Preços das casas: Portugal regista maior aumento da UE no 2.º trimestre

Portugal registou o maior aumento dos preços das casas entre os países da União Europeia (UE) no segundo trimestre, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Eurostat.

© DR

A subida dos preços das casas em Portugal destacou-se entre os vários países da União Europeia (UE) no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Eurostat.

Aliás, Portugal registou mesmo a maior subida tanto em comparação homóloga como em cadeia, segundo o gabinete estatístico da UE.

No relatório do Eurostat, pode ler-se que “os maiores aumentos foram registados em Portugal (+17,2%), Bulgária (+15,5%) e Hungria (+15,1%)”, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Já em cadeia, ou seja, face ao mês anterior, “os maiores aumentos foram registados em Portugal (+4,7%), Luxemburgo (+4,5%) e Croácia (+4,4%)”.

Os preços das casas aumentaram 5,1% na zona euro e 5,4% na União Europeia, no segundo trimestre em comparação com o período homólogo, divulga hoje o Eurostat, com Portugal a registar o maior avanço, de 17,2%.

Na variação em cadeia, o indicador cresceu respetivamente, 1,6% e 1,7%.

Habitação acessível? Bruxelas quer países da UE a darem ajudas estatais

A Comissão Europeia quer incentivar os países da União Europeia a apoiarem as suas economias para aumentar a oferta de habitação acessível através de um alívio nas regras dos auxílios estatais, que deixam de ter de ser notificados.

“A Comissão Europeia lançou hoje uma consulta pública sobre a revisão das regras de auxílios estatais para ajudar os Estados-membros no acesso a habitação a preços acessíveis. Esta revisão das regras relativas aos serviços de interesse económico geral abordará desafios relacionados com a acessibilidade da habitação, que vão além da habitação social”, indica a instituição em comunicado.

Explicando que “o objetivo é permitir que os países da UE apoiem a habitação acessível de forma mais rápida e simples”, o executivo comunitário propõe que seja criada uma nova categoria “que permite a concessão de auxílios estatais sem necessidade de notificação à Comissão”.

Esta nova definição assenta em “habitação para agregados familiares que não conseguem, devido ao funcionamento do mercado e, em particular, a falhas de mercado, aceder a habitação em condições acessíveis”, é ainda referido.

A consulta pública decorre até 04 de novembro no ‘site’ da Comissão Europeia.

As regras atuais permitem aos Estados-membros apoiar o acesso à habitação, especialmente habitação social para os mais desfavorecidos, sem que haja limites de compensação.

Porém, estas normas não abrangem a realidade atual, com a crise a afetar mais camadas da sociedade.

As regras de auxílios estatais da UE regulam a forma como os países podem conceder apoio financeiro a empresas e setores económicos, garantindo que essas ajudas não distorcem a concorrência no mercado interno através de subsídios públicos excessivos e que existem condições equitativas.

Existem, porém, exceções, nomeadamente em situações de interesse público.

Cabe à Comissão Europeia supervisionar e autorizar estes apoios.

Devido à acentuada crise habitacional na UE, a Comissão Europeia planeia introduzir, até ao final de 2025, um Plano Europeu para a Habitação Acessível destinado a complementar as políticas habitacionais ao nível nacional, regional e local, mas mantendo o princípio da subsidiariedade, já que esta é uma competência dos Estados-membros.

O executivo comunitário reconhece os desafios relacionados com a crise habitacional em Portugal e espera dar-lhes resposta com este plano, antecipado para este ano, que inclui financiamento, ajudas estatais e limites ao alojamento local.

O executivo comunitário quer, desde logo, alocar mais verbas da União Europeia, como da coesão ou do orçamento a longo prazo, à habitação acessível, e pretende também rever as regras de auxílios estatais para projetos habitacionais e as normas referentes aos arrendamentos turísticos.

Estima-se que, na UE, mais de uma em cada quatro pessoas entre os 15 e os 29 anos vivam em condições de sobrelotação, com grande parte dos jovens europeus a deixar a casa dos pais perto ou depois dos 30 porque não conseguem pagar uma casa própria.

Em 2023, cerca de um em cada 10 europeus gastava 40% ou mais do seu rendimento em habitação e custos conexos.

A União Europeia enfrenta uma crise de habitação, em países como Portugal, onde os preços das casas e das rendas têm aumentado significativamente, tornando difícil chegar à habitação acessível, especialmente para jovens e famílias de baixos rendimentos.

Últimas de Economia

A procura de crédito à habitação e consumo por parte dos clientes particulares aumentou no primeiro trimestre deste ano, segundo o inquérito ao mercado de crédito do Banco de Portugal.
As famílias na zona euro pouparam menos no quarto trimestre de 2025, tendência acompanhada no conjunto da União Europeia (UE), segundo dados divulgados esta terça-feira, 28, pelo Eurostat.
O governador do Banco de Portugal comprou ações da Galp e da Jerónimo Martins já no exercício de funções, mas acabou obrigado pelo Banco Central Europeu (BCE) a desfazer os negócios por violarem as regras impostas ao cargo.
O CHEGA quer a administração da TAP no Parlamento para explicar uma nova sucessão de falhas na companhia, entre indemnizações polémicas, aviões parados e riscos financeiros que continuam a levantar dúvidas sobre a gestão da transportadora.
O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi de 2.151 euros por metro quadrado em março, um novo máximo histórico e mais 16,5% do que no mesmo mês de 2025, divulgou hoje o INE.
O número de trabalhadores em 'lay-off' subiu 6,6% em março, em termos homólogos, e avançou 4,8% face a fevereiro, interrompendo um ciclo de três meses consecutivos em queda, segundo os dados divulgados pela Segurança Social.
O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal aumentou 16,8% em 2025 face ao ano anterior, situando-se nos 2.076 euros por metro quadrado (€/m2), divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália.
O Banco de Portugal (BdP) registou um prejuízo de 1,4 milhões de euros em 2025, tendo recorrido a provisões para absorver parte do resultado, de acordo com o Relatório do Conselho de Administração divulgado hoje.
O endividamento do setor não financeiro, que inclui administrações públicas, empresas e particulares, aumentou 200 milhões de euros em fevereiro face a janeiro, para 862.100 milhões de euros, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP).