MP recorre da decisão que negou contrato de trabalho a 27 estafetas da Glovo

O Ministério Público vai recorrer da decisão que negou o direito a contrato de trabalho a 27 estafetas da plataforma Glovo, anunciou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

© D.R.

Em resposta à Lusa, a PGR confirmou que “o Ministério Público vai recorrer da decisão”.

O Juízo do Trabalho de Portimão, da comarca de Faro, negou a existência de uma relação contratual entre 27 estafetas e a plataforma digital Glovo, rejeitando o reconhecimento de um contrato de trabalho, como pedido pelo Ministério Público (MP).

A decisão do tribunal da comarca de Faro, datada de 05 de abril e a que a Lusa teve acesso, recusa o reconhecimento da relação laboral pedida pelo MP, argumentado que não estão reunidos os pressupostos exigidos no Código do Trabalho.

Considerou também o juízo do trabalho de Portimão como provado um “conjunto de elementos” que “apontam no sentido da inexistência de uma relação com caráter de subordinação” entre os estafetas e a empresa.

O juiz Filipe Aveiro Marques não considerou provado que haja uma fixação de preço prestado pela empresa, argumentando que os estafetas podem recusar a realização do serviço inclusivamente por não concordarem com o preço, que o tribunal entende que é apresentado como uma proposta, não uma imposição, havendo também a possibilidade de o estafeta alterar o custo na plataforma para um valor que lhe seja mais benéfico.

O tribunal entende também que a plataforma não impõe aos estafetas regras para a forma como prestam o serviço, não controla a prestação da atividade, não impõe horários de trabalho e permite que os estafetas trabalhem para outras plataformas e considerou não provado que os instrumentos de trabalho, como telemóveis, mochilas isotérmicas e veículos, pertençam à empresa.

Já “em sentido contrário”, o tribunal aponta como provada a existência de um regime fiscal de prestadores de serviços, “que não é o dos trabalhadores dependentes”, a ausência de exclusividade, a possibilidade de os estafetas definirem o seu horário e local de trabalho, assim como o poder para subcontratarem um prestador que os substitua.

Contactada pela Lusa, a Glovo afirmou que o tribunal de Portimão “avaliou corretamente” ao decidir que o seu modelo de operação, “enquanto plataforma tecnológica de intermediação”, não tem características “que possam fazer presumir a existência de contrato de trabalho”.

“Esta sentença confirma aquilo que sempre defendemos: o distinto modelo de funcionamento da aplicação da Glovo segue os critérios estabelecidos na lei. Os estafetas que se decidem ligar à aplicação são trabalhadores independentes, que escolhem, livremente, quais os serviços a prestar e a quem, bem como o local, a forma e o momento em que o pretendem fazer”, defendeu a Glovo, que acrescentou estar “otimista que outras sentenças terão o mesmo desfecho”.

No início de fevereiro, numa decisão inédita em Portugal, o tribunal judicial da comarca de Lisboa reconheceu pela primeira vez a existência de um contrato de trabalho entre um estafeta e a Uber Eats Portugal, plataforma de entrega de refeições ao domicílio concorrente da Glovo, após o MP ter interposto uma ação com esse objetivo e na sequência de uma inspeção da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

Na altura, o tribunal de Lisboa fez para aquele caso uma interpretação em quase tudo divergente do que agora foi decidido no processo relativo à Glovo, considerando haver um controlo da atividade do prestador pela plataforma, restrições à recusa e aceitação de serviços e fixação da retribuição do estafeta, concluindo que a Uber Eats Portugal “não é uma mera intermediária na contratação de serviços entre estabelecimentos comerciais e estafetas”.

Últimas do País

A PSP anunciou hoje que efetuou 15 detenções em três dias, por suspeita de crimes de violência doméstica, tráfico de estupefacientes, furto e infrações rodoviárias, que terão ocorrido em Coimbra e na Figueira da Foz.
A Câmara de Leiria aprovou hoje uma moção a exigir a reposição integral da energia e das comunicações em todas as freguesias do concelho, reclamando a melhoria estrutural destas infraestruturas.
As salas de cinema acolheram 842.209 espectadores em fevereiro, o que representa um aumento de 6% face a igual mês de 2025, revelou hoje o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).
Jovem ameaçou a vítima com uma faca de cozinha e roubou-lhe 40 euros em numerário e um cartão bancário, fugindo de seguida para um estabelecimento comercial.
Seis imigrantes irregulares em Portugal foram notificados pela PSP no âmbito de uma ação de fiscalização na sexta-feira na zona de Lisboa que envolveu várias polícias e autoridades e que visou a imigração ilegal, adiantou a Polícia Marítima.
A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez (AHBAV) revelou hoje que o comandante Filipe Guimarães cessou as funções que desempenhava há 13 anos por motivos de ordem profissional.
A Polícia Judiciária (PJ) vai investigar a origem do incêndio que deflagrou na madrugada deste domingo, nas instalações do hotel do empreendimento turístico "Na Praia", em Troia, no concelho de Grândola, sem causar vítimas, propriedade de Sandra Ortega, herdeira do império Zara.
Os prejuízos causados pelo mau tempo nos oito concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) ascendem aos 86 milhões de euros (ME), revelou hoje o seu presidente.
A PSP inicia hoje a operação “Vive na Real! – Não na Dependência”, para sensibilizar os alunos do 3.º ciclo do ensino básico e secundário para os perigos do consumo de substâncias psicoativas e da adição aos videojogos.
Investigadores da Universidade Nova de Lisboa descobriram como uma enzima natural capta e reduz o dióxido de carbono (CO2), abrindo caminho para uma "nova geração de tecnologias" para combater as alterações climáticas, foi hoje divulgado.