Marques Mendes sob fogo: declarações falsas no debate presidencial geram polémica

Luís Marques Mendes está no centro de uma nova polémica depois de, no debate presidencial, ter afirmado que o CHEGA “passa a vida a ter propostas inconstitucionais, como a pena de morte”, uma falsidade evidente.

© Folha Nacional

A declaração foi rapidamente desmentida, já que o partido não defende a pena de morte e até realizou um referendo interno, em 2020, onde a medida foi rejeitada pela maioria dos militantes.

Segundo os resultados dessa consulta interna, que Marques Mendes não deveria desconhecer, mais de 50% militantes votaram contra a pena de morte. Entre os que rejeitaram a medida esteve o próprio líder do partido, André Ventura. Desde então, nenhuma proposta, programa eleitoral ou iniciativa parlamentar do CHEGA voltou a incluir a pena capital.

A acusação de Marques Mendes é, por isso, considerada falsa e politicamente grave, por distorcer factos públicos e verificáveis. A única proposta penal presente no programa do CHEGA é a defesa da prisão perpétua para crimes hediondos, com revisão possível, medida que nada tem a ver com pena de morte.

A afirmação do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP provocou forte reação nas redes sociais, onde vários fact-checkers e utilizadores recuperaram o vídeo do referendo interno de 2020, acusando Marques Mendes de “manipulação”, “desonestidade intelectual” e “propaganda enganosa”.

Analistas assinalam que a difusão de uma falsidade num debate presidencial “compromete a credibilidade do candidato” e reduz o nível do debate democrático, numa altura em que se exige rigor absoluto às figuras que ambicionam a Presidência da República.

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