Portugal em destaque no primeiro encontro entre o Papa e os jovens

©Facebook\JMJ

Portugal esteve hoje em destaque na cerimónia de Acolhimento, o primeiro momento de encontro entre o Papa Francisco e os jovens que participam, em Lisboa, na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), com fado, cante alentejano e tapetes de flores.

Com o líder da Igreja Católica no palco, no topo da ‘Colina do Encontro’, no Parque Eduardo VII, jovens transportaram os símbolos da JMJ – a Cruz Peregrina, com 3,8 metros de altura, e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani – até ao palco principal, por um corredor decorado com tapetes de flores e de sal, criados durante a madrugada por 130 pessoas dos municípios do Sardoal, Vila do Conde, Viana do Castelo e Viseu.

O trajeto dos símbolos foi acompanhado por música portuguesa: Mariza interpretou o fado “Foi Deus”, celebrizado por Amália Rodrigues; Buba Espinho e o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, com o tema “Nossa Senhora do Carmo”, música tradicional do cancioneiro alentejano, enquanto o músico Tiago Bettencourt cantou o tema “Viagem”, acompanhado de grupos de bombos do município do Fundão.

Antes, jovens leram excertos de cartas, simbolizando as cerca de 2.000 que o Papa recebe diariamente, dando conta das suas preocupações sobre problemas económicos e políticos, de más condições de habitação ou de falta de saúde e das suas dificuldades com a fé, e também a agradecer a Francisco o “especial carinho” pelos jovens.

“Na minha paróquia, parece que não há espaço para errar. Assusta-me. Não há espaço para mim. Assusta-me”, disse uma jovem portuguesa.

“Vivo num país com muita corrupção”, “estou a escrever sem eletricidade por causa do racionamento”, “como posso ajudar as pessoas que se afastam da fé?”, “obrigada por tudo o que fizeste pela minha família e amigos”, “sinto que me podes descansar o coração nos momentos de maior dúvida”, “o medo paralisou-me, tomei más decisões, já não encontro sentido na vida”, foram algumas das mensagens, ditas em várias línguas.

Seguiu-se um momento típico de todas as jornadas – o desfile das bandeiras, representando os mais de 180 países presentes nesta Jornada Mundial da Juventude, ao som da música “Um Dia de Sol”, um original de Héber Marques, cristão evangélico.

A cerimónia prosseguiu com a leitura do Evangelho, com interpretação em língua gestual, que incitou os peregrinos a partirem em missão, orientando-os para a simplicidade e humildade.

O Papa discursou, depois, advertindo contra as “ilusões do virtual” e insistindo na mensagem de que a Igreja acolhe todos.

“Repitam comigo: todos, todos, todos”, apelou aos peregrinos, que respondiam com entusiasmo e aplausos. Mais à frente voltou a pedir aos jovens que gritassem: “Deus ama-nos”. “Mais forte, que não se ouve”, instou, a terminar o discurso.

Momentos antes do fim da cerimónia, o elenco – composto por 50 jovens de 21 nacionalidades, reunidos no Ensemble23 – construiu um anagrama inspirado em excertos do Evangelho.

No palco, entraram, em primeiro lugar, duas grandes letras carregadas por elementos do elenco, formando a palavra “Go” (‘vai’), seguindo-se outras mensagens: “I am sending you” (‘Eu estou a enviar-te’) e “ The kingdom of God has come near to you” (‘O Reino de Deus aproximou-se de ti’), um momento ao som da música “The Kingdom of God”, de Lee Hooldridge.

O Papa saiu do palco, de cadeira de rodas, uma hora e vinte minutos depois de chegar, acenando aos peregrinos, ao som do hino da JMJ, interpretado nas cinco línguas oficiais do evento.

À cerimónia assistiram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, o primeiro-ministro, António Costa, e o antigo chefe de Estado Ramalho Eanes, entre outras individualidades.

A Santa Sé divulgou que, segundo as autoridades portuguesas, o Acolhimento contou com a presença de meio milhão de pessoas.

Lisboa acolhe hoje o terceiro dia da JMJ, considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, com a presença do Papa Francisco, na qual são esperadas cerca de um milhão de pessoas, até domingo.

Últimas do País

A PSP vai remeter para o Ministério Público o caso de um espaço utilizado para alojamento de trabalhadores em Belas, no concelho de Sintra, sem licença e sem condições de habitabilidade, segundo informação divulgada hoje.
Uma denúncia anónima recebida esta terça-feira pelo Folha Nacional alerta para a existência de trabalhadores da Menzies sem formação adequada e garante que os partidos políticos já foram informados da situação. O alerta surge no mesmo dia em que uma falha operacional obrigou ao encerramento parcial do Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa e à repetição dos controlos de segurança de dezenas de passageiros.
O Conselho Económico e Social defende que devem ser acautelados aumentos de renda e não renovações que coloquem idosos ou pessoas vulneráveis em risco de perda da habitação e exige divulgação de lista de imóveis públicos urbanos devolutos e abandonados.
O jovem de 20 anos detido na segunda-feira pela PJ da Guarda pela presumível autoria de um crime de homicídio qualificado na forma tentada contra o pai ficou em prisão preventiva em ala psiquiátrica, disse fonte judiciária.
Quase uma centena de crianças foi internada por queimaduras no Hospital D. Estefânia este ano, com um aumento de 35% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Unidade de Queimados.
Um incêndio rural que começou na noite de segunda-feira está a ser combatido, às 10:00 de hoje, por 191 operacionais, apoiados por 55 veículos e três meios aéreos na localidade de Maceira, no concelho de Fornos de Algodres, distrito da Guarda.
Dizem protestar contra o elevado preço da habitação, mas a celebração no Rossio teve direito a camarão, espumante e karaoke. O clima de festa dos manifestantes oferece um contraste curioso com o ambiente de contestação pelos elevados preços da habitação que se deveria viver na praça.
A Livraria Lello apresentou uma proposta que permite à comunidade muçulmana continuar a utilizar o imóvel durante mais de um ano sem qualquer encargo com rendas. O edifício apresenta irregularidades urbanísticas que a Câmara do Porto exige que sejam resolvidas.
Dois homens, de 27 e 42 anos, ficaram em prisão preventiva após detidos, na sexta-feira, junto ao Polo Universitário do Porto numa operação de desmantelamento de uma "relevante rede" de tráfico de droga, informou hoje a PSP.
Três homens e uma mulher foram detidos na segunda-feira, no distrito de Vila Real, pela suspeita do crime de incêndio florestal devido a queimas autorizadas que se terão descontrolado, disse hoje fonte da GNR.