24 Julho, 2024

Washington “profundamente inquieto” com “condições de detenção” de Navalny

Os Estados Unidos disseram hoje estarem “profundamente inquietos” com as “condições de detenção” do opositor russo Alexei Navalny, detido numa colónia penitenciária no Ártico russo e após permanecer com destino desconhecido durante quase três semanas.

© Facebook de Alexei Navalny

“Congratulamo-nos com as informações pelas quais Navalny foi localizado”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado. “No entanto, permanecemos profundamente inquietos sobre o destino de Navalny e as suas injustas condições de detenção”, indica no comunicado.

No passado sábado, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, tinha já exprimido a preocupação pelo desconhecimento do paradeiro de Alexei Navalny. “Estamos profundamente preocupados com o paradeiro de Alexei Navalny, que há quase três semanas está desaparecido no sistema penitenciário da Rússia”, afirmou na ocasião o chefe da diplomacia dos Estados Unidos nas redes sociais.

Na mesma mensagem, Blinken exigiu “mais uma vez” a “libertação imediata” do opositor russo e que o Governo do Presidente Vladimir Putin deixe de “reprimir as vozes independentes na Rússia”.

Os apoiantes do líder oposicionista russo informaram hoje na rede social X que Alexei Navalny está preso na colónia penitenciária perto da cordilheira dos Urais, no Ártico, depois de quase três semanas sem qualquer contacto com o mundo exterior.

“Encontrámos Navalny. Está na colónia prisional número 3 na cidade de Kharp”, disse Kira Iarmych no X (antigo Twitter), indicando que Navalny “está bem” e que o seu advogado o visitou hoje.

Kharp, uma pequena cidade com uma população de cerca de 5.000 habitantes, situa-se em Yamalo-Nenetsia, uma região remota do norte da Rússia, a norte do Círculo Polar Ártico, e alberga várias colónias penitenciárias.

Alexei Navalny, ativista anti-corrupção, oposicionista e crítico do Presidente Vladimir Putin, foi detido em 2021 e posteriormente condenado a uma pena de 19 anos de prisão.

Acusado de extremismo, segundo a sentença do tribunal, Navalny deve cumprir a sua pena numa colónia de “regime especial”, uma categoria de estabelecimentos onde as condições de detenção são as mais duras e que são normalmente reservadas a presos a cumprir pena de prisão perpétua e aos detidos mais perigosos.

Uma das colónias de “regime especial” situa-se precisamente em Kharp, a colónia número 18, ou “Coruja Polar”.

Os serviços penitenciários russos admitiram, em 15 de dezembro, que Navalny tinha sido transferido da cadeia de Vladimir, onde cumpria pena desde junho de 2022, mas não precisaram o seu novo destino.

Os advogados do opositor, sentenciado a 30 anos de prisão, não tinham contacto com o seu cliente desde 05 de dezembro e os seus colaboradores lançaram a campanha mundial “Onde está Navalny?”.

Em 07 de dezembro, Navalny apelou da cadeia ao voto contra Putin nas eleições de 17 de março próximo.

No sábado, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, manifestou-se preocupado com a falta de informação sobre o paradeiro de Alexei Navalny e exigiu ao Kremlin que o opositor russo fosse libertado o quanto antes.

Na mesma mensagem, Blinken exigiu a “libertação imediata” do opositor russo e que o Governo do Presidente Vladimir Putin deixe de “reprimir as vozes independentes na Rússia”.

Agência Lusa

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