Ana Gomes: As ilegalidades na mansão de Sintra e os impostos não pagos

Não há semana em que Ana Gomes não se apresente de dedo em riste a denunciar casos de corrupção ou outros escândalos que assolam o país. Sobretudo se esses casos e escândalos não estiverem relacionados com a sua área política e com os seus correligionários. Veja-se o exemplo dos casos que envolviam José Sócrates e do tempo que Ana Gomes levou a considerar que a conduta do ex-primeiro-ministro era condenável, já muito tempo depois de ser mais do que evidente que havia muito por explicar no mandato de Sócrates, nas suas relações com Carlos Santos Silva e sobre o dinheiro das heranças.

Mas também relativamente ao caso Casa Pia, em que se colocou permanentemente contra as vítimas, protegendo com todas as forças o seu amigo Paulo Pedroso, mesmo quando tínhamos o Supremo Tribunal de Justiça a dizer que “havia «fortes e consistentes indícios» da prática de abusos sexuais de jovens da Casa Pia por parte de Paulo Pedroso e foi correcto o juízo feito pelo juiz de instrução Rui Teixeira, de que era «bastante provável» nessa altura que o então número dois do PS viesse a ser condenado em julgamento. Além disso, «a prova produzida evidencia» que altas figuras do PS fizeram uma série de «diligências» que perturbavam o processo e pressionariam as testemunhas. (jornal Sol, 1 de Abril de 2011).

Ou, mais recentemente, nada disse sobre o facto de Mariana Mortágua ter violado as regras que regulam o Estatuto dos Deputados ao ter recebido de forma indevida o abono suplementar referente ao exercício da atividade de Deputada a título de exclusividade, quando, ao mesmo tempo, recebia como colunista no JN e como comentadora na SIC Notícias.

© Google Earth

Ora, esta mesma Ana Gomes, que tudo e todos denuncia, está agora a braços com a justiça por ter feito obras de forma ilegal na sua casa em Sintra.

Foi no ano passado que o país ficou a saber, através de uma investigação realizada pelo Nascer do Sol, que o pedido de licenciamento da piscina e de um anexo da casa de Ana Gomes não tinha sido feito à Câmara de Sintra, conforme está previsto na lei e, para além disso, também as obras na casa principal careciam de um parecer do Parque Natural de Sintra-Cascais que não foi pedido.

Tudo veio a público quando Ana Gomes decidiu colocar a sua casa à venda por 2 milhões de euros, substancialmente acima do valor patrimonial do imóvel, que se cifra pouco acima dos 300 mil euros.

Tal como se pode ler na notícia de 26 de março de 2022, “após consultar o processo nesta autarquia, o Nascer do SOL constatou que esse parecer não existe, tendo o projeto de obras avançado na mesma, conforme é público e notório.” Lê-se ainda na mesma notícia que, “de acordo com a documentação consultada (e que a CMS disponibilizou para consulta após as notícias avançadas pelo jornal i e pelo Nascer do SOL dando conta da ilegalidade da construção de uma piscina e de um anexo), a Câmara de Sintra aprovou as referidas construções de melhoramento da casa principal, mas na condição de que seria apresentado esse parecer do Parque Natural autorizando-as.” Contudo, acrescenta ainda o jornal, “o proprietário, que era na altura António Franco (marido de Ana Gomes falecido em 2019), requereu que a entrega desse parecer não fosse considerada indispensável. Pedido que foi deferido pelo Presidente da Câmara de Sintra à época, Fernando Seara.”

Soube-se ainda à data que “dadas as benfeitorias feitas por volta de 2006/2007 em evidente clandestinidade, a Câmara de Sintra adiantou que, «perante a situação agora detetada da ausência de licenciamento da piscina e casa de apoio, tomará as iniciativas que o quadro legal aplicável prevê, com vista à reposição da legalidade»” e que a autarquia decidiu abrir um processo para reposição da legalidade, ou seja, para proceder ao licenciamento da piscina e do anexo.

Contudo, surgiu a informação recente que o licenciamento foi rejeitado liminarmente pelos serviços da autarquia de Sintra, podendo o anexo e a piscina ter de vir a ser demolidos pelos próprios ou pelos serviços do município.

 

IMPOSTOS QUE ANA GOMES NÃO PAGOU

Para além disso, sabe-se também que há impostos em falta, tendo em conta que na caderneta predial da Autoridade Tributária com os dados de avaliação do imóvel, é referido que a inscrição na matriz foi feita em 2010 e que o valor patrimonial tributário (VPT) atribuído pela Autoridade Tributária (AT), em 2019, era de 311 459 euros, não constando nenhuma atualização, pelo menos até 2019. Ora, isto significa que o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) da piscina não foi pago, pelo menos desde 2007, altura em que já existia.

Convém não esquecer, e Ana Gomes tem obrigação de o saber, que quando um proprietário faz obras num prédio urbano, com vista à valorização do imóvel, tem a obrigação de comunicar ao Fisco as alterações que forem introduzidas na planta inicial, incluindo as piscinas.

Na mesma caderneta predial, também se declara não existir nenhuma “divisão suscetível de utilização independente”. Mas num dos anúncios de venda da casa fala-se expressamente numa “guest house, com kitchenette e casa de banho com duche”, em clara contradição com aquilo que foi declarado e que é verificável nas imagens da propriedade no Google Earth.

 

 

Últimas do País

O Comando Regional da Madeira da PSP deteve dois homens na terça-feira por tráfico de droga e apreendeu mais de 6,9 quilogramas de produtos estupefacientes, foi hoje anunciado.
O presidente do CHEGA, André Ventura, considerou esta quarta-feira que existem motivos suficientes para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária.
A Polícia Judiciária (PJ) encontrou indícios dos crimes de descaminho e abuso de poder na deslocação do reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna. O procurador-geral da República já mandou abrir um inquérito.
O professor de 33 anos detido por suspeita de abuso sexual de crianças numa escola na Madeira ficou em prisão preventiva, depois ter sido presente hoje a primeiro interrogatório judicial.
Um casal brasileiro e um alegado cúmplice são suspeitos de terem viajado para Portugal para assaltar e matar um empreiteiro de 60 anos. Após o crime, permaneceram vários dias no país e fizeram turismo antes de serem detidos pela Polícia Judiciária no Aeroporto de Lisboa.
Cerca de 50 concelhos de oito distritos de Portugal continental encontram-se esta quarta-feira em perigo máximo de incêndio rural, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que alerta para a manutenção do risco elevado pelo menos até ao próximo fim de semana.
A PSP entregou no primeiro semestre deste ano cerca de 70 mil pulseiras no âmbito do programa 'Estou Aqui!', que ajuda a sinalizar crianças desaparecidas, e encontrou duas crianças perdidas momentaneamente das famílias, anunciou hoje a força policial.
Entre 2019 e 2025, a Polícia Judiciária adjudicou mais de 2,2 milhões de euros à Construbarcelos. Apenas três dos 17 contratos tiveram concorrência e algumas empreitadas acabaram por custar mais 345 mil euros do que o previsto.
Enquanto milhares de alunos enfrentavam atrasos e erros na divulgação das notas, o Ministério da Educação adjudicava um contrato de 701 mil euros à Deloitte Technology.
A crescente retenção de ambulâncias dos bombeiros nas urgências dos hospitais do Algarve está a comprometer de forma grave a capacidade de resposta da Emergência Pré-Hospitalar na região, sobretudo no verão, alertaram entidades regionais.