Peritos da PJ protestam por carreira própria e acusam direção de os subalternizar

A greve nacional dos peritos forenses da Polícia Judiciária (PJ) que hoje decorre regista uma adesão a rondar os 80%, segundo o sindicato, que reivindica uma carreira própria e acusa a direção nacional de subalternizar estes profissionais.

© Facebook da PJ

Em protesto em frente à sede nacional da PJ, dezenas de peritos forenses vindos de vários pontos do país reuniram-se em torno de uma ideia que justifica a concentração e que podia ler-se nas t-shirts pretas que envergavam “Especialistas de 1.ª; Carreira de 2.ª”.

Em causa, explicou o presidente da Associação Sindical dos Peritos Forenses da PJ (ASPF-PJ), estão questões de diferenciação de carreiras dentro da própria PJ, tendo José Gonçalves afirmado que a complementaridade de serviços” entre investigação criminal e ciência forense “está sob ataque” pela direção nacional desta polícia.

Os peritos forenses reivindicam uma carreira própria, que os diferencie de outros profissionais não especialistas incluídos na carreira de Especialista de Polícia Científica, onde se incluem, por exemplo, administrativos.

Criticam também um sistema de avaliação diferenciado entre as carreiras da PJ — Segurança, Investigação Criminal, Especialista de Polícia Científica — e a diferenciação no suplemento de missão, alterado em 2023, que motivou aumentos salariais elevados na PJ, que provocaram a contestação e pedidos de equiparação de outras forças de segurança, mas que não foram iguais para todos os profissionais da PJ.

José Gonçalves referiu, a título de exemplo, os colegas de laboratório que lidam com explosivos instáveis e que correm riscos maiores do que muitos inspetores da investigação criminal.

“Estas diferenças artificiais foram criadas pela Direção Nacional. Nós não compreendemos onde é que eles foram arranjar as diferenças de conteúdo. Durante 32 anos recebemos o mesmo suplemento de risco”, criticou José Gonçalves.

Para o sindicato, não é também admissível que as unidades técnicas da PJ sejam dirigidas por pessoas vindas da carreira de investigação criminal.

“As unidades policiais têm autonomia técnica e científica. Não podem estar sujeitas a pressões da parte de quem investiga. É certo que estes dirigentes, neste momento, não estão a investigar, mas eles são sempre dessa área de investigação”, alertou.

Essas unidades eram tradicionalmente dirigidas por peritos forenses e “agora, de repente, as três estão a ser dirigidas por pessoal de investigação criminal”, disse o dirigente sindical, lamentando o que classificou como uma “desvalorização constante”.

“Vemos uma subalternização da nossa carreira perante a carreira de investigação criminal”, criticou.

José Gonçalves diz que os pedidos de reunião à direção nacional da PJ estão sem resposta, assim como o pedido dirigido ao Ministério da Justiça e à ministra Rita Alarcão Júdice. Já foram também pedidas reuniões aos grupos parlamentares.

“Nós estamos aqui porque ao fim de cinco anos não tivemos qualquer resposta às nossas reivindicações. Nada. E muito pelo contrário. Vemos uma vontade desta direção nacional (…) de ainda nos querer prejudicar mais”, disse José Gonçalves, explicando que a greve de hoje “é o último recurso”.

A greve nacional de um dia terá tido uma adesão média a rondar os 80%, segundo dados recolhidos até 13:00, hora em que se iniciou a concentração, com pontos onde era de 100%, com apenas os serviços mínimos a serem cumpridos, e outros onde a adesão se fixou nos 50%.

“Hoje o trabalho não se faz. Segunda-feira cá estaremos a fazer o nosso trabalho. Mas hoje inicia-se também uma greve ao trabalho suplementar. E com essa greve ao trabalho suplementar, algum trabalho, principalmente no exterior, como buscas que são feitas mais cedo, uma hora mais cedo, esse trabalho vai ficar seriamente comprometido”, disse o presidente do sindicato.

Os peritos em protesto iram ainda hoje concentrar-se frente ao Ministério da Justiça, no Terreiro do Paço, com início previsto para as 15h00.

Últimas do País

O partido liderado por André Ventura apresentou uma proposta para o Orçamento do Estado para 2027 que pretende dar prioridade no acesso às creches aos filhos de cidadãos portugueses que exerçam uma atividade profissional.
A Proteção Civil alertou hoje para o risco de inundações e cheias em Portugal continental devido à passagem da depressão Bruna, que irá provocar chuva e vento fortes e agitação marítima.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve entre domingo e hoje 10 pessoas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, suspeitas de utilizarem documentos falsificados em voos provenientes de Atenas, na Grécia.
O IPMA alertou para chuva, vento e agitação marítima no continente a partir de domingo, devido à depressão Bruna, que deverá afetar o país até 13 de novembro.
A PSP recebeu hoje de manhã um alerta de ameaça de bomba num avião da Ryanair que iria sair do aeroporto de Lisboa com destino a Roma, revelou hoje aquela polícia.
Dois homens, de 24 e 27 anos, foram detidos pela PSP depois de transformarem dois apartamentos municipais devolutos, na Quinta do Loureiro, em Lisboa, em armazéns de droga. A operação permitiu apreender 23 quilos de heroína, a maior quantidade desta substância confiscada este ano pelas forças de segurança portuguesas, além de cocaína, haxixe, liamba, dinheiro e munições.
Um adolescente de 15 anos foi identificado pela Polícia Judiciária como suspeito de violar e roubar uma rapariga menor de idade no interior do prédio onde esta reside, em Oeiras. O jovem está ainda indiciado por outros crimes de roubo e agressão. Por ter menos de 16 anos, não pode ser responsabilizado criminalmente, tendo sido entregue ao pai e apresentado ao Tribunal de Família e Menores.
A Polícia Judiciária de Aveiro deteve um homem de 34 anos suspeito de usar receitas falsas para comprar medicamentos que seriam utilizados para fabricar drogas ou para consumo direto, segundo informou o órgão de polícia criminal.
Uma mulher espanhola foi detida em Badajoz, suspeita de ter vendido os seis filhos, com idades entre um e 11 anos, a outras famílias. Duas das crianças, de um e três anos, foram localizadas em Portugal e encaminhadas para instituições de acolhimento.
Um homem de 55 anos foi detido pela GNR por estar "fortemente indiciado" do crime de violência doméstica contra a mulher, de 48 anos, no concelho de Elvas, revelou hoje o Ministério Público (MP).