Faturação da portuguesa DareData Engineering sobe 82% para 3 milhões de euros em 2023

A faturação da DareData Engineering, especializada em projetos de inteligência artificial (IA), subiu 82% em 2023 para 3,1 milhões de euros, disse a 'startup' portuguesa à Lusa, acrescentando que quer expandir presença no Reino Unido este ano.

© D.R.

 

“Queremos expandir a nossa presença no Reino Unido, este ano, e já estamos a trabalhar nesse sentido”, afirma, em declarações à Lusa, o ‘partner’ e cofundador da tecnológica Nuno Brás.

“Este é um mercado bastante desenvolvido no que a sistemas de IA diz respeito e a DareData quer percorrer, sem dúvida, este caminho, até porque o tipo de desafios que se colocam nas empresas aí presentes são necessariamente um ‘benchmark’ para a nossa capacidade técnica e diferenciação no mercado, que não se pauta por salários/custos mais baixos”, explica o responsável.

A DareData Engineering está presente em Portugal, Espanha, Noruega, Austrália, Estados Unidos, França, Grécia e Brasil.

“Temos especialistas da nossa rede de ‘freelancers’ espalhados por estes países que colaboram em projetos também eles internacionais, por exemplo nos Estados Unidos e no Reino Unido”, adianta Nuno Brás.

Para este ano, a tecnológica prevê investir “um valor perto de um milhão de euros”.

De acordo com o cofundador, este ano o foco é o projeto de internacionalização, que além da aposta no Reino Unido, será “no desenvolvimento articulado de soluções customizadas de GenAI [IA generativa], cada vez mais capazes de responder aos novos paradigmas que se colocam às empresas e à sociedade”.

“Investimos meio milhão de euros” em 2023, dividido entre as áreas de marketing, vendas e desenvolvimento de soluções customizadas ‘in-house’, acrescenta.

A tecnológica pretente contratar pessoas este ano: “Prevemos adicionar entre 15 a 20 pessoas à nossa rede de ‘network'”.

Em janeiro, “já entraram seis especialistas técnicos nesta nossa rede, portanto estamos muito entusiasmados com esta nossa ambição de crescimento”, prossegue Nuno Brás.

Questionado sobre como vê o desenvolvimento da IA generativa no último ano, o responsável defende que “há que ter ponderação” quando se fala deste tema.

“Têm surgido vários casos nos quais a implementação de GenAI tem corrido mal. Posso dar o exemplo recente que aconteceu com a Chevrolet, onde alguns clientes enganaram o ‘chatbot’ – um deles conseguiu mesmo fazer com que o ‘bot’ lhe dissesse que podia vender o carro a um dólar”, exemplifica.

Outro caso, que chegou a ir a tribunal, diz respeito à Air Canada e um passageiro, “que foi ‘enganado’ pelo ‘chatbot’ da companhia aérea – e acabou por conseguir uma indemnização”, recorda.

Neste caso, tratam-se de “problemas causados por implementações defeituosas de GenAI”, mas é “importante perceber que isto traz oportunidades, em especial às empresas que têm, de facto, o ‘know-how’ [conhecimento] técnico para conseguir criar soluções de ponta”.

Na DareData, “não temos dúvidas de que a GenAI vai transformar todas as organizações do mundo”, sublinha.

“A tendência no desenvolvimento de ferramentas e soluções de GenAI deve seguir (…) este caminho focado no humano, de alavancar a capacidade individual de cada um de nós” e “as entidades que não o fizerem, e focarem-se apenas na automatização dos processos sem analisar previamente as consequências que daí podem advir, vão cometer graves erros”, considera, dando exemplo da área de recursos humanos.

“As pessoas não podem ser avaliadas por máquinas, apenas. Reforço a importância de desenvolver soluções de IA ‘human-centric'”, insiste Nuno Brás.

Uma coisa que é certa: “Há espaço para melhorar processos, expandir as capacidades dos profissionais, aumentar significativamente a produtividade mas, acima de tudo, fazer com que a vida das pessoas, dos profissionais, seja muito mais gratificante”, remata.

Últimas de Economia

O Presidente do CHEGA alerta para o peso dos combustíveis no setor agrícola e acusa PS e PSD de incoerência na discussão sobre a redução dos impostos.
O preço dos combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia (UE) aumentou, em agosto, 23,8% na comparação homóloga, após as subidas de 13,7% em junho e de 16,9% em julho, segundo o Eurostat.
A economia portuguesa cresce e emprega mais, mas continua a falhar onde mais conta para criar riqueza: no valor produzido por cada hora de trabalho. Em 2025, a produtividade portuguesa ficou em apenas 66,9% da média da União Europeia, abaixo do nível registado no início do século. A Business Roundtable Portugal alerta ainda para salários comprimidos, falta de investimento e dificuldades em reter trabalhadores qualificados.
As empresas comunicaram 407 despedimentos coletivos até agosto, o que representa um aumento de 13,4% face ao período homólogo, mantendo-se no valor mais elevado desde 2020, segundo os dados mais recentes divulgados pela DGERT.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que pretende reforçar a proteção das famílias com crédito à habitação própria e permanente quando a prestação passa a representar uma parte muito elevada do rendimento mensal.
O líder do CHEGA, André Ventura, acusou este domingo o primeiro-ministro e o Governo de irresponsabilidade política e hipocrisia sobre o tema do IVA dos combustíveis, e pediu também ao PS que ponham a mão na consciência.
A produção na construção recuou 2,0% na zona euro e 1,8% na União Europeia (UE) em julho, face ao mesmo mês de 2025, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
A taxa Euribor desceu hoje a três e a 12 meses e subiu a seis meses para um novo máximo desde outubro de 2024.
Contas provisórias apontam para um agravamento de 10 cêntimos no gasóleo e oito na gasolina já a partir de segunda-feira. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis fecha os valores esta sexta-feira.
O Partido Socialista (PS) defende que é preciso aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis, mas vai votar contra o projeto de lei do CHEGA que propõe reduzir temporariamente o IVA nos combustíveis de 23% para 13%. A decisão foi confirmada por José Luís Carneiro.