Ordem dos Médicos preocupada com impacto do ataque informático na Madeira

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A Ordem dos Médicos da Madeira manifestou hoje preocupação com o impacto do ataque informático ao Serviço Regional de Saúde (Sesaram), no domingo, na atividade clínica prestada aos utentes, indicando que tem recebido declarações de escusa de responsabilidade.

Em comunicado, o Conselho Médico da Ordem dos Médicos da Madeira especificou que “tem recebido declarações de escusa de responsabilidade por parte de médicos do Sesaram, pelos acidentes ou incidentes que possam verificar-se em resultado de falha de meios informáticos de registo médico”.

“Esta atitude manifesta a preocupação que decorre da impossibilidade de consultar os registos médicos anteriores e em registar os dados da consulta, tais como exames complementares de diagnóstico e ajustes terapêuticos, o que poderá condicionar negativamente os cuidados de saúde prestados e afetar o cumprimento das ‘leges artis'”, adverte a Ordem.

Os profissionais do Sesaram não conseguem aceder à plataforma informática ATRIUM, na qual são efetuados os registos administrativos e clínicos dos utentes nas diferentes áreas de atuação – consulta, internamento, bloco, serviço de urgência, entre outros -, recorda aquela entidade na nota.

O Conselho Médico reforça, assim, “a necessidade de os utentes, quando recorrerem aos centros de saúde e/ou hospitais do Sesaram, terem na sua posse a informação clínica pertinente, tal como o registo de alergias medicamentosas, de medicação habitual, de boletim clínico (o de saúde infantojuvenil, o de saúde da grávida e o do doente hipocoagulado), relatórios médicos, análises clínicas, exames de imagem e de nota de alta recente, se for o caso”.

A Ordem dos Médicos assegura ainda que, apesar das preocupações com as limitações impostas pelo ataque informático, os profissionais estarão “atentos permanentemente à evolução da situação” e “os utentes estão e estarão sempre no primeiro plano de atuação dos médicos”.

“Sendo que as decisões individualizadas, para cada utente, serão tomadas a cada momento de acordo com as melhores práticas clínicas e de forma a minimizar esta situação vivida”, acrescenta.

Na terça-feira, o Sesaram informou que o serviço estava a funcionar, embora mantendo ainda “limitações na realização de algumas consultas, na realização de exames e análises clínicas não urgentes”.

Na segunda-feira, o Serviço de Cibersegurança do Governo Regional adiantou que o tempo de recuperação do ciberataque ao Sesaram, sinalizado às 08h11 de domingo e que provocou uma “disfunção na rede informática”, será prolongado e apelou aos utentes para tomarem cuidados redobrados no acesso à informação.

“Não conseguimos, nesta fase, dar um prazo expectável, mas não é algo que se resolva num dia”, disse Nuno Perry, do Serviço de Cibersegurança do executivo madeirense.

O responsável referiu que “não foi pedido nenhum resgate”, embora haja uma reivindicação da autoria do ataque.

“Cabe agora aos órgãos de investigação criminal aferir da veracidade dessa alegação, porque muitas vezes temos situações que não são claras nesse domínio”, afirmou Nuno Perry.

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