Mãe transferiu “dezenas de milhares de euros” para José Sócrates

A mãe do antigo primeiro-ministro José Sócrates transferiu "dezenas de milhares de euros" para o filho, que desconhecia com frequência quanto dinheiro tinha na conta bancária, testemunhou hoje em tribunal uma gerente da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

© LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

“Eram transferências normais, no sentido em que a senhora falava comigo, pedia-me a execução da transferência e nós fazíamos”, relatou, no julgamento do processo Operação Marquês, a gerente da conta bancária de José Sócrates entre 2009 e 2014, precisando que os valores movimentados foram na ordem das “dezenas de milhares de euros”, sem adiantar quando tal aconteceu.

Questionada pelo Ministério Público sobre a origem dos fundos, Teresa Veríssimo sublinhou que estes nunca foram depositados em dinheiro e associou-os à “venda de um ou dois imóveis”.

A bancária disse ainda que o ex-governante “normalmente não tinha” consciência do dinheiro que tinha na conta, tendo existido momentos em que os limites de saldo e ‘plafond’ dos cartões de crédito foram atingidos ou ultrapassados.

“Recordo-me de ele me ligar a queixar-se que o cartão não estava a funcionar […] e termos chegado à conclusão que não havia engano nenhum, que o ‘plafond’ estava esgotado”, contou.

José Sócrates, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

O Ministério Público acredita que os subornos chegariam ao primeiro-ministro através de testas-de-ferro e coloca, nesse âmbito, em causa quer a veracidade da venda de imobiliário pela mãe do antigo primeiro-ministro (2005-2011) quer a titularidade de um apartamento em Paris, França.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhes são imputados.

O julgamento decorre desde 03 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sessões agendadas pelo menos até 18 de dezembro de 2025.

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