Papa alarga lei sobre abusos sexuais aos líderes leigos de associações

©facebook.com/vaticannews

O Papa Francisco atualizou hoje a lei da Igreja de 2019 que obriga todos os sacerdotes e religiosos a denunciarem crimes de abuso sexual ao Vaticano, alargando-a aos líderes leigos de associações internacionais.

O novo documento entra em vigor no dia 30 de abril, revoga a versão de maio de 2019.

Francisco reafirmou e tornou permanentes as disposições temporárias da lei anterior que foram aprovadas num momento de crise no Vaticano e na hierarquia católica.

Na ocasião, a legislação foi elogiada por estabelecer mecanismos precisos para investigar bispos e superiores religiosos cúmplices, mas a sua implementação foi desequilibrada e o Vaticano foi criticado por vítimas por falta de transparência.

As novas regras estão em conformidade com outras alterações no tratamento de abusos praticados por membros da Igreja Católica que foram emitidas desde então.

De forma mais significativa, as novas normas abrangem, além dos clérigos, moderadores de associações aprovadas pela Santa Sé.

Esta é uma resposta aos muitos casos que surgiram nos últimos anos de líderes leigos que abusavam da sua autoridade para violar sexualmente pessoas sob os seus cuidados.

O Vaticano reafirma ainda que até os adultos podem ser vítimas de padres predadores, como freiras ou seminaristas.

A lei da Igreja considerava anteriormente que apenas os adultos que “habitualmente” carecessem do uso da razão pudessem ser considerados vítimas.

A nova regra deixa claro que adultos podem ser tornar vulneráveis a abusos mesmo que ocasionalmente, conforme o contexto.

Afirma que um ser vulnerável é “qualquer pessoa em estado de enfermidade, deficiência física ou mental ou privação pessoal que, mesmo casualmente, limite a sua capacidade de entender ou querer ou resistir ao delito”.

O texto também exige que todo o pessoal da Igreja denuncie alegações de abuso do clero internamente, embora se abstenha de obrigar a denúncia à polícia. Ainda amplia a proteção aos denunciantes e reafirma a necessidade de proteger a reputação dos acusados.

As vítimas reclamam há muitos anos a postura do Vaticano, dizendo que durante décadas fechou os olhos aos bispos e superiores religiosos que encobriram casos de abuso, deslocando padres suspeitos de crime sexual para outras paróquias, em vez de os denunciar às autoridades.

A lei de 2019 tentou responder as essas reclamações, mas as vítimas culparam a Santa Sé pelo sigilo sobre as investigações.

Últimas do Mundo

A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.
O calor extremo aumentou cerca de 10 vezes na maioria das regiões da Europa central e do sul entre 2010 e 2024, em comparação com o período 1961/1990, indica um estudo divulgado hoje.
Um homem de nacionalidade sueca, procurado pela Interpol e que detinha passaporte diplomático como conselheiro especial do Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, foi detido pela Polícia Judiciária são-tomense, na ilha do Príncipe, disse hoje à Lusa fonte judiciária.
Os dois executores do testamento de Jeffrey Epstein propuseram um acordo de 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros) às vítimas do criminoso sexual norte-americano que interpuseram uma ação coletiva contra ambos, segundo uma minuta hoje publicada.
As forças policiais de 16 países africanos detiveram 651 pessoas e desmantelaram redes de cibercrime que extorquiram um total de 38 milhões de euros a centenas de vítimas, anunciou hoje a Interpol.
A polícia do Reino Unido deteve hoje Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III, por suspeita de má conduta em cargo público, noticiaram meios de comunicação social britânicos.