Mau tempo: Manifestação em Pombal para pedir resposta para aldeias sem luz há 10 dias

Moradores de aldeias que estão sem eletricidade há 10 dias, na sequência da depressão Kristin, estão a mobilizar-se para uma manifestação esta noite, em Pombal, para reclamar soluções urgentes para a população que “está desesperada”.

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“Já estamos há 10 dias sem luz, com comunicações muito limitadas, há ainda aldeias que não têm água e a população está a começar a ficar desesperada. Não vemos soluções à vista, não vemos ninguém a trabalhar no terreno”, disse à agência Lusa Tatiana Ferreira, uma das promotoras da iniciativa.

A manifestação, que se quer silenciosa e pacífica, está marcada para as 20:00 de hoje, junto à Câmara Municipal de Pombal, onde executivo e presidentes de junta se reúnem todos os dias, ao final da tarde.

Sob o mote “Aldeias sem luz há 10 dias”, os organizadores instam à mobilização da população para que a “E-Redes tenha respeito por quem lhes paga”.

Tatiana Ferreira, que é diretora técnica num lar de idosos, disse ainda que se pretende também mostrar solidariedade para com os presidentes das juntas de freguesia do concelho, apelando que eles se juntem também à iniciativa.

“Toda a gente lhes bate à porta e não são eles que têm as soluções nas suas mãos, quem tem essas soluções é a E-Redes”, frisou.

Tatiana vive em Paço, aldeia ainda sem luz nem Internet e só com “comunicações à janela”, mas tem de se deslocar à sede da Junta de Almagreira para ter acesso a eletricidade e poder trabalhar.

“Se calhar, a prioridade eram as freguesias [sedes] por causa das eleições, mas nós, nas aldeias, também precisamos de eletricidade”, apontou, recordando que, em 2018, depois da passagem da depressão Leslie, teve “luz em três dias” e questiona: “Porque é que agora passaram 10 dias e ainda há aldeias sem geradores a funcionar para termos luz?”.

Tatiana Ferreira sublinhou que as pessoas estão cansadas de estar em casa às escuras. “É desesperante”, frisou, referindo que colegas suas tiveram de tomar banho no lar onde trabalham e que também ali se fizeram refeições, porque não dá para cozinhar nas suas casas.

O sentimento é, descreveu, “de cansaço físico e exaustão pela falta de respostas”.

“E ainda mais saturados ficamos quando ouvimos notícias de que, em princípio, até dia 14 poderemos estar sem luz e, daqui até ao dia 14 ainda faltam muitos dias. Para nós é assustador. Como vamos continuar a viver sem luz em casa?”, questionou.

Um total de 89 mil clientes da E-Redes continuava sem abastecimento de energia elétrica pelas 15:30 de quinta-feira, na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo pelo continente português.

Numa informação enviada à Lusa, a empresa explicou que àquela hora, nas zonas mais críticas, as avarias decorrentes da depressão Kristin afetavam 75 mil clientes.

Segundo a fornecedora, o distrito mais afetado é o de Leiria, com 54 mil clientes sem luz, seguido de Santarém, com 11 mil, Castelo Branco, com sete mil, e Coimbra, com três mil clientes ainda sem energia elétrica.

Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

O Governo decidiu na quinta-feira prolongar até ao dia 15 de fevereiro a situação de calamidade para 68 concelhos, e além do pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros que já tinha anunciado, disse que a partir de hoje seriam disponibilizados 275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis para apoio às populações afetadas.

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