Praia de Matosinhos em risco de não ser zona balnear

A praia de Matosinhos, no distrito do Porto, está em risco de não ser considerada zona balnear, aguardando-se que a Câmara Municipal tome medidas imediatas, revelou hoje o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

© D.R.

Em causa estão os elevados valores de poluição e o risco para a saúde pública numa das praias mais concorridas do país, que chega a registar 14.000 utentes por dia no verão e que na última época balnear esteve interditada 18 vezes.

“É uma das praias que neste momento aguardamos que nos façam chegar um conjunto de medidas para minimizar a poluição. Como se sabe, no passado foi a praia que teve vários episódios de poluição o que levou à sua interdição. Portanto, obviamente, este ano, para além das medidas que foram passadas, pedimos mais medidas para avaliar a situação”, disse o presidente do conselho diretivo da APA.

Em declarações à agência Lusa, José Pimenta Machado referiu que o processo de consulta pública decorre até 02 de fevereiro e a decisão final será tomada em abril e confirmou que esta é a única das 370 praias de Portugal Continental com este risco.

“Vamos aguardar que a Câmara Municipal faça esse trabalho e estamos a colaborar, naturalmente, com a autoridade de saúde. Esperamos que tragam medidas para controlar e minimizar o efeito da poluição na praia de Matosinhos”, acrescentou o responsável, revelando que está marcada para a próxima semana uma reunião com a autarquia socialista liderada por Luísa Salgueiro.

“Mas se essas medidas não forem suficientes, então pode ser um areal que não vai ser praia balnear”, apontou.

A agência Lusa contactou a Câmara Municipal de Matosinhos que remeteu esclarecimentos para a APA.

À Lusa, José Pimenta Machado destacou já algumas das medidas em curso, nomeadamente um projeto da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto sobre a ribeira da Riguinha, bem como um na Avenida D. Afonso Henriques que implica uma obra já agendada para o próximo mês de intervenção no saneamento de forma a minimizar e eliminar ligações ilegais.

“Sabemos que essa ribeira condiciona muito a qualidade da praia. A câmara tem projetos para ali, para a zona de Real também, portanto vamos aguardar pela reunião da próxima semana e avaliar. Sabemos que as gaivotas também condicionam muito”, descreveu o presidente da APA.

Em entrevista à RTP sobre este tema, o investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) Adriano Bordalo e Sá revelou que os efeitos das bactérias causadas pelas gaivotas podem ser, nos mais vulneráveis, diarreias e problemas de pele, olhos e ouvidos.

A equipa deste investigador instalou um laboratório à beira-mar com recolhas de amostras de 30 em 30 minutos nos dois últimos verões e atestou a falta de qualidade da água e das ribeiras que desaguam na praia, nomeadamente os feitos das 800 ligações ilegais oriundas da Ribeira da Riguinha.

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