Xi ordena ao banco central da China que recompre dívida pública

O presidente chinês, Xi Jinping, ordenou ao banco central da China que retome a compra de títulos de dívida do Estado, pela primeira vez em cerca de duas décadas, noticiou hoje o jornal South China Morning Post.

©Facebook/XiJinping

“É necessário preencher a caixa de ferramentas da política monetária. O Banco Popular da China deve aumentar gradualmente as suas transações de obrigações do Tesouro nas operações de mercado aberto”, afirmou, num discurso sobre o trabalho financeiro, proferido em outubro do ano passado e recentemente publicado.

No entanto, nos cinco meses que se seguiram, os registos públicos mostram que o banco central ainda não começou a comprar esses títulos no mercado aberto.

O jornal qualificou esta instrução de “pouco frequente e inesperada”, uma vez que, desde o início do século, o banco central recorreu a outros métodos, como os instrumentos de reempréstimo ou a redução das reservas bancárias, quando necessitou de injetar liquidez nos mercados.

“O Banco Popular deve implementar corretamente as políticas monetárias e proteger a estabilidade geral do mercado financeiro”, afirmou Xi, durante uma conferência quinquenal sobre o trabalho financeiro, apelando para a estabilização da política monetária e manutenção de um nível de liquidez “razoavelmente amplo”, enquanto pediu mais crédito para segmentos como a indústria avançada, inovação tecnológica, desenvolvimento ecológico e para as pequenas empresas.

Ding Shuang, analista do Standard Chartered, sublinhou que a compra de obrigações do Tesouro nos mercados secundários – a legislação nacional proíbe as compras definitivas – seria um “instrumento fácil e eficaz” para aumentar a liquidez, estimular a atividade económica e reforçar a curva de rendimentos dos títulos do Tesouro chinês.

Mas não se trata de uma “monetização” do défice orçamental ou de uma “flexibilização quantitativa ao estilo ocidental”, afirmou, referindo-se às aquisições nos mercados obrigacionistas comuns nos mercados desenvolvidos.

Ding disse que o banco central não utilizou este instrumento durante muitos anos porque as autoridades não queriam alimentar a especulação sobre medidas de estímulo agressivas, mas agora estão a tentar aumentar o apoio político e o financiamento do banco central.

Neste sentido, o Governo vendeu 1 bilião de yuan (127,877 mil milhões de euros) em obrigações adicionais em 2020 e 2023, respetivamente, e anunciou este ano um montante idêntico para a emissão, nos próximos anos, de obrigações do Tesouro especiais de duração “ultra-longa”.

O governador do banco central, Pan Gongsheng, afirmou esta semana que a China continua a dispor de “vários instrumentos” para garantir que cumprirá com os seus objetivos económicos.

Um dia depois, um dos seus adjuntos, Xuan Changneng, deu a entender que Pequim não vai apostar na flexibilização quantitativa, considerando mais eficaz a atual combinação de instrumentos de liquidez e de atribuição de crédito, avançando com novas reduções das reservas obrigatórias dos bancos.

Últimas de Economia

Os preços globais dos alimentos registaram uma subida média de 4,3% em 2025, anunciou hoje a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
O número de despedimentos coletivos comunicados aumentou cerca de 16% até novembro de 2025, face ao período homólogo, totalizando 515, o que supera o total de todo o ano de 2024, segundo dados divulgados hoje pela DGERT.
O consumo diário de energia elétrica em Portugal voltou a bater recordes esta semana, atingindo na quinta-feira um novo máximo histórico de 192,3 Gigawatt-hora (GWh), segundo dados da REN divulgados hoje.
As exportações de bens caíram 1,7% e as importações recuaram 7,9% em novembro de 2025, em termos homólogos, acumulando um crescimento de 0,6% e 4,3% desde o início do ano, divulgou hoje o INE.
Os custos de construção de habitação nova aumentaram 4,5% em novembro face ao mesmo mês de 2024, com a mão-de-obra a subir 8,7% e os materiais 1,0%, segundo estimativa hoje divulgada pelo INE.
A criação de novas empresas atingiu um máximo histórico em 2025, ano em que foram constituídas de 53.030 empresas, mais 3,1% que em 2024, de acordo com o Barómetro da Informa D&B divulgado hoje.
As compras nos centros comerciais com pagamento eletrónico cresceram 10% em 2025, com os fins de semana a representarem mais de um terço da faturação, indica um estudo realizado para a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC).
A taxa de desemprego aumentou, em novembro de 2025, para os 6,3% na zona euro e os 6,0% na União Europeia (UE), face aos, respetivamente, 6,2% e 5,8% do mesmo mês de 2024, divulga hoje o Eurostat.
O consumo do sistema elétrico nacional bateu recordes esta terça-feira, ultrapassando pela primeira vez os 10 gigawatts (GW), segundo dados da REN, numa altura em que uma grande parte do país estava sob aviso amarelo devido ao frio.
Apesar de milhares de jovens terem recorrido à garantia pública para comprar casa, só um banco precisou de ativar o apoio do Estado desde o início da medida.