional e seja integrada no plano de formação escolar, sublinhando o papel central da escola na promoção da solidariedade e da cidadania entre os jovens.

“Em Portugal, um dador para se inscrever como dador de medula tem que ter 18 anos. Em outros países, um jovem com 16 anos já se pode inscrever. Mas, mesmo que um jovem ainda não se possa inscrever, ele tem um núcleo familiar com adultos, tem irmãos mais velhos, amigos, relações na comunidade que frequenta, sendo um veículo de informação. O objetivo é angariar o maior número de dadores, mas também, quando o dador está inscrito, não recusar”, disse Susana Roncon.

Reconhecendo que Portugal se destaca pelo compromisso dos seus dadores, que raramente desistem mesmo perante dificuldades logísticas, a diretora apontou que, “apesar de tudo, as desistências ainda acontecem”, atribuindo-as “ao medo do desconhecido” e à “falta de conhecimento”.

E Susana Roncon deu como exemplo uma abordagem que o serviço fez, em 2023, junto de jovens de faculdades de saúde do Norte do país.

“Fomos às associações de estudantes, sobretudo de Medicina e de Enfermagem, e tentámos saber se os jovens sabiam o que era um dador de medula, o que era uma dádiva de medula, uma dádiva de células. Verificamos que cerca de 80% destes jovens nunca sequer tinham ouvido falar”, revelou.

Já em 2024, fruto de uma parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, centenas de jovens de mais de uma dezena de escolas secundárias daquele concelho do distrito do Porto participaram em sessões informativas e visitaram o Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto para contactar com dadores e aprender sobre o processo.

“Muitos achavam que a colheita de medula era um ato cirúrgico feito no bloco com o dador anestesiado, quando há muito que o processo foi simplificado”, contou

Atualmente, o dador está consciente, interage, pode ter inclusive um familiar ou um amigo ao lado, entra pelo seu pé e sai pelo seu pé, pode comer, ver televisão, ler um livro, num processo que demora entre duas a três horas.

Assim, partindo da convicção de que a simplicidade deste ato não é do conhecimento público, o Serviço de Terapia Celular do IPO Porto alerta que “formar novas gerações informadas é fundamental para manter e expandir este legado de solidariedade”.

Além do projeto em Gaia, a equipa contactou já com a Ordem dos Médicos e propôs que o programa de sensibilização passe a constar dos cursos de Medicina.

Quanto a Gaia, aos jovens foi pedido que fizessem o seu próprio projeto de sensibilização junto da sua comunidade e família e os resultados vão ser apresentados dia 20 no Parque da Lavandeira.

Com início às 14h00, a sessão contará com testemunhos de dadores e doentes transplantados.

Já a 21, domingo, realizar-se-á uma caminhada às 10h00, desde a Marina da Afurada até à Praia das Pedras Amarelas.

“Incluir a literacia sobre dádiva de medula óssea no currículo escolar é um investimento em vidas humanas e em esperança para milhares de doentes que aguardam um transplante”, assinalou Susana Roncon.

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