Ministra brasileira diz ser inegável “necessidade de uma reparação” de Portugal

A ministra da Cultura do Brasil disse à Lusa, na terça-feira, que “não há como negar a necessidade de uma reparação” de Portugal pelo período colonial.

© Facebook de Margareth Menezes

Ao ser questionada sobre o debate levantado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a necessidade de reparações portuguesas, Margareth Menezes considerou que “as ações estão registadas na história” e por isso “não há como negar a necessidade de uma reparação”.

À margem da inauguração da exposição “Arte no Jardim”, na Embaixada de Portugal em Brasília, para assinalar os 50 anos do 25 de Abril, a responsável brasileira considerou que tal ação por parte das autoridades portuguesas seria “uma ação de força, de coragem e de exemplo para as novas gerações”.

“Aqui também, no Brasil, o Presidente Lula tem falado dessa questão, de reparação, de reconhecimento, ao que foi feito ao povo afro-brasileiro, às pessoas negras que vieram escravizadas para cá, também em relação aos povos indígenas”, afirmou.

Margareth Menezes disse ainda ter ficado muito feliz quando ouviu as “declarações corajosas” de Marcelo Rebelo de Sousa: “Essa reparação é importante porque engrandece um povo, principalmente diante das suas novas gerações”.

Em causa estão declarações feitas a 23 de abril, durante um jantar com correspondentes estrangeiros em Portugal, Marcelo afirmou que o país deveria “assumir a responsabilidade total” pelo que fez no período colonial e “pagar os custos”, desencadeando reações diversas tanto nos partidos portugueses, como nas antigas colónias.

Mais tarde, o Governo português vincou que “não esteve e não está em causa nenhum processo ou programa de ações específicas com o propósito” de reparação pelo passado colonial português e defendeu que se pautará “pela mesma linha” de executivos anteriores.

A ministra da Cultura brasileira participou, na Embaixada de Portugal em Brasília, na inauguração da exposição “Arte no Jardim”, que apresenta 11 obras de artistas portugueses e brasileiros, no qual se pretende explorar questões e valores associados ao 25 de Abril.

“Sabemos que o exercício pleno da cidadania, da defesa da cultura, da arte perpassa a defesa da democracia. Sem cultura não há democracia e não há democracia sem cultura”, afirmou, no discurso, a ministra brasileira, lembrando como a imagem dos cravos dentro das armas marcou a sua infância.

Por outro lado, o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, ao dar início ao lançamento da exposição que celebra o 25 de Abril, frisou que foi a revolução portuguesa que “desencadearia a chamada terceira vaga das revoluções democráticas”.

“A democracia não é um dado adquirido, o populismo e diversas formas de reação antidemocrática ensombram o horizonte”, avisou o embaixador português.

Luísa Cunha, Paula Rego, Márcio Carvalho, Pedro Barateiro, Fernanda Fragateiro, Rui Chafes e Ana Vidigal são os artistas portugueses patentes nesta exposição, que conta ainda com a presença dos brasileiros Cecília Mori, Flávio Cerqueira e Paulo de Paula e José Maria Martinez Zaragoza, espanhol radicado no Brasil.

A noite na embaixada em Brasília foi ainda marcada pela celebração do Dia da Língua Portuguesa, oficialmente assinalado no domingo, num evento que contou ainda com a participação do músico Dino d’Santiago.

Últimas do Mundo

Várias pessoas ficaram feridas depois de um forte sismo ter atingido o sudoeste do Japão, provocando derrocadas de edifícios e incêndios, anunciou esta terça-feira a primeira-ministra, Sanae Takaichi.
Ataque junto à Porte de Clichy fez três feridas, duas delas em estado grave. Suspeito, de 31 anos, foi detido no local e está a ser investigado por tentativa de homicídio qualificado.
A polícia deteve um suspeito e procura outro na sequência de um tiroteio ocorrido no domingo à noite num festival gastronómico em Seattle, Estados Unidos, que causou a morte de três pessoas e feriu quatro.
O fogo de grandes proporções perto da cidade francesa de Bordéus, que obrigou à retirada de 220 mil pessoas, manteve-se estável durante a noite, disseram hoje as autoridades locais que mantêm as operações no local.
Bombeiros na região central de Espanha de Castela‑La Mancha lutavam ainda na quarta‑feira para controlar um incêndio florestal que já devastou mais de 32.000 hectares, um dos maiores de sempre no país.
Quatro ex-funcionários de uma das empresas de abastecimento de água britânicas foram acusados de manipular e falsificar controlos sobre a qualidade da água, anunciou hoje a agência do ambiente.
Um tribunal indonésio condenou hoje 18 mulheres e um homem a penas de prisão até seis anos pelo envolvimento numa rede de tráfico de bebés para Singapura.
O duplo sismo que abalou a Venezuela em 24 de junho causou a morte a 121 portugueses e lusodescendentes, de acordo com o mais recente balanço avançado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
O Ministério Público de Munique, na Alemanha, acusou hoje um jovem de 15 anos de planear um ataque com explosivos, afirmando que o seu principal alvo era uma sinagoga.
A Comissão Europeia multou hoje a chinesa AliExpress em 550 milhões de euros por falhas na avaliação e redução do risco de venda de produtos ilegais, inseguros ou contrafeitos na sua plataforma de comércio eletrónico.