Improvável que BCE declare no futuro próximo que taxas máximas foram atingidas

©facebook.com/christinelagarde

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse hoje que a natureza da inflação na zona euro está a mudar e é improvável que, no futuro próximo, o banco central possa declarar que as taxas diretoras máximas foram atingidas.

Em Sintra, na abertura do Fórum do Banco Central (BCE), Christine Lagarde reafirmou que a inflação na zona euro é demasiado elevada e continuará a sê-lo durante demasiado tempo, sendo que o compromisso do banco central em atingir a meta de inflação de 2% se mantém.

“Ainda não assistimos ao impacto total dos aumentos acumulados das taxas de juro decididos desde julho passado – que ascendem a 400 pontos base. Porém, o nosso trabalho ainda não terminou”, disse.

A presidente do BCE reafirmou o sinalizado na última reunião do Conselho de Governadores deste mês: “Exceto se ocorrer uma alteração substancial das perspetivas de inflação”, o banco central continuará “a aumentar as taxas em julho”.

Christine Lagarde explicou que existem duas fontes de incerteza que afetam o “nível” e a “duração” das taxas diretoras.

Por um lado, a incerteza quanto à persistência da inflação leva a que o nível em que as taxas atingirão um máximo dependerá da situação.

“Dependerá de como a economia e várias das forças que descrevi evoluem com o tempo. Além disso, terá de ser continuamente reavaliado ao longo do tempo”, afirmou.

Assim, considera ser “improvável que, no futuro próximo, o banco central possa declarar com toda a confiança que as taxas máximas foram atingidas”.

“É por este motivo que a nossa política tem de ser decidida reunião a reunião e de permanecer dependente dos dados”, disse.

Por outro lado, existe incerteza acerca da força da transmissão da política monetária.

“O quão forte a transmissão se revelar na prática determinará o efeito de um dado aumento das taxas sobre a inflação e isso refletir-se-á na trajetória esperada da política monetária”, salientou.

Lagarde recorda que parte desta incerteza reside no facto da zona euro não ter atravessado uma fase sustentada de aumentos das taxas de juro desde meados da década de 2000 e as taxas nunca terem subido tão rapidamente.

“Precisamos que as taxas atinjam níveis ‘suficientemente restritivos’ para fixar a restritividade da nossa política monetária”, salientou, acrescentando que é necessário comunicar claramente que permanecerão “nesses níveis enquanto for necessário”.

“Tal assegurará que os aumentos das taxas não suscitam expectativas de uma inversão demasiado rápida da política monetária e permitirá a concretização do impacto total das nossas medidas anteriores”, disse.

No primeiro dia de debate do fórum anual organizado pelo banco central e que reúne banqueiros centrais, académicos, especialista da área financeira e decisores políticos, Lagarde garantiu que a intenção do discurso de hoje “não é sinalizar quaisquer decisões futuras, mas enquadrar as questões que a política monetária enfrentará no futuro próximo”.

“Alcançamos progressos significativos, mas, confrontados com um processo inflacionista mais persistente, não podemos vacilar, nem ainda declarar vitória”, vincou.

Últimas de Economia

A carga fiscal aumentou para 35,3% em 2025, face aos 35% registados no ano anterior, de acordo com a segunda notificação de 2026 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos divulgada hoje pelo INE.
A taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível no segundo trimestre de 2026, face a 12,4% no trimestre anterior, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os preços aumentaram 16,5% no segundo trimestre, enquanto o número de negócios caiu 6,4%. Endividamento dos particulares regista o maior crescimento anual desde 2008.
A economia da zona euro deverá crescer 1% em 2026 e em 2027, segundo as previsões da OCDE, que está mais otimista para este ano mas mais pessimista em relação ao desempenho da economia no próximo.
O Presidente do CHEGA alerta para o peso dos combustíveis no setor agrícola e acusa PS e PSD de incoerência na discussão sobre a redução dos impostos.
O preço dos combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia (UE) aumentou, em agosto, 23,8% na comparação homóloga, após as subidas de 13,7% em junho e de 16,9% em julho, segundo o Eurostat.
A economia portuguesa cresce e emprega mais, mas continua a falhar onde mais conta para criar riqueza: no valor produzido por cada hora de trabalho. Em 2025, a produtividade portuguesa ficou em apenas 66,9% da média da União Europeia, abaixo do nível registado no início do século. A Business Roundtable Portugal alerta ainda para salários comprimidos, falta de investimento e dificuldades em reter trabalhadores qualificados.
As empresas comunicaram 407 despedimentos coletivos até agosto, o que representa um aumento de 13,4% face ao período homólogo, mantendo-se no valor mais elevado desde 2020, segundo os dados mais recentes divulgados pela DGERT.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que pretende reforçar a proteção das famílias com crédito à habitação própria e permanente quando a prestação passa a representar uma parte muito elevada do rendimento mensal.
O líder do CHEGA, André Ventura, acusou este domingo o primeiro-ministro e o Governo de irresponsabilidade política e hipocrisia sobre o tema do IVA dos combustíveis, e pediu também ao PS que ponham a mão na consciência.