Stoltenberg confia em uso “responsável” de armamento ocidental em território russo

O secretário-geral da NATO disse hoje confiar numa utilização “responsável e de acordo com o direito internacional”, por parte da Ucrânia, do armamento doado pelo Ocidente e usado em território russo, após um alívio parcial norte-americano.

© Facebook de Jens Stoltenberg

 

“Muitos Aliados deixaram claro que aceitam que a Ucrânia esteja a utilizar as armas que recebeu para se defenderem, inclusive atacando alvos imediatos dentro da Rússia, especialmente quando esses equipamentos militares são utilizados em ataques diretos em solo russo, [mas] todos esperamos que isso seja feito de acordo com o direito internacional e de forma responsável”, afirmou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), Jens Stoltenberg.

Nas declarações prestadas à chegada ao segundo e último dia da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, na cidade checa de Praga, o responsável escusou-se a especificar, mas reforçou: “É claro que todos partimos do princípio de que isso será feito de uma forma responsável”.

Jens Stoltenberg salientou que “a Rússia atacou a Ucrânia e esta tem o direito de se defender, o que inclui também atacar alvos militares ilegítimos dentro da Rússia”, assinalando ser “muito difícil para a Ucrânia defender-se se não lhe for permitido utilizar armas avançadas para repelir esses ataques”.

A posição surge depois de, na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter dado autorização à Ucrânia para que use armamento de origem norte-americana para atacar alvos russos, desde que limitados à defesa da cidade de Kharkiv, mantendo-se a política de Washington de que a Ucrânia não deve utilizar armas provenientes dos EUA para atacar dentro das fronteiras russas.

Também na quinta-feira, Jens Stoltenberg havia pedido aos Aliados que revejam as restrições colocadas ao armamento ocidental usado pela Ucrânia em território russo, sugerindo que as limitações poderiam ser “reconsideradas” dada a evolução da guerra.

Na última semana, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um apelo para que o país possa utilizar armamento disponibilizado pelo Ocidente para atingir posições militares no território russo.

A questão está longe de ser consensual e há vários países do bloco político-militar que querem continuar a limitar a utilização do armamento ocidental à defesa ucraniana no seu próprio território.

Ataques ao território russo com armamento fornecido pelo Ocidente poderiam ser interpretados pelo Kremlin como um envolvimento direto no conflito e levar a uma escalada.

A República Checa, Finlândia, Canadá e Polónia já anunciaram que não se opõem à utilização do armamento que enviaram para a Ucrânia para atingir o território russo.

Na quarta-feira, o ministro português da Defesa, Nuno Melo, considerou que “qualquer pessoa normal” compreenderia a utilização de armamento por parte da Ucrânia, em “ações defensivas”, contra alvos militares em território russo, uma posição pessoal que disse não comprometer o Governo.

Nas declarações de hoje em Praga, Jens Stoltenberg referiu que o encontro dos chefes da diplomacia da NATO servirá ainda para “discutir os preparativos para a cimeira de julho”, nomeadamente no que toca ao reforço do apoio à Ucrânia e quando “os Aliados têm prestado um apoio sem precedentes à Ucrânia”.

Na passada terça-feira, foi assinado em Lisboa um acordo de cooperação e segurança com a Ucrânia que prevê o compromisso de Portugal fornecer a Kiev apoio militar de pelo menos 126 milhões de euros este ano, incluindo contribuições financeiras e em espécie.

A invasão russa do território ucraniano foi lançada a 24 de fevereiro de 2022.

Últimas do Mundo

A população da União Europeia (UE) deverá diminuir 11,7% (53 milhões de pessoas) entre 2025 e 2100, segundo uma projeção hoje divulgada pelo Eurostat.
A Filial do DBS Bank em Hong Kong comprou seis pisos do arranha-céus The Center por 2,62 mil milhões de dólares de Hong Kong (285 milhões de euros), na maior transação de escritórios registada este ano na região.
A emissora pública britânica BBC revelou hoje um esquema fraudulento utilizado para obter asilo no Reino Unido, através do qual requerentes alegam ser homossexuais e estar sujeitos a perseguição legal ou social nos respetivos países de origem.
Um português de 41 anos foi brutalmente atacado com uma faca por um homem de origem marroquina, após tentar impedir atos de vandalismo, ficando com um corte profundo no rosto.
Os dados mais recentes sobre terrorismo na União Europeia mostram um cenário inegável: a maioria dos ataques registados nos últimos anos está associada à extrema-esquerda e a grupos anarquistas.
A mulher do primeiro-ministro espanhol foi processada por quatro crimes por um juiz de instrução de Madrid, que propôs que seja julgada por um júri popular, segundo um despacho conhecido hoje.
Os preços mundiais do café subiram 2,3% em março, após três meses consecutivos de quedas, num contexto de "choque geopolítico" provocado pelo conflito no Médio Oriente e pelo bloqueio do estreito de Ormuz.
A Polícia Marítima informou hoje que detetou e intercetou no domingo uma embarcação com 35 migrantes a bordo, ao largo da ilha grega de Gavdos, no âmbito de uma operação da agência europeia Frontex.
A Comissão Europeia afirmou hoje que não há riscos imediatos no abastecimento de gás para a União Europeia, mas avisou que a guerra no Médio Oriente vai ter “consequências a longo prazo” no fornecimento dessa fonte de energia.
Várias plataformas digitais garantiram que vão continuar a rastrear conteúdos de abuso sexual de crianças 'online', apesar do fim, no dia 03 de abril, do regime europeu que enquadrava legalmente a deteção e denúncia destes conteúdos.