Submarino Arpão navega pela primeira vez debaixo do gelo Ártico em missão da NATO

O ‘Arpão’ vai ser o primeiro submarino nacional a navegar por baixo do gelo Ártico, no âmbito de uma missão da NATO no Atlântico Norte que visa dissuadir “quem pensa” que pode estender o conflito além da Ucrânia.

© Facebook da Marinha Portuguesa

O submarino, com uma guarnição de 36 militares, partiu hoje da Base Naval de Lisboa, situada em Almada, distrito de Setúbal, rumo à operação ‘Brilliant Shield’, da Aliança Atlântica.

Aos jornalistas, na cerimónia de despedida, o Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Henrique Gouveia e Melo, salientou que esta missão “tem uma importância elevada” para a Marinha porque é a primeira vez que um submarino português vai operar “por baixo do gelo Ártico”.

“Vamos operar numa zona que é a entrada normal de navios opositores dentro do Atlântico, que de alguma forma faz uma barreira a essa entrada no Atlântico”, explicou.

Depois de no verão do ano passado o Arpão ter passado 120 dias numa missão no Atlântico Sul, na primeira vez que um submarino nacional cruzou a linha do Equador, agora a Marinha quer mostrar aos Aliados que consegue operar num cenário oposto, debaixo de gelo.

Além disso, afirmou Gouveia e Melo, “Portugal com este tipo de missão responde ‘presente’ a quem tenha intenções e acredite que tem a possibilidade de agredir a NATO, agredindo também a Europa”.

“Estas missões dão um sinal muito claro de dissuasão a quem pensa que poderá estender o conflito além do que está a acontecer na Ucrânia neste momento”, avisou.

O comandante da missão, o capitão-de-fragata Taveira Pinto, apontou que o submarino vai navegar até uma zona desconhecida e à qual os submarinistas não estão habituados, que terá características diferentes quanto à “densidade da água, da coluna da água, da propagação do som”.

“Isso obrigou-nos a um planeamento e a um estudo pormenorizado. Não o fizemos sozinhos, fizemos com os países aliados, nomeadamente os Estados Unidos da América, o Canadá e a Dinamarca para irmos mais bem preparados”, frisou.

Na guarnição vão três alunos do curso de submarinista, entre eles o engenheiro naval Daniel Santos Baptista, de 24 anos, que parte pela primeira vez numa missão.

Daniel Santos afirmou que a sua preparação é “definitivamente mais mental” do que física, nomeadamente no que diz respeito ao “conhecimento da plataforma e de procedimentos de segurança”.

“Neste momento estou na parte da formação, portanto, estou a aprender o máximo sobre o submarino, sobre a vida a bordo”, afirmou.

Mais experiente, a sargento Paula Oliveira, 39 anos, visivelmente emocionada, afirmou que as missões preparam-se todas “com o mesmo rigor”, onde quer que sejam.

“A única diferença aqui é o desconhecido, é aquilo que nós não sabemos que vamos encontrar”, sublinhou a militar, uma das duas mulheres a bordo.

A sargento é responsável pelo sistema de combate e garante que “tudo está a funcionar inclusive os sonares” que são os “olhos” do submarino quando está submerso.

Na cerimónia estiveram vários familiares dos militares que hoje partiram em missão.

O regresso está marcado para o dia 19 de junho.

Últimas do País

Doze pessoas foram detidas, uma delas constituída arguida, por suspeita de tráfico de estupefacientes em Lamego e Tarouca, segundo a GNR.
Os estudantes de Medicina alertaram hoje para falhas na plataforma de escolha de vagas do internato médico, após candidatos relatarem acesso antecipado a informações que, segundo a ACSS, resultaram de uma simulação técnica.
A Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM apelou ao Governo para alterar com urgência a portaria que regula o transporte de doentes, adequando-a ao novo modelo que retirou competências de acreditação de formação ao INEM.
A ação humana continua a ser a causa preponderante e preocupante nos incêndios rurais na Região de Leiria, disse à agência Lusa o comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil, Carlos Guerra.
A pensão média de velhice em Portugal não chega para pagar metade da mensalidade de um lar. Com preços médios de 1.717 euros por mês e falta de vagas comparticipadas, milhares de famílias enfrentam dificuldades para assegurar cuidados aos mais velhos.
Um esquema de manipulação de processos de insolvência terá permitido obter 9,5 milhões de euros, segundo noticia o Jornal de Notícias. O caso levanta suspeitas sobre a utilização dos mecanismos judiciais destinados a resolver situações de falência para alcançar benefícios financeiros indevidos.
Mais de metade dos participantes num barómetro da Intercampus considera que Marcelo Rebelo de Sousa teve influência indevida no caso das gémeas luso-brasileiras tratadas no Hospital de Santa Maria. Apenas 26,7% rejeitam essa possibilidade, enquanto 18,9% não manifestam opinião.
Dois movimentos brasileiros de orientação comunista revolucionária, associados à extrema-esquerda, estão sob vigilância da Polícia Judiciária (PJ) e do Serviço de Informações de Segurança (SIS). A Unidade Popular pelo Socialismo e o Movimento Olga Benário despertaram a atenção das autoridades devido à sua presença nos protestos pela habitação.
O presidente do CHEGA acusa grupos de extrema-esquerda de se infiltrarem nas manifestações pela habitação para provocar confrontos com a polícia. Ventura defende a atuação das forças de segurança e exige medidas urgentes no Orçamento do Estado, rejeitando reuniões políticas sem soluções concretas.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) alertou que mais de 60 ambulâncias do INEM estão em oficinas sem ordem de reparação, suspeitando que o instituto pretende substituí-las por viaturas ligeiras.