12 Junho, 2024

Turismo acima da média, mas níveis de desemprego e pobreza são elevados na Madeira

A Madeira registou, em 2022, indicadores muito positivos na área do turismo, mas manteve elevados níveis de desemprego e de pobreza, além da tendência de envelhecimento acentuado da sua população, segundo dados oficiais recolhidos pela Pordata.

© D.R.

No âmbito das eleições que se realizam no próximo domingo para a Assembleia Legislativa madeirense, a Pordata, base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentou hoje um retrato demográfico, político e económico da Região Autónoma da Madeira (RAM), a partir de dados de entidades oficiais, com destaque para o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O arquipélago é governado pelo PPD/PSD desde 1976, partido que, pela primeira vez desde que há eleições livres, não obteve em 2019 a maioria absoluta nas legislativas regionais.

Dos 47 mandatos possíveis, o PPD/PSD obteve 21 e governa em coligação com o CDS-PP (três deputados), tendo o PS conseguido 19, o JPP três, e o PCP-PEV um.

Nestas últimas eleições, o PSD obteve 40,3% dos votos, com mais 5.241 votos do que o PS (36,6%), tendo obtido maioria na Calheta, São Vicente e Ponta do Sol.

O PS foi o partido mais votado em Porto Santo, Machico, Funchal e Santa Cruz.

A taxa de abstenção foi de 44,5%, a segunda maior de sempre (a maior tinha sido de 50,3% nas eleições de 2015, quando Alberto João Jardim deixou a liderança do PSD na região).

Segundo a Pordata, a riqueza ‘per capita’ produzida na RAM foi, em 2021 (últimos dados disponíveis), inferior à média nacional em 5,6% e à média da União Europeia em 30,5%, apesar de ser a quarta região do país com maior PIB ‘per capita’, a seguir à Área Metropolitana de Lisboa, Algarve e Alentejo.

No entanto, ao contrário do que acontece a nível nacional, “o saldo da balança de bens das empresas da RAM é positivo, ou seja, as empresas da região exportam mais do que importam”, um resultado sustentado pelos municípios do Funchal e de Porto Moniz.

A construção representava 14,7% do valor gerado pelas empresas na RAM (8% a nível nacional) em 2022 e o alojamento e a restauração representavam 13,4%, “mais 9,3 pontos percentuais do que a média nacional”.

Em 2022, a Madeira registou 8,4 milhões de dormidas de turistas, o valor mais elevado de sempre e um crescimento de 12,4% face a 2019, correspondente a 33 dormidas de turistas por habitante (a média nacional é de sete dormidas por residente).

Nesse ano, o arquipélago tinha 390 alojamentos turísticos, que representavam 5,5% do total de alojamentos turísticos a nível nacional.

No ano passado, a inflação na região autónoma foi de 6,9%, ligeiramente inferior à média nacional (7,8%). Foi mais baixa em bens como habitação, água, eletricidade e gás (na Madeira a inflação destes bens foi de 4,6% enquanto a nível nacional foi de 12,8%), mas elevada em restaurantes e hotéis (chegou aos 15,1% quando a nível nacional foi de 11,7%).

Na RAM vivem 253 mil pessoas, das quais 53% são mulheres e 47% são homens.

A proporção de jovens e crianças com menos de 15 anos é inferior à média nacional e decresceu 27% numa década, enquanto a população idosa aumentou e já todos os concelhos da região tinham mais idosos do que jovens.

Um em cada quatro madeirenses vivia em risco de pobreza (com menos de 551 euros mensais) e cerca de 6.500 pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção (2,9% da população residente, em linha com os valores nacionais), das quais 53% eram mulheres, 35% tinham menos de 25 anos e 27% tinham 55 ou mais anos.

A taxa de desemprego madeirense era superior à média nacional (em 2022 eram 9.200 as pessoas desempregadas, representando uma taxa de 7%, acima dos 6% da taxa nacional), embora esta tenha sido a taxa de desemprego mais baixa desde 2011.

A taxa de analfabetismo na região, de 4,5%, é a segunda maior do país (a primeira, de 5%, pertence ao Alentejo, em comparação com a média nacional, de 3,1%) e a taxa de abandono escolar (10,6%) é também superior à média nacional (5,9%).

Os níveis de escolaridade são mais baixos do que a média nacional: 17,5% têm o ensino superior (24,5% na totalidade do território) e 21,7% da população tem, no máximo, quatro anos de escolaridade (versus 19% a nível nacional).

Apesar de mais velha, a população madeirense está a crescer ligeiramente desde 2020, devido ao aumento de imigrantes (provenientes sobretudo da Venezuela, do Reino Unido, do Brasil e da Alemanha): 4,7% da população residente na RAM é estrangeira, com destaque para os municípios da Calheta e de Porto Santo, onde mais de 8% dos residentes são estrangeiros.

Às legislativas da Madeira concorrem 13 candidaturas, que vão disputar os 47 lugares no parlamento regional, num círculo eleitoral único.

PTP, JPP, BE, PS, CHEGA, RIR, MPT, ADN, PSD/CDS-PP (coligação Somos Madeira), PAN, Livre, CDU (PCP/PEV) e IL são as forças políticas que se apresentam a votos.

Agência Lusa

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