Rotas migratórias de África mais mortais do que as do Mediterrâneo central

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje que as rotas que levam os migrantes do Saara às costas do norte de África do Mediterrâneo são mais perigosas, com mais risco de sequestro, violência física e sexual e morte.

© Facebook Open Arms

Um novo relatório – intitulado “Nesta viagem não nos importamos que viva ou morra” – estima que “duas vezes mais pessoas morrem” nestas rotas terrestres do que na rota marítima do Mediterrâneo Central, que leva à Europa, onde desde o início do ano já se registaram quase 800 mortes.

Mesmo reconhecendo os limites das estatísticas relativas às rotas terrestres, a falta de dados suficientes resulta em milhares de mortes todos os anos, refere.

“Cada pessoa que atravessou o Saara vai contar o que viu cadáveres, corpos abandonados” no deserto, explica Vincent Cochetel, enviado especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para o Mediterrâneo Ocidental e Central, durante uma conferência de imprensa em Genebra.

Na ausência de estruturas de apoio adequadas e de um verdadeiro sistema de investigação e assistência, estes migrantes estão geralmente condenados à morte, refere o documento da ONU.

Este novo relatório, que se baseia em entrevistas a mais de 30.000 migrantes ou refugiados transportados entre 2020 e 2023, foi produzido em conjunto pelo ACNUR, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Centro Conjunto de Migrações, para permitir prestar uma assistência mais eficaz, mas também informar melhor os líderes políticos e encontrar respostas adequadas para este fenómeno.

Apesar dos perigos, mais pessoas estão a fugir, em parte devido “à deterioração da situação nos países de origem e nos países de acolhimento – nomeadamente a eclosão de novos conflitos no Sahel e no Sudão, o impacto devastador das alterações climáticas e novas e longas emergências persistentes no Leste e no Corno de África”, refere um comunicado de imprensa da ONU.

Outras razões para a saída são “o racismo e a xenofobia que afetam refugiados e migrantes”, refere.

Mais uma vez, faltam estatísticas precisas, mas os dados do ACNUR mostram, por exemplo, que o número de chegadas à Tunísia triplicou entre 2020 e 2023.

“Não se trata de encorajar as pessoas a embarcarem nesta viagem perigosa, mas de encontrar soluções de proteção para lidar com os abusos e violações de que são vítimas”, explicou Vincent Cochetel.

O responsável do ACNUR lembrou que a grande maioria destes migrantes e refugiados não pretende ir para a Europa.

Por razões éticas, as perguntas do inquérito centraram-se na perceção do risco e não na experiência real.

O principal risco citado por 38% das pessoas entrevistadas para este relatório está relacionado com a violência física. O risco de morrer é citado por 14% e a violência sexual é mencionada por 15% dos entrevistados.

Cochetel referiu ainda que os sequestros são mencionados por 18% dos entrevistados.

O responsável estima igualmente que o número de vítimas de tráfico de órgãos em várias “centenas”. Há quem, por exemplo, venda um rim para sobreviver, mas também há quem seja simplesmente vítima de roubo.

“Na maioria das vezes, as pessoas são drogadas, o órgão é removido sem o seu consentimento e elas acordam com um rim a menos”, disse Cochetel, lembrando que esta era uma prática antiga e conhecida.

Em alguns países existe até publicidade para incentivar a venda de órgãos, sublinha.

Últimas do Mundo

A plataforma de transmissão de vídeos YouTube admitiu que está a sofrer hoje interrupções em vários países, incluindo Portugal e os Estados Unidos.
O Governo de Espanha desbloqueou hoje 7.000 milhões de euros de ajudas a pessoas, empresas e municípios afetadas pelas tempestades das últimas semanas no país.
A Comissão Europeia iniciou hoje uma investigação formal à chinesa Shein por suspeitas de design aditivo, falta de transparência nas recomendações e venda de produtos ilegais na União Europeia (UE), incluindo conteúdos associados a abuso sexual de menores.
Peritos da ONU defendem hoje que os arquivos do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein mostram atrocidades de tal magnitude, carácter sistemático e alcance transnacional que poderiam ser consideradas legalmente como “crimes contra a humanidade”.
A rede social X, anteriormente Twitter, voltou ao normal por volta das 14h30 de hoje, após sofrer uma quebra em vários países uma hora antes, incluindo Estados Unidos, Portugal e Espanha, por causas ainda desconhecidas.
A Comissão Europeia foi alvo de buscas policiais em Bruxelas devido a suspeitas na venda de 23 imóveis ao Estado belga em 2024. A investigação está a cargo do Ministério Público Europeu, que confirmou diligências de recolha de provas.
Dados recentes da agência europeia FRONTEX indicam que, entre 2024 e 2025, mais de 100 mil pessoas entraram ilegalmente em Espanha pelas rotas do Mediterrâneo Ocidental e das Canárias. Cerca de 73% provêm de países sem conflitos armados generalizados.
As perdas seguradas por catástrofes naturais atingiram em 2025 os 127.000 milhões de dólares (cerca de 106.681 milhões de euros), ultrapassando os 100.000 milhões de dólares pagos pelo setor segurador pelo sexto ano consecutivo.
Uma operação policial europeia que incluiu 18 países e foi liderada por Áustria, Portugal e Espanha impediu a entrada em circulação de cerca de 1,2 mil milhões de euros em notas e moedas falsas de várias divisas.
A Comissão Europeia propôs hoje a criação de uma aplicação para reportar casos de cyberbullying e instou os Estados-membros a desenvolverem uma abordagem comum para combater o fenómeno, que atinge uma em seis crianças.