Supremo confirma pena de oito anos para Ricardo Salgado mas impôe aferição da doença

O Supremo Tribunal de Justiça confirmou hoje a condenação a oito anos de prisão do ex-banqueiro Ricardo Salgado no âmbito da Operação Marquês, mas admite que a pena possa vir a ser suspensa devido ao estado de saúde.

© Facebook dos Lesados do BES

 

Em acórdão hoje proferido, a que a Lusa teve acesso, o Supremo (STJ) rejeitou o recurso de Ricardo Salgado contra a condenação a oito anos de prisão por crimes de abuso de confiança no processo Operação Marquês, mas exige que haja a “aferição do estado e gravidade da evolução da doença e a capacidade de compreensão” pelo arguido “do sentido e finalidade da pena”, para “eventual aplicação (ou não) da suspensão da execução” da pena a que foi condenado.

Apesar de confirmar a pena de prisão de oito anos, esta decisão do STJ impede que o antigo presidente do BES, que alega sofrer da doença de alzheimer, comece a cumprir qualquer pena antes de ser aferido o estado de saúde em data anterior ao cumprimento da pena, admitindo inclusivamente que a pena pode mesmo vir a ser suspensa por anomalia psíquica superveniente sem perigosidade, que é o que a defesa, a cargo do advogado Francisco Proença de Carvalho, tem vindo a defender.

“Não cremos que se deva concluir do texto da norma que a competência para a suspensão da execução da pena deva ser aferida apenas ou necessariamente apenas pelo Tribunal de Execução de Penas mas, antes, nada impede dos textos legais vigentes que a sua avaliação seja ou possa ser efetuada desde o momento em que seja possível e justificado, o que poderá ocorrer bem antes do início de execução da pena”, refere o acórdão do STJ que teve como relator o conselheiro Agostinho Torres.

Este entendimento do STJ contraria a posição que tinha sido assumida pelos anteriores acórdãos de primeira instância e da Relação de Lisboa que consideravam que a doença de alzhmeir invocada pelo arguido só justificaria pena suspensa caso isso fosse validado ou apreciado pelo Tribunal de Execução de Penas.

Hoje, o que o STJ veio declarar é que essa avaliação sobre se o estado de saúde de Ricardo Salgado justifica a suspensão da pena deve ser feita antes de se iniciar o cumprimento da pena, ou seja antes de o ex-banqueiro entrar na prisão.

Resulta assim deste acórdão, que terá de haver uma nova aferição ou avaliação médica prévia ao estado de saúde do arguido para o tribunal de primeira instância verificar se o arguido Ricardo Salgado tem ou não condições de compreender a pena, se tem ou não condições de cumpri-la e se faz algum sentido cumpri-la.

“Se a incapacidade de compreensão, entendimento e adaptação ao sentido e finalidade da pena fosse já de tal modo grave que não colocasse dúvidas relevantes, também não vemos impossibilidade legal direta e decisiva no sentido de declaração suspensiva (…) mesmo antes da fase de execução propriamente dita” da pena, refere o acórdão.

O acórdão reforça ainda que “numa situação clínica em que seja evidente, indubitável, seguro e convincente a inapropriedade de aplicação da pena de prisão, face à doença indicada (ou outro tipo qualquer de anomalia psíquica superveniente ao crime) seria de todo injustificável e desumano sujeitar o condenado (neste caso Ricardo Salgado) à execução da pena ou mesmo a iniciá-la para depois a suspender”.

Condenado em março de 2022 a uma pena única de seis anos de prisão por três crimes de abuso de confiança, Ricardo Salgado viu a Relação de Lisboa agravar em maio de 2023 a pena para oito anos e recorreu para o STJ que, agora, apesar do indeferimento quanto à pena, impôs a aferição prévia do seu estado de saúde antes de poder cumprir pena.

Últimas do País

O Tribunal de Aveiro voltou hoje a condenar um casal que alugou um quarto onde morreram duas pessoas e outra ficou gravemente ferida, por inalação de gases tóxicos, mas agora com penas de prisão efetivas.
O Município de Torres Vedras vai efetuar sondagens geotécnicas para definir as obras a fazer na encosta do castelo, na sequência do aluimento de terras e de várias famílias terem ficado desalojadas devido ao mau tempo.
Uma agência bancária de Santa Maria de Lamas, no concelho de Santa Maria da Feira, foi hoje evacuada devido a uma ameaça de bomba, o que resultou também em cortes de estrada, disse fonte local e a instituição financeira envolvida.
A empresa gerida pela mulher de António José Seguro faturou 27,5 milhões de euros em cinco anos, mas os trabalhadores perderam cerca de 17% do rendimento real por hora.
A GNR deteve hoje quatro homens suspeitos de mais de 100 furtos no Norte e Centro do país, numa operação que envolveu 24 buscas após uma investigação de mais de sete meses, disse à Lusa o tenente-coronel Martins.
A Câmara Municipal de Tábua declarou um prejuízo de mais de 2,8 milhões de euros (ME) relativo aos estragos provocados pelo mau tempo que atingiu o país a partir do fim de janeiro, revelou hoje o seu presidente.
O primeiro dia da grave dos guardas prisionais na cadeia de Vale de Judeus, Alcoentre, teve esta terça-feira uma adesão de 90%, segundo o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).
A água não faturada representa 27% do total de água que é tratada para consumo: cerca de 190 milhões de metros cúbicos de água boa para consumo perde-se, o equivalente a 8,7 piscinas olímpicas de água por hora.
A PSP apreendeu no ano passado mais de 6.470 quilos (kg) de droga e deteve 2.949 suspeitos por crime de tráfico, a maioria em Lisboa, Porto e Setúbal, informou hoje aquela força de segurança.
Mais de metade dos portugueses tem défice de sono, um problema de saúde pública que tem razões socioeconómicas e que representa um risco de surgimento de doenças metabólicas e cardiovasculares, alertou hoje o especialista Joaquim Moita.