Conselho das Comunidades contra processo que altera atendimento de emigrantes no SNS

O Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) manifestou-se hoje contra a forma e procedimento nas alterações no Registo Nacional de Utentes (RNU), que passa a “inativos” os portugueses com morada fora de Portugal, considerando o seu conteúdo “discriminatório”.

©SNS

 

Em comunicado divulgado hoje, o Conselho Permanente (CP) do CCP alega que nunca foi consultado sobre a retirada destes cidadãos das listas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo, numa reunião realizada no passado dia 27, deliberado, por unanimidade, manifestar-se contra a “forma e o procedimento” adotados pelo Governo.

O CP do CCP sublinha que a norma em causa, “com vigência iminente, carece de uma discussão clara e transparente, tendo sido publicada há mais de 10 meses, sem qualquer prévia discussão”, retirando competências do Conselho Permanente.

Relativamente ao conteúdo da norma, Conselho Permanente do CCP refere ser “discriminatório e não perceber que mesmo os residentes no estrangeiro contribuem direta ou indiretamente por meio de taxas e impostos”, entre outros, para o Estado português.

A medida resulta da aplicação de um despacho (n.º 1668/2023) que “define as regras de organização e os mecanismos de gestão referentes ao Registo Nacional de Utentes (RNU), assim como as regras de registo do cidadão no Serviço Nacional de Saúde e de inscrição nos cuidados de saúde primários”.

Fonte da ACSS indicou à Lusa, no passado dia 13, que o despacho prevê que a inscrição numa Unidade de Cuidados de Saúde Primário pressupõe um registo ativo no RNU, que “tem como condição obrigatória a residência em Portugal”.

Além de deixarem de ter médico de família, no caso de o terem, estes utentes “inativos” terão de suportar o custo do atendimento: “Sobre o registo inativo, com exceção das situações de óbito, aplica-se a condição de encargo assumido pelo cidadão”.

O Ministério da Saúde (MS) assegurou, na altura, em reação à notícia da Lusa, que os portugueses residentes no estrangeiro vão continuar a ter “pleno acesso” ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Importa reforçar que a legislação que enquadra o RNU distingue o acesso dos utentes ao SNS, que continua a ser universal, da responsabilidade financeira pelos cuidados prestados, a qual fica a cargo do SNS ou de uma terceira entidade financeiramente responsável, consoante as situações concretas”, salientou.

Segundo o MS, “não está em causa” o atendimento dos emigrantes portugueses no SNS, que vai continuar a “ser assegurado sempre que estejam em situação de estada no território nacional”.

“Reitera-se que não está em causa que tenham que pagar por esses cuidados. O que se altera é a identificação das entidades financeiramente responsáveis para o caso dos cidadãos que não residem em Portugal, permitindo que o Estado português possa ser ressarcido das despesas em que o SNS incorre no tratamento de cidadãos que têm cobertura de saúde num outro país, sempre que isso seja aplicável”, realçou.

“A correta identificação da entidade financeiramente responsável permite aos vários países faturarem a atividade entre si, assegurando assim as regras que estão em vigor a nível internacional e permitindo ao nosso país atuar num regime de reciprocidade e responsabilidade fiscal”, acrescentou.

Últimas do País

Mais de 80 voos com partida ou destino para a Madeira foram hoje cancelados devido às condições meteorológicas adversas, indica a ANA - Aeroportos no seu 'site' oficial.
A GNR deteve um motorista de pesados, de 54 anos, pela prática do crime de falsificação de notação técnica, durante uma ação de fiscalização rodoviária realizada no domingo, no concelho da Guarda.
Um cidadão de Oliveira de Azeméis está obrigado a ir de cadeira de rodas para o trabalho por um caminho de terra batida desde que obras na ferrovia eliminaram travessias pedonais, sem cumprir o asfaltamento protocolado para a alternativa.
Um mini tornado provocou, no domingo, estragos significativos em estufas de ananases localizadas na freguesia de São Miguel, em Vila Franca do Campo, nos Açores, sem provocar danos pessoais, disse hoje a presidente da autarquia.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) alertou hoje para a fraca qualidade do ar na terça e quarta-feira em Portugal continental, devido a poeiras do norte de África, aconselhando idosos e crianças a cuidados redobrados.
As cooperativas agrícolas do vale do Baixo Mondego alertaram hoje a Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para a necessidade de a reparação do canal de rega do Mondego estar concluída até ao início de maio.
A tempestade de Kristin provocou no concelho de Sardoal danos em infraestruturas municipais, coletividades, património cultural, IPSS e freguesias, num prejuízo estimado de 4,76 milhões de euros e custo de orçamento que pode atingir 10,48 milhões, anunciado o município.
A Câmara Municipal da Lourinhã, no distrito de Lisboa, declarou um prejuízo de 25 milhões de euros devido a estragos provocados pelo mau tempo, das últimas semanas, disse hoje o seu vice-presidente.
Vários ataques armados e atos de vandalismo contra empresas em Portugal estão a ser atribuídos a um grupo criminoso indiano, num caso que levanta alertas sobre a possível atuação de redes internacionais em território nacional.
As associações de oficiais, sargentos e praças condenaram hoje o chumbo pelo parlamento, com PSD, CDS e IL contra, e abstenção do PS, da revisão do complemento de pensão, alertando para consequências na "sustentabilidade futura da instituição" militar.