Farmacêutica julgada por burla qualificada e falsidade informática

© D.R.

Uma sociedade e a farmacêutica que a gere começam a ser julgadas na quarta-feira, em Leiria, pela alegada prática dos crimes de burla qualificada e falsidade informática, em coautoria, segundo o despacho de acusação consultado pela agência Lusa.

Em causa está a introdução num programa informático de duas farmácias do concelho de Porto de Mós, das quais a farmacêutica era diretora técnica, de medicamentos comparticipados que não vendeu, para obter comparticipação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), causando um prejuízo ao Estado de cerca de 100 mil euros.

De acordo com o despacho do Ministério Público (MP), “em data não concretamente apurada, mas contemporânea ou anterior a 01 de janeiro de 2012”, a arguida, “conhecedora do funcionamento do programa informático de gestão e faturação SIFARMA2000”, instalado nos estabelecimentos, “decidiu que iria introduzir também nesse programa a identificação de medicamentos comparticipados que não havia vendido como se os mesmos tivessem sido vendidos”.

O objetivo era “obter comparticipação” do SNS “daqueles medicamentos que não vendeu, tendo em vista suprir vendas suspensas e não regularizadas, cuja comparticipação a sociedade arguida não tinha direito”, adiantou a acusação.

O MP explicou que, na execução de um plano previamente gizado, a farmacêutica foi introduzindo no programa a venda de medicamentos que as farmácias não venderam, situação que terá ocorrido entre 2012 e 2016.

Ainda na sequência do plano, a arguida, através da introdução, no programa SIFARMA, de vendas de medicamentos que não correspondiam a qualquer transação, produziu documentos que titulavam, igualmente, vendas inexistentes comparticipadas pelo” SNS, referiu o MP.

Depois, a farmacêutica foi apresentando ao Centro de Conferência de Faturas aqueles documentos produzidos pelo sistema SIFARMA2000, reclamando, desta forma, o pagamento do valor da comparticipação do Estado.

Os funcionários do SNS que recebiam os documentos, “convictos de que os medicamentos haviam sido efetivamente vendidos pelas farmácias”, deram ordem para pagamento, salientou o MP.

A farmacêutica, cuja inscrição na respetiva ordem foi suspensa em setembro de 2014, segundo o MP, “atuou com o objetivo alcançado de suprir, indevidamente, vendas suspensas não regularizadas e de obter faturação suscetível de ser comparticipada pelo SNS em montante superior ao devido, introduzindo, para o efeito, no período indicado, no programa SIFARMA2000, medicamentos não vendidos pela sociedade arguida” através das duas farmácias e, “produzindo, com base e através de tal programa, documentos que titulavam, igualmente, tais vendas inexistentes e comparticipadas pelo SNS”.

A acusação sustentou que agiu, igualmente, “com o intuito de enganar os funcionários do SNS”, fazendo “crer que tinham sido prescritos e vendidos pelas farmácias (…) medicamentos com uma elevada comparticipação a cargo do Estado e, desse modo, obteve, por si e em representação a sociedade arguida, ilegitimamente, o pagamento de tais comparticipações por parte do Estado português no valor global de 101.668,01 euros”.

Por outro lado, o MP assinalou que a mulher, de 67 anos, sabia que, com a sua atuação, “violava, de forma séria e grave, os deveres deontológicos inerentes ao exercício da sua função”, pedindo que seja condenada na pena acessória de proibição do exercício de funções.

A Administração Central do Sistema de Saúde pede que as arguidas sejam condenadas, solidariamente, ao pagamento de 101.668,01 euros.

O julgamento, por um coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Leiria, está previsto iniciar às 09h30.

Últimas do País

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu no sábado 197 quilos de cocaína dissimulados no casco de um navio comercial que chegou a um porto português, através de um processo conhecido como “caixas de mar” ('Sea Chest'), foi hoje divulgado.
Jovem controlava a forma como a vítima se vestia, perseguia-a após o fim da relação e acabou por invadir a casa da menor para a violar. Foi detido pela Polícia Judiciária.
Um homem foi atraído para uma emboscada, mantido em cativeiro durante três horas e ameaçado por um grupo que exigia o pagamento de uma alegada dívida de 40 mil euros. Meses depois, os suspeitos invadiram a casa da vítima e obrigaram o casal a transferir 16 mil euros.
Mais de cem professores da zona de Lisboa foram convocados para classificar exames nacionais, mas estavam de férias ou baixa médica, revelou hoje o ministro da Educação, que insistiu na necessidade de um novo modelo de seleção.
O número de sinistros participados devido ao mau tempo que atingiu o país no início do ano ultrapassou os 219 mil, anunciou a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que estima um custo total de 1.400 milhões de euros.
O presidente do CHEGA revela que desapareceram documentos e duas 'pens' com informação relacionada com a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves e com o gabinete do primeiro-ministro. A Polícia Judiciária está a investigar.
A GNR deteve, nos primeiros quase sete meses deste ano, 155 suspeitos da prática do crime de incêndio florestal, depois de em 2025 ter registado 5.301 crimes ligados a este delito, foi revelado esta terça-feira.
O incêndio em Rochoso, Guarda, que começou às 13:51 de segunda-feira, tem três frentes ativas hoje de manhã, que estão a ser combatidas por 320 operacionais, 90 viaturas e 11 meios aéreos, disse a Proteção Civil.
Cerca de 300 pessoas tiveram de ser retiradas das suas habitações hoje de noite, em Setúbal, devido a um incêndio num estacionamento subterrâneo, onde arderam seis veículos, disse à Lusa fonte da proteção civil.
Documentos espalhados pelo chão, mobiliário remexido e evidentes sinais de intrusão. Foi este o cenário encontrado, na manhã desta terça-feira, no gabinete do presidente do CHEGA, André Ventura. O caso surge poucas horas depois de o líder do partido ter exigido, em entrevista à CMTV, um maior escrutínio sobre os casos polémicos que envolvem o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.