Agricultores querem problemas do setor debatidos no parlamento e Conselho de Estado

© D.R.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) apela aos grupos parlamentares e Presidência da República para que a agricultura e o mundo rural não sejam esquecidos no debate do Estado da Nação e no Conselho de Estado de sexta-feira.

Num comunicado divulgado hoje, a CNA sustenta que ignorar a discussão destas temáticas – nomeadamente o combate à escassez de água, que “deve ser um desígnio nacional” – é “ignorar 90% do território nacional”.

Para a confederação, não existe atualmente “qualquer estratégia para garantir uma solução estrutural” para a escassez de água, mas “apenas medidas paliativas, de curto prazo”, impondo-se “uma política consistente e previsível que permita mitigar os efeitos decorrentes da seca, por forma a que o setor agrícola não fique comprometido para o futuro”.

“A CAP havia proposto que o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] fosse utilizado para este fim. A não ser, importa encontrar o(s) financiamento(s) adequado(s) para financiar esta estratégia de combate à escassez de água, imprescindível e já tardia, e fazer face às alterações climáticas em curso”, sustenta.

Para além deste tema, a confederação aponta cinco outras questões como tendo de estar em cima da mesa do debate no parlamento e no órgão consultivo do Presidente da República.

A primeira delas é o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que estabelece os apoios para a agricultura portuguesa no período 2023-27 e que a CAP considera ser “fundamental que o Governo altere”, face à “má aceitação” que está a ter junto dos agricultores portugueses.

“É fundamental […] que o mesmo possa ser redesenhado ainda no decurso do presente ano, ouvindo o setor, para libertar o seu potencial para gerar investimento na agricultura e induzir a sua modernização”, sustenta, considerando que, “tal como está, o PEPAC não é um instrumento de desenvolvimento da agricultura portuguesa”.

O segundo tema central é a campanha do Pedido Único 2023 (PU) – ainda a decorrer e que corresponde à operacionalização do primeiro ano do PEPAC -, que a CAP considera que “dificilmente podia ter corrido pior”, fruto de “um programa desajustado” e de “uma legislação muito complexa, tecnicamente deficiente e tardiamente produzida”.

Não sendo ainda possível realizar um balanço final da campanha do PU em curso, a confederação considera ser “imprescindível fazê-lo logo que possível” e garantir que “os sucessivos adiamentos quanto aos prazos das candidaturas não ponham em causa o recebimento atempado e majorado das ajudas devidas em outubro, tal com acontece com os agricultores espanhóis e franceses”.

“O Governo deve assumir esse compromisso perante os deputados no Debate do Estado da Nação!”, enfatiza.

Ainda reclamado pela CAP é que o debate do Estado da Nação aborde “a desarticulação que se vive no Ministério” da Agricultura, que “nunca foi tão visível e palpável” e que “está a ser verdadeiramente penalizadora para todo o mundo rural, que vive momentos de enorme incerteza e imprevisibilidade”.

“A passagem da ‘floresta’ para o Ministério do Ambiente – que ignora a vertente económica e produtiva deste setor – e a integração das direções regionais de agricultura nas Comissões de Coordenação apenas contribuem para agravar a situação”, concretiza.

Finalmente, a confederação quer ver na agenda da discussão os planos de Desenvolvimento Rural (PDR2020) e de Recuperação e Resiliência (PRR).

Relativamente ao PDR2020, alerta para a necessidade de assegurar a sua execução financeira, concretizando que os dados de maio apontam para 1.114 milhões de euros por executar, sendo que “2023 já é o primeiro dos três anos de prolongamento que devem servir para fechar o programa e não para garantir a execução de 19% do mesmo”.

No que se refere ao PRR, a CAP reclama uma realocação de verbas “que permitam uma maior resiliência do setor agrícola”, considerando que o plano “ignorou completamente a visão estratégica e o pensamento que esteve na sua génese, quando reconhecia a agricultura como um setor essencial na recuperação de Portugal”.

Segundo sustenta, a “fatia residual” que o programa consagrou especificamente ao setor “reflete, mesmo assim, a opção programática de transformar o PRR num mecanismo de ampliação das disponibilidades financeiras do Estado”, com quase 40% da Agenda Terra Futura destinada à renovação de infraestruturas do próprio ministério.

Últimas do País

Os sete detidos em Lousada na operação da GNR que culminou com o encerramento de nove residências que funcionavam como lares ilegais, estão indiciados por associação criminosa, por 178 crimes de maus-tratos e alguns por homicídio.
A Autoestrada 6 (A6) está cortada ao trânsito em ambos os sentido entre os quilómetros 17 e 18, junto a Vendas Novas, no distrito de Évora, devido a um incêndio em pasto, revelou fonte da Proteção Civil.
Um homem de 37 anos foi detido pela GNR por suspeitas de violência doméstica, no concelho de Sines, distrito de Setúbal, contra a sua companheira, de 27 anos, divulgou hoje aquela força de segurança.
André Ventura afirmou hoje que o CHEGA “não se vende, nem verga” e justificou o voto contra a revisão da lei laboral dizendo que quem não aceita descer a idade da reforma não conta com o partido.
O partido de André Ventura votou contra a proposta do Executivo após falharem as negociações com o PSD. Reforma laboral caiu na generalidade.
António tem 32 anos, três filhos para criar e uma embarcação para sustentar. Filho e neto de pescadores, diz que os prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) são impossíveis de cumprir devido à falta de mão de obra e de matéria-prima.
Doze homens e duas mulheres foram detidas pela GNR, na quinta-feira, pela prática dos crimes de tráfico de estupefacientes, associação criminosa e posse de arma proibida nos concelho de Ferreira do Alentejo e Aljustrel, distrito de Beja.
Sete distritos de Portugal continental vão estar no sábado e no domingo sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Guarda Nacional Republicana (GNR) apreendeu mais de 13 mil produtos contrafeitos entre 01 de maio e 05 de junho em Portugal, na denominada operação 'Trademark 2026', tendo sido constituídos 24 arguidos.
Vinte e três concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).