Líder da oposição no exílio denuncia “falsificação maciça” nas presidenciais russas

O opositor russo Dmitry Gudkov denunciou hoje a "falsificação maciça" dos resultados das eleições presidenciais na Rússia, que ditaram a reeleição do Presidente Vladimir Putin com 87,28% dos votos.

© Facebook de Dmitry Gudkov

“O que é que aconteceu nos últimos três dias? Falsificação maciça. Eles podem anunciar qualquer número que quiserem”, disse Gudkov à agência noticiosa espanhola EFE numa conversa telefónica.

Gudkov, que foi declarado “dissidente procurado” em dezembro de 2023, acusou a comissão eleitoral de “desenhar” os números, expressão usada em russo para a manipulação de resultados oficiais, sejam eles eleitorais ou estatísticos.”Todos viram no domingo na Internet quantas pessoas estão contra Putin”, disse,

Referindo-se aos milhares de eleitores que participaram na ação da oposição “Meio-dia contra Putin”, dirigindo-se às assembleias de voto a essa hora no domingo, o opositor disse que tal demonstrou “quantas pessoas estão contra Putin”.

Segundo Gudkov, nem Putin acreditou nos resultados e apenas “fingiu” a satisfação em frente às câmaras.

“Teve muito menos votos. A organização de observação eleitoral Golos foi posta de lado. E o voto eletrónico é incontrolável”, assegurou Gudkov, que teve de votar em Limassol, onde está exilado, para evitar ser preso.

O dirigente da oposição russo disse prever que Putin “aperte ainda mais o regime” nos próximos meses e abra o debate sobre a necessidade de nova mobilização de homens para a guerra na Ucrânia.

De qualquer forma, Putin terá dificuldade em mobilizar os russos, uma vez que a reação do povo será muito negativa, opinou.

O oposicionista apelou ao Ocidente para que corrija as sanções, de modo a que não tenham impacto no povo e afetem apenas a liderança russa, e não excluiu a possibilidade de alguns países se recusarem a reconhecer a vitória eleitoral do líder do Kremlin.

“Ainda é cedo, mas os países bálticos não reconhecerão certamente Putin como Presidente e alguns outros países também não o reconhecerão”, afirmou.

A Comissão Eleitoral Central da Rússia informou que, com quase 100% de todos os distritos eleitorais contados, Putin obteve o maior número de votos de todos os tempos, 76 milhões, correspondentes a 87,29%.

As eleições presidenciais começaram na sexta-feira e terminaram no domingo.

Últimas do Mundo

Jamey Carney, conhecida pelo apoio à causa palestiniana e aos direitos dos migrantes, foi encontrada morta na Irlanda. O principal suspeito é o companheiro, que abandonou o país e acabou detido na Jordânia.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 119 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Os incêndios em França, incluindo na histórica floresta de Fontainebleau, a menos de 100 quilómetros de Paris, levaram à detenção de 30 adultos e 29 menores, informou o ministro do Interior.
Há mais de uma década que a União Europeia (UE) regista mais mortes do que nascimentos. Ainda assim, a população continua a crescer porque entram mais pessoas do que aquelas que abandonam o espaço europeu.
Oito mulheres foram mortas desde o início de 2026. Em sete dos homicídios existe um suspeito identificado e, em seis deles, o alegado autor é um cidadão estrangeiro, segundo dados da Women’s Aid.
Portugal tinha 331 camas hospitalares por 100 mil habitantes em 2024, atrás da média da União Europeia (507).
Quatro pessoas acusadas de pertencerem a rede criminosa que desviou 140 milhões de euros com fraudes cibernéticas em vários países europeus foram detidas em Portugal, Espanha e Panamá, anunciou hoje a polícia espanhola.
Dezasseis membros de uma rede de prostituição chinesa foram detidos e 26 mulheres exploradas sexualmente foram libertadas em Espanha, declararam hoje as autoridades locais.
O Parlamento Europeu aprovou ontem a sua posição sobre a polémica proposta conhecida como 'Chat Control'. Contudo, o texto acabou por sofrer alterações graças a propostas apresentadas pelo grupo Patriots for Europe, onde se integram os eurodeputados do CHEGA.
As autoridades da autonomia espanhola da Andaluzia indicaram hoje que há 19 pessoas desaparecidas no incêndio em Los Gallardos, Almeria, que causou pelo menos 12 mortos e oito feridos.