Greve distrital dos farmacêuticos do SNS com adesão de 87%, diz SNF

© D.R.

A adesão à greve distrital dos farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde está nos 87%, segundo dados divulgados hoje à Lusa pelo Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF).

Para o presidente do SNF, Henrique Reguengo, o nível de adesão é “muito bom”, tendo em conta que é tempo de férias, o que altera muitas vezes as percentagens, sobretudo em “classes profissionais que são pequenas” no Serviço Nacional de Saúde, que tem cerca de 1.100 farmacêuticos.

A greve de hoje decorre nos distritos de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal e nos Açores e na Madeira, para reivindicar a atualização das grelhas salariais, a contagem integral do tempo de serviço no SNS para a promoção e progressão na carreira, a adequação do número de farmacêuticos às necessidades do serviço público e o reconhecimento por parte do Ministério da Saúde do título de especialista.

Sobre os serviços afetados pela paralisação, Henrique Reguengo adiantou que os farmacêuticos estão em três especialidades: farmácia hospitalar, análises clínicas e genética humana, que afetam todos os serviços clínicos.

“Quando este sistema para ou pelo menos é afetado na sua eficácia, toda a instituição se ressente, é inevitável”, afirmou, comentando que o problema é que são “muito poucos” e trabalham “na sombra”.

“Eu costumo dizer que realmente as pessoas podem ir ao hospital, serem tratadas, serem internadas, fazerem os exames, terem em toda a medicação que necessitam e saem de lá sem nunca se terem apercebido que por trás disso tudo estiveram os farmacêuticos”, o que junto com o diminuto número que são no SNS torna “uma tarefa difícil” fazer ouvir a sua voz junto do poder político.

Henrique Reguengo apontou como “problema grave” haver farmacêuticos há 25, 30 anos no Serviço Nacional de Saúde e que estão na base da carreira: “Pessoas que entrem agora para o sistema estão a ganhar o mesmo (…). Ora, isto é impensável e não acontece com as outras classes profissionais”.

Segundo o sindicalista, a situação está “bem identificada” e é “bem possível” de corrigir, mas para isso “é preciso haver vontade política, que não há”.

“A agravar este problema ainda temos uma tabela remuneratória que, ao contrário do que aconteceu com todos os outros profissionais de saúde, não é revista desde 1999 e, portanto, não tem qualquer relação com aquilo que são as responsabilidades e a diferenciação da atividade farmacêutica no Serviço Nacional de Saúde”, disse, sublinhando que a classe sofreu “uma desvalorização enorme durante estes 24 anos”.

Portanto, sustentou, “parece que o poder político em Portugal relativamente à área farmacêutica tem uma cegueira esquisita”, não manifestando intenção de iniciar um processo negocial.

Henrique Reguengo adiantou que todos estes problemas têm levado à saída destes profissionais do SNS: “Os novos não vêm e os que cá estão, estão a sair”.

“Nos últimos meses, têm demandado do Serviço Nacional de Saúde uma série de farmacêuticos experientes, que é outro problema”, disse, acrescentando: “os profissionais com experiência e com sabedoria que podem ensinar as novas gerações são esses que estão a sair porque acabam por se fartar”.

Convocado pelo SNF, o protesto dos farmacêuticos arrancou em 24 de julho com uma greve nacional e inclui mais uma paralisação em 12 de setembro por distritos, que culminarão com uma nova greve em todo o país no próximo dia 19.

Últimas do País

Um sinal de seis mil euros bastou para abrir as portas de uma moradia de 530 mil euros. Sensibilizado por uma alegada situação familiar dramática, o proprietário entregou as chaves antes da escritura. Um ano depois, continua sem receber o restante dinheiro e luta em tribunal para recuperar a casa.
Ministro da Administração Interna garantiu que a obra incluía apenas um “tanque”, mas as imagens divulgadas pela CNN Portugal mostram uma piscina na propriedade de Luís Neves. A Câmara de Odemira garante não ter recebido qualquer pedido de licenciamento para a intervenção.
Líder do CHEGA acusa o ministro da Administração Interna de ameaçar o maior partido da oposição, jornalistas e a democracia. André Ventura critica ainda o silêncio da RTP e exige esclarecimentos antes do Debate sobre o Estado da Nação.
A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) avançou hoje não existirem, até ao momento, conclusões oficiais da investigação ao acidente ocorrido no terminal rodoviário de Agualva-Cacém, há uma semana, que provocou dois mortos e 20 feridos.
Mais de 120 mil veículos estarão a circular em Portugal sem o seguro de responsabilidade civil obrigatório. O regulador do setor alerta para "um risco significativo", não sendo casos residuais.
O condutor suspeito de atropelar mortalmente o militar da GNR Jorge Monteiro, na noite de sexta-feira, no IC2, em Alcobaça, ficou em liberdade após ser presente a primeiro interrogatório judicial.
Uma mulher de 53 anos foi detida por suspeita de atear um foco de incêndio em área florestal no concelho de Viseu, informou hoje a Guarda Nacional Republicana (GNR).
A Fénix - Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil exigiu hoje "esclarecimento imediato sobre falhas operacionais do INEM", alertando para "a degradação" do socorro em Portugal, após a morte de um homem, na vila das Taipas.
A Comissão de Combate à Fraude está a investigar uma atualização remuneratória aprovada no Serviço de Utilização Comum dos Hospitais que alegadamente favoreceu os próprios dirigentes e levanta suspeitas de conflito de interesses.
Três homens são acusados de montar um esquema para enganar condutores e cobrar coimas inventadas com recurso a falsos crachás e um terminal de pagamento.