CAP lamenta cortes nos pagamentos e acusa Governo de incompetência

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) lamentou hoje os cortes nos pagamentos aos agricultores, no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), acusando o Ministério da Agricultura de incompetência devido a erros de programação.

© Facebook da CAP

 

A CAP prepara-se para denunciar o caso a Bruxelas.

“Como consequência de erros de programação evitáveis, em virtude de metas incorretamente definidas relativas à área a beneficiar pelos apoios previstos para os ecorregimes de agricultura biológica e de produção integrada, que foi mensalmente inferior à procura, verificou-se uma redução nos pagamentos aos agricultores em 35% e 25%, respetivamente”, apontou, em comunicado, a CAP.

A confederação lembrou que o PEPAC é extenso e complexo, sublinhando que será difícil gerir a pasta da Agricultura “sem um conhecimento profundo” dos mecanismos da PAC.

Para a CAP, houve “muita incompetência”, ao longo dos últimos anos, na gestão desta pasta, “que perdeu peso político” devido à desarticulação dos serviços, perda de quadros do Ministério da Agricultura e do desconhecimento da PAC.

Os agricultores notaram ainda ter chamado à atenção para “diversos erros de programação constantes” no PEPAC, cuja fatura está agora a ser paga.

O setor exige assim que o Governo assuma as suas responsabilidades e que apresente soluções.

Citado na mesma nota, o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, afirmou ser “incompreensível e inaceitável” esta redução, que referiu ser resultado de uma “teimosia do Governo” em não ouvir quem tem experiência nestas matérias.

“Os agricultores estão a ser prejudicados por uma ineficiente gestão das verbas da Política Agrícola Comum. Assistimos, infelizmente, a um falhanço governativo em toda a linha, que gera desconfiança e cujos resultados são, objetivamente, prejudiciais para os agricultores”, acrescentou.

Álvaro Mendonça e Moura adiantou ainda que irá denunciar “este desnorte absoluto” ao Comissário Europeu da Agricultura, Janusz Wojciechowski.

A Lusa contactou o Ministério da Agricultura, mas não obteve resposta.

Últimas de Economia

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou hoje para uma burla através de telefonemas aparentemente da Paypal, nos quais os utilizados desta aplicação de pagamentos 'online' são informados de compras suspeitas que, na realidade, nunca aconteceram.
O endividamento do setor não financeiro, que reúne administrações públicas, empresas e particulares, aumentou 8.100 milhões de euros em abril face a março, para 876.200 milhões de euros, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As insolvências a nível mundial aumentaram 12% no primeiro semestre de 2026, impulsionadas por um aumento de 22% na América do Norte, segundo uma análise da seguradora de crédito Coface.
O montante investido em certificados de aforro subiu novamente em maio, pelo 20.º mês consecutivo, e atingiu os 42.447 milhões de euros, num crescimento homólogo de 13,2%, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
A bolsa de Lisboa acentuava hoje a tendência negativa da abertura e perdia 1,31%, com todas as empresas cotadas a cair, lideradas pela Semapa, que recuava 2,01% para 21,95 euros.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela DECO PROteste encareceu 2,11 euros na última semana, para 257,68 euros, interrompendo a trajetória de descida registada na semana anterior, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
A taxa de inflação anual da zona euro aumentou, em maio, pelo quarto mês consecutivo, para 3,2%, confirmou hoje o Eurostat, indicando ainda um valor de 3,3% para a União Europeia (UE).
Os preços da habitação mais do que duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com as maiores valorizações a serem registadas na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal, segundo o Banco de Portugal.
A Euribor subiu hoje a três meses para um novo máximo desde março de 2025 e desceu a seis e a 12 meses em relação a sexta-feira.
O Banco de Portugal prevê um défice de 0,2% do PIB este ano, mais pessimista do que a previsão de um saldo nulo do Governo, e um saldo negativo de 0,5% em 2027 e 2028.