CAP pede ao parlamento que trave “gula fiscal” no imposto sobre o álcool

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) apelou hoje para que o parlamento impeça a tributação "excessiva e desproporcional" no Orçamento do Estado para 2024 dos vinhos licorosos e dos vinhos vendidos na restauração, acusando o Governo de "gula fiscal".

© D.R.

“O aumento proposto de 10% no Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas (IABA), que se insere no Imposto Especial sobre o Consumo (IEC), é uma manifestação evidente da gula fiscal do Governo” e “três vezes superior ao valor previsto para a inflação”, sustenta a CAP em comunicado.

Apelando para que os deputados “travem este apetite por mais receita”, a confederação defende que, “se o Governo precisa efetivamente de mais dinheiro para financiar o Orçamento de Estado”, o procure “noutra fonte que não penalize os vinhos licorosos portugueses, como é caso do Vinho do Porto”.

“O mercado de vinhos licorosos portugueses precisa de apoio, não de penalizações”, sustenta, lembrando que estas bebidas são “produtos de excelência, distintivos e únicos no mundo”, e “têm origem em uvas nacionais, algumas com reduzidíssimas produções, de castas que apenas ainda sobrevivem porque se destinam a servir de base a estes produtos”.

Adicionalmente, refere, as bebidas cuja tributação o Governo pretende “agravar brutalmente” provêm de localizações que são paisagens protegidas ou classificadas, como o Douro vinhateiro ou a paisagem de vinha na ilha do Pico, que são Património da Humanidade.

Por outro lado, a CAP nota que na origem destas bebidas estão “produtores que contribuem para a povoação e coesão social de territórios de baixa densidade ou insulares, fomentando o turismo, animando economias e empregos locais e contribuindo para evitar a desertificação e o abandono do território”.

“A tributação proposta pelo Governo ameaça a sobrevivência destes produtos e dos territórios onde são produzidos”, alerta.

Segundo a CAP, também a manutenção da taxa de IVA aplicada ao vinho vendido na restauração nos 23% está a retirar competitividade ao setor vitivinícola português, devendo esta taxa ser harmonizada para 13%, de forma a contribuir para um aumento do consumo e do conhecimento do vinho nacional por parte dos turistas.

“A nossa produção vinícola deveria orgulhar-nos e deveria ser encarada como um ativo estratégico da nossa economia. Infelizmente, é apenas visto como alimento para saciar o apetite fiscal do Estado”, lamenta a confederação.

Neste contexto, a CAP apela para que o parlamento contribua para “inverter o sentido da proposta do Governo, que caminha em total contraciclo com o que deveria ser a defesa e a promoção da competitividade e visibilidade do setor, até porque apenas um setor vinícola forte é garantia de contributo para o desenvolvimento económico-social das zonas rurais”.

O IABA vai ter um aumento a rondar os 10% no próximo ano, segundo os cálculos da consultora EY com base na proposta do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024).

No caso das bebidas espirituosas o aumento do imposto será de 9,96%, enquanto nas cervejas rondará os 10% (com ligeiras variações percentuais tendo em conta os vários graus de Plato).

Também nas bebidas açucaradas o aumento da taxa do imposto previsto no OE2024 ascenderá aos 10%.

Esta subida supera as observadas nos últimos anos e contrasta com a ‘cristalização’ observada no período da pandemia.

No início deste mês, a Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE) pediu ao Governo para não aumentar o imposto sobre o álcool, de modo a garantir a sustentabilidade do setor.

A proposta de OE2024 vai ser debatida e votada na generalidade nos dias 30 e 31 de outubro. A votação final global está agendada para 29 de novembro.

Últimas de Economia

O consumo de eletricidade registou novos máximos na semana passada, em meses de verão, na sequência da onda de calor que se tem feito sentir em Portugal, de acordo com dados hoje divulgados pela REN.
A remuneração dos novos depósitos a prazo aumentou em maio pelo quarto mês consecutivo, para 1,48%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do verificado no mês homólogo, divulgou hoje o Banco de Portugal.
O azeite virgem extra ficou mais caro 0,25 euros por litro para o consumidor entre janeiro e abril, face ao aumento de 0,10 euros na fase de produção, segundo os últimos dados disponíveis no Observatório dos Preços.
O consumo de eletricidade em Portugal atingiu os 27.200 gigawatts hora (GWh) no primeiro semestre, um valor 3,5% acima do período homólogo, o "mais elevado de sempre" registado no sistema nacional, de acordo com dados da REN.
O Governo vai alargar a atribuição automática do abono de família aos estrangeiros, no âmbito da revisão do regime desta prestação social, anunciou esta quarta-feira a secretária de Estado da Segurança Social.
Portugal foi o Estado-membro da União Europeia (UE) em que o preço das casas mais aumentou na variação homóloga (17,8%) e o segundo em cadeia (3,8%), no primeiro trimestre, divulga hoje o Eurostat.
O CHEGA apresenta hoje um projeto de resolução que recomenda ao Governo um conjunto de medidas fiscais destinadas a aliviar o custo de vida das famílias portuguesas, propondo a redução do IVA sobre os combustíveis e a aplicação de IVA zero a um conjunto de bens alimentares essenciais.
O Tribunal de Contas (TdC) disse hoje que uma auditoria à Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) verificou que “não foram corrigidas as deficiências no financiamento da atividade reguladora da aviação civil”, como recomendado pela entidade.
Mário Centeno e Santos Pereira só serão ouvidos a 9 de julho, na sequência de um requerimento apresentado pelo CHEGA, para esclarecerem a compra do novo edifício do Banco de Portugal.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou 1.656 milhões de euros em maio, para 288.659 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).