CHEGA vai propor redução do número de deputados e de ministros no início da legislatura

A primeira proposta do partido de André Ventura desta legislatura vai ser a redução do número de deputados e de ministérios no Governo, retomando assim uma das suas bandeiras no sentido de racionalizar os recursos do Estado. 

© Folha Nacional

Estas iniciativas constam do programa eleitoral com que o partido se apresentou a estas eleições e são bandeiras antigas do CHEGA, tendo sido apresentadas nas anteriores legislaturas, passando respetivamente por “reduzir o número de Deputados à Assembleia para um número entre 100 e 180 deputados” e “reduzir o número de ministérios para doze, numa ótica de contenção nos gastos públicos e de eficiência no governo e na administração pública que pugne por um uso prudente e eficiente dos recursos do Estado”.

O presidente do CHEGA desafiou o primeiro-ministro indigitado e presidente do PSD, Luís Montenegro, a dar esse sinal na composição do Governo, que seria visto como de aproximação ao seu partido.

“Que reduza o número de ministros e apresente um Governo com, no máximo 12 ministérios, para dar um sinal de que estamos verdadeiramente a fazer uma reforma do sistema político”, disse Ventura, que referiu ainda que os dois partidos têm a maioria necessária para reduzir deputados, ministros e secretários de Estado. “Só não o faremos se não quisermos”, acrescentou.

No passado, a Assembleia da República, presidida por Ferro Rodrigues, recusou a proposta do partido de Ventura que visava a redução do número de deputados no Parlamento, bem como o corte nos salários dos políticos a nível municipal e nacional. Na altura, Ventura dizia que os políticos não deviam ficar de fora dos sacrifícios da restante população, referindo que “é importante que ministros, deputados e autarcas sintam o mesmo que a generalidade do povo português, uma redução significativa dos seus rendimentos pessoais e familiares.”

Esta proposta fez ainda parte da revisão constitucional apresentada pelo CHEGA, podendo ler-se nesse projeto que se pretende “desde a redução do número de deputados à definição rígida de incompatibilidades e impedimentos de titulares de cargos públicos, passando pelo limite do número de ministérios possíveis num governo constitucional, são muitas e de ampla latitude as propostas de alteração que apresentamos no âmbito do sistema político português.”

Acrescenta-se ainda na proposta de alteração da lei fundamental que “a alteração da composição da Assembleia da República para um número entre 100 e 180 deputados implicará, naturalmente, uma reforma da legislação eleitoral em vigor que, não sendo desta sede, deve ser debatida na Assembleia da República.” O efeito desta redução não deve provocar a redução, ainda maior, da representatividade dos distritos menos populosos, mas antes impulsionar que acabe o fenómeno dos “votos perdidos”, por exemplo, através da criação de um círculo nacional de compensação.

Na ótica do CHEGA e de André Ventura, um Governo e uma Assembleia da República mais pequenos dão o sinal correto aos cidadãos, sendo que um Governo grande e um parlamento desmesuradamente grande não são sinónimos de boa governação e bom gasto dos dinheiros públicos.

O CHEGA já apresentou também outras propostas no passado que se prendem com a redução do ordenado dos políticos, sendo “um gesto de solidariedade muito concreto da classe política para com os mais pobres”. Aquando desta proposta, o Presidente do CHEGA referia que “num país onde se morre numa lista do SNS à espera de um ato médico, onde os polícias para defender as suas vidas precisam de tirar do seu orçamento familiar para comprar coletes à prova de bala, onde cada vez mais pessoas vivem na rua, onde idosos deixam de comer para poderem comprar medicamentos; não é justo que os políticos não sejam solidários para com estes portugueses”.

Os 50 deputados do CHEGA não conseguem aprovar por si só as propostas que irão apresentar, mas existe uma enorme expectativa quanto às dinâmicas parlamentares que se vão criar em torno destas matérias.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA disse esta terça-feira que terá sido por pressão do PS que o presidente do Tribunal Constitucional comunicou a decisão de renunciar às funções e defendeu que o parlamento deve marcar já a eleição dos novos juízes.
O presidente do CHEGA criticou hoje o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à Operação Influencer com "motivos fúteis" e perguntou de que "tem medo" o partido de Luís Montenegro, reiterando que a forçará a partir de setembro.
A Assembleia Municipal de Oeiras rejeitou uma proposta apresentada pelo CHEGA que defendia a transmissão pública das reuniões da Câmara Municipal e das Assembleias de Freguesia do concelho.
O CHEGA entregou este domingo a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para impedir o enfraquecimento das competências do Tribunal de Contas (TdC) e manter o atual sistema de visto prévio sobre contratos públicos.
O presidente do CHEGA contestou a maioria de direita a reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade, apesar do chumbo do Tribunal Constitucional, defendendo que, em alternativa, deve ser realizado um referendo sobre esta matéria.
O CHEGA apresentou um projeto de lei na Assembleia da República para eliminar vários benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos, defendendo que não faz sentido existirem “privilégios” para estruturas partidárias enquanto os contribuintes enfrentam uma carga fiscal cada vez mais elevada.
Uma nova sondagem da Aximage revela que a maioria dos portugueses concorda com a proposta do CHEGA para baixar a idade da reforma. Segundo os dados divulgados, 69% dos inquiridos apoiam a medida defendida por André Ventura.
Luís Montenegro afirmou que a situação económica e financeira de Portugal está melhor do que a da Alemanha, declarações que estão já a gerar críticas e incredulidade nas redes sociais.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para reforçar os poderes das Polícias Municipais, permitindo clarificar legalmente a detenção de suspeitos em flagrante delito e a sua entrega imediata à PSP ou à GNR.