Governo cabo-verdiano diz que alarmes devem soar antes de mortes de migrantes no mar

O ministro da Administração Interna cabo-verdiano disse hoje à Lusa que os alarmes deviam disparar antes da morte dos migrantes que arriscam viajar de África para as Canárias em embarcações que depois chegam a Cabo Verde à deriva.

© Facebook Open Arms

“Agora, o que podemos fazer é comunicar” quando um barco dá à costa e dar a informação sobre os sobreviventes, referiu Paulo Rocha.

O governante comentava a situação de um barco artesanal que terá partido do continente com 65 ocupantes e que ficou um mês à deriva, sobrevivendo quatro náufragos, no domingo, na ilha de São Vicente.

Entretanto, um outro barco com 11 pessoas também deu à costa da ilha, hoje, aparentemente sem vítimas mortais durante a viagem, estando ainda as equipas de proteção civil no local.

“Este assunto é debatido em todos os países do Atlântico. Todos os países estão conscientes de que existem vagas de imigração e que, neste momento, há uma vaga do continente para as ilhas Canárias [parte de Espanha, Europa]. E é daí que decorrem estes eventos de deriva, no mar, e que acabam por vir aqui parar”, disse, em entrevista à Lusa.

Sobre os quatro sobreviventes de domingo, ainda estão a receber tratamento, devido ao grave estado debilitado em que foram resgatados da embarcação, explicou o governante.

“Não se conseguem locomover”, depois de semanas sem se alimentar.

Estima-se que tenham entre 15 e 26 anos, são naturais do Senegal, Mauritânia e dois do Mali, mas pouco mais se sabe, aguardando-se que as condições de saúde se estabilizem.

“Depois deste processo de completa identificação, as autoridades diplomáticas entrarão em contacto com países de origem para localizar os familiares e para se proceder ao repatriamento, nos termos da lei”, explicou.

“As autoridades já estão treinadas”, devido a outros casos com que têm lidado nos últimos anos, referiu, acrescentando que “o tempo que o processo vai levar depende, sobretudo, da recuperação física dos náufragos, que estavam no mar há 20 a 30 dias”, disse.

Na embarcação que no domingo de manhã foi encontrada na zona de Calhau, em São Vicente, foram encontrados inúmeros documentos, objetos pessoais e moeda que fazem crer que, além do Senegal, Mali e Mauritânia, havia também naturais da Guiné-Conacri entre os ocupantes.

O Governo cabo-verdiano já solicitou o apoio da Organização Internacional das Migrações (OIM) para acompanhar o caso e os náufragos.

O movimento migratório dura há vários anos e leva muitos a arriscar a vida em barcos precários para fugir da pobreza, violência e instabilidade no continente, nos países da África Ocidental, procurando porto seguro.

Além dos dois barcos artesanais que encalharam na ilha de São Vicente, no domingo e hoje, registaram-se outros três casos nos últimos 16 meses.

Em novembro de 2022, uma embarcação com 66 imigrantes senegaleses deu à costa, na ilha do Sal.

Em janeiro de 2023, uma piroga chegou à ilha da Boa Vista com 90 migrantes africanos a bordo, dois deles mortos.

Um barco que partiu do Senegal em julho de 2023, com 101 pessoas, foi encontrado à deriva junto à ilha do Sal, Cabo Verde, em agosto, com 38 sobreviventes, assistidos e repatriados.

Últimas do Mundo

As forças policiais de 16 países africanos detiveram 651 pessoas e desmantelaram redes de cibercrime que extorquiram um total de 38 milhões de euros a centenas de vítimas, anunciou hoje a Interpol.
A polícia do Reino Unido deteve hoje Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III, por suspeita de má conduta em cargo público, noticiaram meios de comunicação social britânicos.
A plataforma de transmissão de vídeos YouTube admitiu que está a sofrer hoje interrupções em vários países, incluindo Portugal e os Estados Unidos.
O Governo de Espanha desbloqueou hoje 7.000 milhões de euros de ajudas a pessoas, empresas e municípios afetadas pelas tempestades das últimas semanas no país.
A Comissão Europeia iniciou hoje uma investigação formal à chinesa Shein por suspeitas de design aditivo, falta de transparência nas recomendações e venda de produtos ilegais na União Europeia (UE), incluindo conteúdos associados a abuso sexual de menores.
Peritos da ONU defendem hoje que os arquivos do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein mostram atrocidades de tal magnitude, carácter sistemático e alcance transnacional que poderiam ser consideradas legalmente como “crimes contra a humanidade”.
A rede social X, anteriormente Twitter, voltou ao normal por volta das 14h30 de hoje, após sofrer uma quebra em vários países uma hora antes, incluindo Estados Unidos, Portugal e Espanha, por causas ainda desconhecidas.
A Comissão Europeia foi alvo de buscas policiais em Bruxelas devido a suspeitas na venda de 23 imóveis ao Estado belga em 2024. A investigação está a cargo do Ministério Público Europeu, que confirmou diligências de recolha de provas.
Dados recentes da agência europeia FRONTEX indicam que, entre 2024 e 2025, mais de 100 mil pessoas entraram ilegalmente em Espanha pelas rotas do Mediterrâneo Ocidental e das Canárias. Cerca de 73% provêm de países sem conflitos armados generalizados.
As perdas seguradas por catástrofes naturais atingiram em 2025 os 127.000 milhões de dólares (cerca de 106.681 milhões de euros), ultrapassando os 100.000 milhões de dólares pagos pelo setor segurador pelo sexto ano consecutivo.