Recolha de resíduos elétricos aumenta 16% em 2023 na rede Electrão

A associação Electrão recolheu no ano passado 27 mil toneladas de equipamentos elétricos, mais 16% do que em 2022, mas questiona onde andam as 100 mil toneladas anuais por reciclar.

© D.R.

 

Os números fazem parte de um balanço hoje divulgado pela associação de gestão de resíduos, responsável por três dos principais sistemas de recolha e reciclagem, embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados.

A recolha no ano passado atingiu novo recorde, mais 67% do que em 2021, com a reutilização de equipamentos elétricos a aumentar mais de 100%.

A Electrão diz que os bons resultados se devem ao empenho dos parceiros e ao alargamento dos locais de recolha e dos serviços ao cidadão, havendo já 11.500 pontos de recolha no país.

Mas os resultados, adianta a associação em comunicado, não são suficientes para o cumprimento das metas europeias, perguntando mesmo onde param as 100 mil toneladas de equipamentos elétricos produzidos anualmente.

E explica: estima-se que se vende em Portugal, todos os anos, 245 mil toneladas de equipamentos elétricos, com 60% deles a ser para substituir outros, que vão originar resíduos. O que significa que se produzem anualmente 147 toneladas de resíduos. Se no ano passado só foram recolhidas 46 mil toneladas (destas, 27 mil pela Electrão), faltam cerca de 100 mil.

Noutras contas, a produção de resíduos elétricos e eletrónicos ronda os 14,5 quilogramas ‘per capita’ mas só foram recolhidos 4,5 quilos, pelo que cada português tem 10 quilos de resíduos, que deviam estar a ser recolhidos e tratados.

A associação diz que muitos equipamentos estarão esquecidos nas gavetas e acumulados em garagens, sótãos e arrecadações. E cita um estudo segundo o qual existem, em média, 74 equipamentos elétricos nas casas europeias.

E salienta ainda outro problema, o do mercado paralelo, como explica, citado no comunicado, o diretor-geral da associação, Ricardo Furtado: “o problema essencial reside nos milhares de toneladas que são desviadas, todos os anos, do circuito formal da reciclagem para o mercado paralelo. Esta prática implica graves prejuízos para a saúde pública e para o ambiente, já que estes aparelhos são tratados sem que seja acautelada a sua descontaminação”.

A associação Electrão recorda que oferece na região de Lisboa um serviço de recolha porta-a-porta para grandes eletrodomésticos, que facilita a vida ao cidadão e ajuda a combater o mercado paralelo.

E ainda sobre o balanço do ano passado diz que entre os equipamentos elétricos mais reciclados estão os grandes eletrodomésticos, como máquinas de lavar e secar roupa.

Em segundo lugar os equipamentos de regulação de temperatura, como frigoríficos, arcas congeladoras e radiadores, e depois os pequenos aparelhos elétricos, como torradeiras e ferros de engomar, e ainda os equipamentos de informática e telecomunicações.

Monitores e televisores, tal como as lâmpadas, representam uma minoria.

A associação tem como principal missão assegurar a reciclagem dos resíduos recolhidos, contribuindo para a minimização do impacto ambiental e para um reaproveitamento dos materiais que os constituem, promovendo a economia circular.

Últimas de Economia

Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 332,3 milhões de euros em 2025, com um aumento de 37,4 milhões de euros face ao ano anterior, foi anunciado.
A empresa que gere o SIRESP vai receber este ano uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para garantir a gestão, operação e manutenção da rede de comunicações de emergência e segurança do Estado, anunciou hoje o Governo.
Mais de 42% dos créditos para a compra de casa por jovens até aos 35 anos em 2025 foram feitos ao abrigo da garantia pública para o financiamento da primeira habitação, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
O átomo está de regresso ao centro do jogo energético europeu. A produção cresceu 4,8% em 2024, com França a liderar destacada e Berlim fora das contas. Segurança energética, preços e clima empurram o nuclear para a linha da frente.
Mais de 290 mil clientes da E-Redes continuavam às 06:30 de hoje sem fornecimento de energia em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, na quarta-feira, informou a empresa.
O total de depósitos de clientes particulares nos bancos que operam em Portugal ascendia a 201 mil milhões de euros no final de 2025, um máximo histórico segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
O montante total de empréstimos concedidos pelos bancos a particulares ('stock') era de 144,8 mil milhões de euros em 2025, mais 9% face ao final de 2024, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Enquanto os rendimentos mais baixos recebem apoios e os mais altos sentem alívio fiscal, a maioria das famílias fica quase na mesma. Um estudo oficial mostra que o impacto das medidas fiscais de 2026 ignora, mais uma vez, a classe média.
O Banco Europeu de Investimento (BEI), instituição financeira da União Europeia (UE), anunciou hoje ter realizado um investimento recorde 100 mil milhões de euros em 2025 para apoiar a competitividade económica e a segurança europeias.
O indicador de confiança dos consumidores voltou a aumentar em janeiro, enquanto o indicador de clima económico diminui, após ter subido nos dois meses anteriores, segundo os inquéritos de conjuntura às empresas e consumidores divulgados hoje pelo INE.