Loja do Gato Preto afunda-se em dívidas: Credores reclamam quase 50 milhões de euros

A retalhista de artigos para o lar 'Loja do Gato Preto', detida pelo Grupo Aquinos, avançou no início de setembro com um Processo Especial de Revitalização (PER), numa tentativa de reestruturar a sua situação financeira. A lista provisória de credores, divulgada esta semana, revela passivos no valor total de 49,5 milhões de euros.

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De acordo com o jornal Expresso, entre os mais de 300 credores identificados figuram bancos, fornecedores, trabalhadores e o próprio Grupo Aquinos, que detém créditos sobre a empresa no montante de cerca de 26 milhões de euros. Deste valor, 23,8 milhões de euros dizem respeito a fornecimentos de bens e serviços por parte da Aquinos SA, enquanto 1,6 milhões correspondem a suprimentos da holding Aquinos Retail SGPS.

O setor bancário representa aproximadamente 25% do total de créditos reconhecidos. Entre as instituições com maior exposição encontram-se o BBVA (2,5 milhões de euros), o Novo Banco e o BPI (1,9 milhões de euros cada), a Caixa Geral de Depósitos (1,6 milhões), o BCP (1,2 milhões) e o Montepio (1,03 milhões). Constam ainda outros credores, como o Banco BIC, o Crédito Agrícola Mútuo da Beira Centro, o Bankinter e o BNP Paribas Lease Group, todos com montantes inferiores a um milhão de euros.

Os trabalhadores da Loja do Gato Preto têm créditos no valor de cerca de 1,6 milhões de euros. Segundo a informação constante do processo, que corre no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste, em Sintra, não foram apresentados créditos não reconhecidos na lista provisória elaborada pelo administrador judicial, Jorge Calvete.

Em comunicado emitido aquando da entrada no PER, enviado às redações, a empresa justificou a decisão com as “pressões e constrangimentos do mercado” que têm afetado o setor do retalho especializado. A marca procura, assim, reorganizar as suas responsabilidades financeiras e garantir a continuidade da atividade.

A Loja do Gato Preto foi adquirida pelo Grupo Aquinos em 2020, em pleno contexto pandémico, tendo desde então sido alvo de investimentos destinados à expansão da operação em Portugal e Espanha. Atualmente, a insígnia conta com 39 lojas, das quais oito localizadas no mercado espanhol.

O grupo enfrenta dificuldades acrescidas desde 2022, com uma quebra significativa nas vendas e prejuízos acumulados de 15 milhões de euros em 2024, contrastando com os lucros de 127 mil euros registados no ano anterior. Em simultâneo, têm surgido constrangimentos operacionais em mercados externos, nomeadamente na Polónia, onde a empresa se depara com problemas junto de fornecedores e atrasos na entrega de mercadorias.

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