Montenegro deve dar “explicação cabal” sobre a sua moradia, diz Ventura

O presidente do CHEGA considerou hoje que o líder do PSD deve dar explicações cabais sobre a moradia que construiu em Espinho e avisou que estará "fora" se os sociais-democratas começarem agora a atacar o Ministério Público.

© Folha Nacional

Estas posições de André Ventura foram transmitidas momentos antes de iniciar uma visita às instalações da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lisboa, depois de interrogado pelos jornalistas sobre a decisão do Ministério Público do Porto de abrir um inquérito a Luís Montenegro sobre eventuais ilegalidades administrativas e benefícios fiscais atribuídos à casa que construiu em Espinho.

Ao contrário do que afirmou Luís Montenegro hoje, ao fim da manhã, em conferência de imprensa, o líder do CHEGA acredita que o presidente do PSD ainda terá de voltar, em breve, a falar sobre esse caso e entende que ainda faltam explicações cabais em relação ao processo de construção dessa moradia em Espinho.

André Ventura assinalou mesmo que a reação de Luís Montenegro ao caso que o atinge esteve em linha com a atitude pública protagonizada pelo ex-secretário de Estado socialista Lacerda Sales no caso das gémeas luso-brasileiras que receberam tratamento no Hospital de Santa Maria em Lisboa.

“Quando Luís Montenegro diz que tem documentos e há um jornalista que lhe pede para disponibilizar esses elementos e ele diz que só os disponibiliza em sede de inquérito, isto não é muito diferente do que disse Lacerda Sales no caso das gémeas. Ora, isso não ajuda à democracia”, criticou o presidente do CHEGA.

André Ventura observou que Luís Montenegro, tal como ele próprio e Pedro Nuno Santos, estão a candidatar-se às funções de primeiro-ministro, razão pela qual tem de dar “uma explicação cabal sobre um caso que não está bem explicado”.

“Não está em causa o direito à presunção de inocência de Luís Montenegro, mas quando há um caso que envolve património de políticos, há um dever acrescido de dar explicações. Ora, quando se diz que a partir de hoje não se fala mais do assunto e que só dá os elementos à justiça, sabendo que a justiça, pelos tempos próprios do processo, não vai atuar nos próximos dias ou semanas, é permitir que tudo isso contamine a campanha eleitoral”, reforçou o presidente do CHEGA.

Questionado sobre se este caso afeta a constituição de uma alternativa de direita na sequência das eleições legislativas de 10 de março, André Ventura respondeu: “Sim e não”.

“Sim, se houver carência de explicações ao momento em que for preciso formar essa alternativa e as suspeitas se avolumarem. Então, nós estaremos fora disso. No entanto, embora Luís Montenegro tenha dito que não falará mais sobre o caso, penso que vai haver um momento em que será necessário dar uma explicação cabal sobre algumas coisas, umas de natureza fiscal, outras de natureza administrativa”, advogou.

Interrogado se o Ministério Público está a interferir na atividade política, mais concretamente na campanha eleitoral para as legislativas de 10 de março, André Ventura recusou essa tese e contrapôs que é preciso deixar que a justiça funcione.

“Espero que o PSD não caia nesse erro, porque isso foi o que o PS fez no processo Casa Pia e na Operação Influencer. Se o PSD alinhar no mesmo discurso do PS de ataque à justiça, há uma coisa que garanto: Estamos fora”, advertiu.

Questionado sobre o mandato da atual procuradora Geral da República, Lucília Gago, o presidente do CHEGA começou por dizer que não lhe cabe fazer essa avaliação, mas depois declarou: “A senhora procuradora Geral da República não está ainda em fim de mandato, estas investigações são muito difíceis e só poderão ser cabalmente avaliadas quando chegarem a fases mais avançadas”.

“Eu esperaria pelo fim do mandato da senhora procuradora Geral da República, esperaria que este e outros processos se desenvolvam para então se analisar se tinham ou não consistência. Estar agora a lançar suspeitas sobre quem investiga é o pior serviço que prestamos à democracia e é passarmos a ideia de que os políticos têm de estar acima da lei, protegidos”, acrescentou.

O inquérito sobre a habitação de Luís Montenegro é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto, não tem arguidos constituídos e, entre outros aspetos, está em causa uma alegada utilização indevida da taxa de IVA reduzida.

Ainda na sexta-feira à noite, numa declaração escrita enviada à agência Lusa, o presidente do PSD considerou que o inquérito do Ministério Público sobre os benefícios fiscais na construção da sua casa em Espinho configuram uma “excelente oportunidade” para encerrar o assunto, assegurando não ter tido qualquer tratamento de favor.

Hoje, em conferência de imprensa, no Porto, o líder do PSD garantiu que não se sente “minimamente condicionado” e que convive bem com os inquéritos abertos pelo Ministério Público.

“Não me sinto mesmo minimamente condicionado, convivo bem com o escrutínio de que sou alvo através destes inquéritos e tenho a plena confiança e convicção de que serão precisamente estes inquéritos que irão demonstrar que tudo está dentro da regularidade”, afirmou Luís Montenegro.

O presidente do PSD afirmou ainda estar confiante na Justiça e adiantou que não falará mais deste caso até que haja “um desfecho na Justiça”. Perante os jornalistas, afirmou que está disponível para colaborar com a investigação e entregar toda a documentação referente à sua moradia em Espinho.

Últimas de Política Nacional

O Ministério Público de Alenquer deverá receber uma queixa-crime contra um vereador da CDU na Câmara Municipal da Azambuja, depois de este ter admitido a utilização de uma viatura municipal para fins privados. O caso está a gerar polémica política e acusações de falta de ética na gestão de bens públicos.
Pedro Pinto, líder parlamentar do CHEGA, desafia o primeiro-ministro a assumir de que lado está nas presidenciais. Para o CHEGA, apoiar um candidato socialista depois de criticar o PS é incoerente e a direita tem agora uma oportunidade histórica de travar o socialismo em Belém.
Projeto de lei, a que o Folha Nacional teve acesso, centra-se no superior interesse da criança e na evidência científica.
O CHEGA tentou levar o ministro da Economia e da Coesão Territorial ao Parlamento para explicar o acordo político entre PSD e PS sobre as CCDR. Os dois partidos uniram-se para travar o escrutínio e impedir esclarecimentos sobre um entendimento que decide lideranças regionais à porta fechada.
O candidato presidencial André Ventura desafiou hoje o seu adversário, António José Seguro, para três debates durante uma campanha para a segunda volta e acusou o socialista de “querer fugir” à discussão por “medo do confronto”.
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, considerou que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais "por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita".
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, pediu no domingo aos eleitores para que “não tenham medo da mudança” e disse ser uma “escolha segura” para o país, ao contrário do socialista António José Seguro.
António José Seguro e André Ventura foram os vencedores da primeira volta das presidenciais de domingo, marcando presença na disputa de 08 de fevereiro, numa eleição em que Luís Marques Mendes registou para o PSD o pior resultado de sempre em atos eleitorais.
O candidato presidencial André Ventura afirmou que irá agregar a direita a partir de hoje, face às projeções que indicam uma segunda volta das eleições entre o líder do CHEGA e António José Seguro, apoiado pelo PS.
O secretário-geral do CHEGA, Pedro Pinto, hoje que o país está perante “uma noite histórica” e manifestou-se confiante na passagem de André Ventura na segunda volta das eleições presidenciais contra António José Seguro.