Governo/crise: Confiança dos agentes económicos será seriamente afetada

O bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, alertou hoje que a atual crise política irá ter um grande impacto na confiança dos agentes económicos e poderá ter consequências dramáticas sobre a imagem externa do país.

© Facebook da Ordem dos Economistas

Em declarações à Lusa, António Mendonça considera que as consequências da atual crise política “não poderão deixar de ser enormes e a todo os níveis”.

“Como costumamos dizer em economia, as externalidades negativas são enormes e terão efeitos diretos, indiretos e outros”, disse.

O bastonário dos economistas considera que as consequências económicas do atual contexto serão “importantes, particularmente num contexto de desaceleração económica e de ameaça de recessão, tal como sinalizam os últimos dados conhecidos”.

A confiança dos agentes económicos “será seriamente afetada com consequências sobre as decisões de investir ou de gastar. A tendência para procrastinar decisões que tem caracterizado o país nos últimos anos ou mesmo décadas, encontrará um novo pretexto para continuar”, refere.

Para António Mendonça, “o curto prazo continuará a ser o horizonte de referência e os resultados eleitorais poderão contribuir ainda mais para a afirmação desta cultura, com a abertura de um período – que poderá ser longo – de instabilidade política, de fragmentação e de sucessão de ciclos curtos de governação, uma situação para a qual o próprio Presidente da República já havia alertado, na sua intervenção no recente Congresso da Ordem dos Economistas”.

O bastonário adverte ainda que “as consequências sobre a imagem externa do país poderão ser dramáticas”, quer “no plano das instituições europeias e da credibilidade com que encaram as relações com Portugal”, quer no “plano da confiança dos investidores estrangeiros que terão tendência a rever ou a adiar as suas decisões”.

“Nestas situações é fundamental haver responsabilidade por parte de todos os agentes, políticos e económicos, em particular, e, sobretudo, bom senso”, defende.

António Mendonça considera que “o modo como a crise política se desencadeou é de uma gravidade extrema” e que é “absolutamente essencial que a justiça atue, com isenção, rapidez e eficácia” e “que todos os factos e as respetivas responsabilidades sejam apurados, com objetividade e em toda a sua extensão e profundidade”.

Para o economista “é importante que se comece a pensar em termos de limitação dos danos”, desde logo, “no plano político, com a possibilidade real de alteração radical do quadro político do país, seja a nível de governo, seja a nível das relações de força entre os partidos, seja dentro de cada partido, com particular relevância, como é óbvio, para o partido da maioria parlamentar”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou na quinta-feira que vai dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas para 10 de março de 2024.

Contudo, irá adiar a publicação do decreto de dissolução, permitindo a votação final global do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024), marcada para 29 de novembro, que tem aprovação garantida devido à maioria absoluta do PS.

O primeiro-ministro, António Costa, pediu na terça-feira a demissão ao Presidente da República.

António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lítio, o hidrogénio verde e o ‘data center’ de Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.

No dia da demissão, António Costa recusou a prática “de qualquer ato ilícito ou censurável” e manifestou total disponibilidade para colaborar com a justiça.

Últimas de Economia

O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu 2,18 euros na última semana, fixando-se nos 253,47 euros.
O ‘stock’ de empréstimos para habitação atingiu em junho 116,8 mil milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 10,9%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Gasóleo sobe nove cêntimos e gasolina até 3,5 cêntimos por litro. Portugal continua entre os países europeus onde abastecer custa mais caro, apesar das promessas de alívio fiscal.
O preço por litro de gasóleo deverá aumentar 9 cêntimos e o da gasolina subir 3,5 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, de acordo com a estimativa da ANAREC cedida à Lusa.
A oferta de casas para arrendar em Portugal recuou 22% no segundo trimestre, face ao período homólogo, para 40.716 imóveis destinados ao arrendamento de longa duração, segundo dados do portal 'online' de imobiliário Idealista.
A dívida pública da zona euro agravou-se, no primeiro trimestre, para os 88,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e a da União Europeia (UE) para 82,9%, com Portugal a registar a quinta mais alta (91%), segundo o Eurostat.
O Estado continua sem conseguir recuperar milhares de milhões de euros em impostos. A dívida declarada incobrável atingiu um novo máximo de mais de 10 mil milhões de euros, sendo que apenas 20 mil devedores concentram quase dois terços desse valor.
Os encargos com o crédito à habitação continuam a aumentar. A taxa de juro implícita voltou a subir em junho e empurrou a prestação média para os 411 euros mensais. Nos novos contratos, as famílias já pagam, em média, 715 euros por mês, numa escalada que mantém a pressão sobre os orçamentos.
Os portugueses mostram-se favoráveis à redução da idade da reforma, mas traçam uma linha vermelha: a pensão não pode sofrer cortes. Um novo barómetro revela um apoio expressivo à proposta defendida pelo CHEGA, desde que o descanso antecipado não tenha custos no rendimento dos reformados.
O preço mediano de alojamentos familiares foi de 2.076 euros por metro quadrado (euro/m2) em 2025, representando um aumento de 16,8% face ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.