Fiscalização em praias do Algarve encontrou postos de socorro a servir de armazéns

Toldos instalados junto a arribas, o uso de postos de socorro como armazéns e sanitários encerrados são algumas das irregularidades detetadas durante uma fiscalização a praias concessionadas do Algarve, revelou esta segunda-feira a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

© D.R.

A APA fiscalizou, em agosto e setembro deste ano, 29 praias do Algarve em concelhos “onde existiam denúncias de irregularidades ou um histórico de ocorrências”, revelou o presidente da APA, José Pimenta Machado. Além de terem sido detetadas duas praias, em Castro Marim e em Albufeira, com acesso público condicionado ou interdito, foram ainda detetadas falhas de cumprimento de obrigações pelos concessionários.

Entre elas, estão o uso indevido de postos de socorros (obrigatórios) como armazém de produtos do concessionário, instalações sanitárias encerradas ou condicionadas a clientes da concessão (caso na praia de Monte Gordo) e casos de sujidade e lixo amontoado nas áreas envolventes ao apoio de praia.

Pimenta Machado lembrou que o acesso aos balneários é universal e que, em conjunto com postos de socorro a funcionar, são elementos condicionantes da atribuição da concessão da praia. Na praia dos Tremoços – VilaVita (Lagoa) foi detetada a ocupação ilegal do areal com toldos não licenciados do empreendimento, com a quase totalidade dos toldos instalados em faixa de risco (junto a arribas sinalizadas como perigosas).

Já em Armação de Pêra (Silves) verificou-se a ocupação excessiva do areal, ultrapassando a área licenciada, e noutras praias de Portimão, como a da Rocha, do Alvor e a Prainha foi verificada a venda ambulante não autorizada com ocupação do areal e “utilização de arribas como expositores”.

Em várias praias algarvias foram detetadas “divergências no entendimento quanto à possível ocupação com chapéus-de-sol à frente das áreas licenciadas, o que reduz a área livre para os utentes”, indicou a APA. “As concessões estão concessionadas para ocupar um determinado espaço. Não podem limitar ou impedir que alguém coloque um chapéu-de-sol em frente à área concessionada. Vamos ter de fazer este trabalho de correção das situações”, acrescentou Pimenta Machado.

A APA detetou ainda, de uma forma geral, sinalética insuficiente ou pouco clara, tendo sido pedido ao Instituto de Socorros a Náufragos a revisão e alteração das placas para outras mais claras. Segundo presidente da APA, é preciso também capacitar os municípios, sobretudo os que têm menos meios, para o exercício das suas competências nas áreas balneares, seguindo o disposto nos regulamentos e legislação.

Quanto às infrações detetadas, foram levantados autos, cerca de 10, e os infratores já foram ou vão ser notificados, mas “na ponderação da coima será tido em consideração se, de modo voluntário, corrigiram a situação”. Segundo a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, no próximo ano serão fiscalizadas em especial as praias do Centro do país, além das do concelho de Ourique (Beja), onde a autarquia assinalou algumas fragilidades.

Maria da Graça Carvalho reiterou ainda que o Governo está a analisar uma forma de existirem “equipas flexíveis” de nadadores-salvadores em praias fora do período da época balnear, “que possam ajudar nas praias com maior frequência, durante todo o ano, quando o tempo está bom e há muita frequência às praias”.

A APA destacou que Portugal tem 673 águas balneares, 404 das quais tiveram bandeira azul em 2025. Julho (com 5% das praias) e agosto (com 7%) foram os meses com mais zonas balneares com restrições de banhos, o que foi explicado com a “maior pressão” das praias nestes meses.

Como exemplos, registaram-se as interdições das praias de Matosinhos devido a contaminação, da praia da Vieira (Marinha Grande) devido a avaria grave na Estação Elevatória de Monte Real, a praia da Nazaré foi interdita a banhos três vezes este ano e a rotura de uma conduta causou a interdição de banhos em quatro praias de Albufeira.

Últimas do País

Cerca de 50 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Santarém e Portalegre estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 67 anos foi detido por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, no concelho de Arraiolos, no distrito de Évora, revelou hoje o Ministério Público (MP).
Mais de 50 concelhos do interior, de oito distritos de Portugal, enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, no dia em que se espera descida da temperatura
Presidente do CHEGA considera que o ministro da Administração Interna não reúne condições para continuar no cargo, critica as explicações prestadas na primeira conferência de imprensa realizada após serem conhecidos os casos polémicos que o envolvem e apela à intervenção do Presidente da República.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tem por cobrar 1.234.358 euros relativos a serviços prestados a pessoas estrangeiras não residentes em Portugal, em 2023 e 2024, revela uma auditoria da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).
Um homem, de 23 anos, foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de ter agredido a ex-companheira, de 39, depois de ter forçado a entrada na sua casa, em Beja, foi hoje divulgado.
O Tribunal de Ponte de Lima decretou prisão preventiva para um jovem de 27 anos, suspeito de atear cinco focos de incêndio em Ponte de Lima, "num curto espaço de tempo", revelou hoje a GNR.
O Governo está a preparar uma nova Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, com medidas nas áreas da educação, habitação, emprego, saúde, associativismo e mediação intercultural, mas continua sem revelar quanto custará o plano aos contribuintes.
O acolhimento de cada refugiado em Portugal pode representar uma despesa pública próxima dos 12 mil euros por ano, considerando os custos com alojamento, alimentação, acompanhamento social e acesso aos cuidados de saúde.
Português de 41 anos fugiu após o homicídio, ocorrido em agosto do ano passado, mas acabou localizado no sul de França. Foi extraditado para Portugal e ficou em prisão preventiva.