FBI trata Antifa nos EUA como Al-Qaeda ou Estado Islâmico

O FBI está a investigar o movimento de extrema-esquerda Antifa como grupo terrorista, de forma igual à Al-Qaeda ou Estado Islâmico (EI), disse o diretor da agência norte-americana de investigação criminal, Kash Patel.

© FBI

Os Antifa “têm de pagar pelos seus atos violentos, e estas pessoas serão levadas à justiça agora que temos autoridade para as perseguir”, disse Patel em entrevista à Fox Business.

“Tratamo-los como terroristas, tal como tratamos a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico”, adiantou o responsável do FBI, um dia depois de o Departamento de Justiça apresentar as primeiras acusações de terrorismo ligadas ao movimento Antifa, visando dois indivíduos que alegadamente atacaram um centro de detenção de migrantes no Texas.

As acusações, apresentadas no Distrito Norte do Texas, surgem menos de um mês depois de o Presidente Donald Trump ter designado o movimento como “organização terrorista” e fazem parte de um esforço de várias agências para identificar e investigar indivíduos ou grupos ligados à extrema-esquerda.

As autoridades têm como alvo Cameron Arnold e Zachary Evetts, ambos detidos logo após o ataque de julho ao Centro de Detenção de Praireland, nos arredores de Dallas, e acusados de “fornecimento de apoio material a terroristas”, três acusações de tentativa de homicídio de um agente do governo e três acusações de disparo de arma de fogo durante um ato de violência.

Se forem condenados, os dois arguidos podem enfrentar um mínimo de 10 anos de prisão e um máximo de prisão perpétua.

No documento judicial, o governo afirma que estes dois indivíduos faziam parte de um grupo de aproximadamente 10 pessoas que “planearam” um ataque ao centro de detenção.

No incidente, na noite de 04 de julho, os arguidos grafitaram e lançaram fogo de artifício no local.

Quando vários polícias, tanto funcionários do centro como polícias locais, responderam, houve disparos de arma de fogo, resultando num polícia ferido no pescoço, de acordo com o documento judicial.

O governo alega que os dois arguidos faziam parte de uma “célula” Antifa no norte do Texas e descreve o movimento como uma “organização militante composta por redes de indivíduos e pequenos grupos que aderem a uma ideologia revolucionária anarquista ou marxista”.

Especificamente, os documentos judiciais referem que os envolvidos no ataque estavam “fortemente armados”, incluindo espingardas de assalto AR-15.

Pelo menos outras 12 pessoas foram detidas e acusadas em ligação com o incidente, incluindo um ex-fuzileiro, Benjamin Hanil Song.

Em setembro, Trump assinou uma ordem executiva designando o movimento Antifa como “organização terrorista”, mas não é claro como esta decisão será aplicada, dado que não existe uma lei antiterrorismo no país que permita que um grupo seja designado como tal.

A ordem presidencial descreve o movimento Antifa como uma organização “militarista e anarquista” que procura derrubar o governo, atacar as forças de segurança e o sistema jurídico do país através de meios ilícitos, incluindo violência e terrorismo.

A Antifa não é uma organização formal e estruturada, apesar de o governo a designar como tal, de acordo com organizações especializadas em discurso de ódio, como o Southern Poverty Law Center (SPLC).

Em 2020, o então diretor do FBI, Christopher Wray, chegou a afirmar que se trata de uma “ideologia” e não de um grupo organizado.

Na semana passada, enquanto decorriam protestos contra ações policiais em Portland e Chicago, Trump apelou à identificação dos financiadores do movimento.

“Deve ser claro para todos os americanos que temos uma ameaça terrorista de esquerda muito séria no nosso país. Radicais associados ao grupo terrorista doméstico Antifa, do qual vocês têm ouvido falar muito ultimamente, e eu ouço falar muito deles há 10 anos”, acrescentou o Presidente.

Últimas do Mundo

A Europol avisou hoje que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.
O Sistema de Alerta Rápido da União Europeia (UE) para produtos não alimentares perigosos registou, em 2025, um número recorde de 4.671 alertas sobre bens como cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Um esquema que terá durado 20 anos está agora em tribunal em Valladolid. A acusação diz que uma funerária retirava os caixões antes da cremação e voltava a vendê-los a outras famílias.
Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.