Líder do BCE alerta que combate à inflação ainda não está ganho

©facebook.com/christinelagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, lembrou que o “combate contra a inflação ainda não está ganho”, embora considere que a política restritiva esteja a fazer progressos.

Lagarde terminou o dia de debate na reunião de responsáveis de vários bancos centrais em Jackson Hole, nos Estados Unidos da América, com um discurso onde recordou o desejo da sua instituição de continuar a sua política restritiva.

No atual contexto, para o BCE isto significa fixar as taxas de juro em níveis suficientemente restritivos “durante o tempo que for necessário” para alcançar um regresso atempado da inflação ao objetivo de médio prazo de 2%, sublinhou.

A francesa apontou a possibilidade de se estar a entrar numa era de mudanças nas relações económicas, o que para os gestores monetários com mandato de estabilidade representa um desafio significativo.

Por isso, e dado que as políticas do banco central funcionam com desfasamento, não se pode esperar que os parâmetros do novo ambiente se tornem totalmente claros antes de agir, embora os efeitos das decisões tomadas só sejam verdadeiramente compreendidos após a sua implementação, lembrou.

Para Lagarde, é importante ter clareza para estabelecer o papel adequado da política monetária, assumindo que a estabilidade de preços é um pilar fundamental de um ambiente favorável ao investimento, para que “a política monetária não se torne ela própria numa fonte de incerteza”.

“Isto será crucial para manter as expectativas de inflação firmemente ancoradas mesmo quando há desvios temporários da nossa meta, como pode ser o caso numa economia mais propensa a choques”, defendeu a presidente do BCE.

“Não existe um manual pré-existente para a situação que enfrentamos hoje, por isso a nossa tarefa é criar um novo”, sublinhou Lagarde.

A líder do BCE apontou ainda que a formulação de políticas numa era de mudança e perturbação exige uma mente aberta e uma vontade de ajustar os quadros analíticos em tempo real aos novos desenvolvimentos, enquanto os bancos centrais fornecem uma âncora para a tomada de decisões na economia e garantem a estabilidade de preços de acordo com os seus respetivos mandatos.

“E olhando para o futuro, devemos continuar a ser claros nos nossos objetivos, flexíveis nas nossas análises e humildes na forma como comunicamos”, concluiu.

As Euribor começaram a subir mais significativamente a partir de 04 de fevereiro de 2022, depois de o BCE ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 14 de setembro.

Últimas de Economia

O aumento do custo de vida está a ter impacto no dia a dia dos portugueses, com 53% dos consumidores a apontar uma diminuição do seu poder de compra, nos últimos 12 meses, de acordo com um estudo.
Trabalhadores e pensionistas vão receber mais dinheiro em novembro graças à redução de 50% na retenção de IRS. Contudo, o alívio imediato poderá traduzir-se em reembolsos inferiores ou em imposto adicional a pagar no próximo ano, quando forem acertadas as contas com o Fisco.
A Lufthansa apresentou uma proposta de 1201 milhões de euros por 49,9% da TAP, ultrapassando a oferta da Air France-KLM. O CHEGA responsabiliza os governos de Costa e Montenegro pela condução do processo e exige garantias para os trabalhadores e as Regiões Autónomas.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste voltou a subir 70 cêntimos, fixando-se nos 256,26 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor. O aumento é o segundo consecutivo, com o cabaz a atingir o valor mais alto desde o início do ano.
O CHEGA Açores apresentou dois requerimentos ao Governo Regional, um para exigir medidas de combate ao aumento do custo de vida e outro para esclarecer os resultados do projeto-piloto da semana de quatro dias na Administração Pública Regional.
O preço eficiente dos combustíveis sobe esta semana para 2,167 euros na gasolina 95 simples e para 2,211 euros no gasóleo simples, adiantou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
A inflação acelerou para 3,6% em setembro, em termos homólogos, o que compara com uma taxa de 3,3% no mês anterior, segundo os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que confirmam a estimativa rápida.
O cenário económico apresentado pelo Governo para 2027 enfrenta previsões menos favoráveis do Fundo Monetário Internacional. A instituição antecipa um crescimento de apenas 1,9% e uma inflação de 3%, contrariando as estimativas inscritas no Orçamento do Estado e levantando novas questões sobre a evolução do poder de compra dos portugueses.
A despesa pública com deslocações e estadias deverá atingir os 133,8 milhões de euros no próximo ano. Numa altura em que o Orçamento do Estado volta a colocar as contas públicas no centro do debate, os ministérios da Educação, Defesa e Negócios Estrangeiros concentram as maiores verbas destinadas a viagens e alojamento.
O Estado reforçou a sua participação na REN com a aquisição de mais 5,3% do capital à Fidelidade. A operação eleva a posição estatal para cerca de 19%, num investimento global que poderá atingir os 537 milhões de euros, segundo cálculos do jornal ECO.