FNAM diz que acordo é uma traição aos médicos que trabalham no SNS

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) afirmou hoje que o acordo alcançado entre o Sindicato Independente dos Médicos e o Governo é uma traição aos profissionais que trabalham no Serviço Nacional de Saúde.

© Facebook / FNAM

“Isto é uma traição a todos os médicos que trabalham no SNS [Serviço Nacional de Saúde]”, disse a presidente da Fnam, Joana Bordalo e Sá, que falava à agência Lusa depois de na segunda-feira ter sido anunciado um acordo entre o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o Governo nas negociações sobre a carreira daqueles profissionais de saúde, que prevê um aumento salarial médio de 10% até 2027.

Para a dirigente sindical, o acordo alcançado não vai ao encontro das expectativas dos médicos e não irá “trazer mais médicos para o Serviço Nacional de Saúde”.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, está “a trair os médicos, no sentido em que não lhes garante nem salários que sejam justos para ficarem no Serviço Nacional de Saúde, nem a verdadeira melhoria das suas condições de trabalho”, acusou.

Sobre o aumento salarial médico previsto no acordo, Joana Bordalo e Sá recorda que, caso o poder de compra dos médicos na última década fosse reposto, o aumento médio teria de ser de 20%, quando o acordo é “metade e distribuído ao longo de três anos”.

“Na prática, não vai melhorar em nada a tabela salarial dos médicos, que vão continuar a ser dos médicos mais mal pagos a nível europeu e vai continuar a fazer com que haja médicos a sair para o setor privado, onde a remuneração é mais apetecível, e também para o estrangeiro”, disse.

A presidente da Fnam notou ainda que há várias questões que não são resolvidas com o acordo entre SIM e Governo.

O acordo não repõe as 35 horas de trabalho semanal, não assegura uma avaliação justa e célere, não está prevista a reintegração dos médicos internos na carreira médica e “veda o acesso da maioria dos médicos” à categoria de assistente graduado sénior, afirmou, referindo que ficam também de fora questões como a reposição dos 25 dias de férias ou a atribuição do estatuto de profissão de desgaste rápido.

Joana Bordalo e Sá disse que a Fnam irá continuar a luta, considerando que, para isso, é necessária uma negociação “que seja séria e que seja competente”, recordando que já acionaram mecanismos para assegurar que o Governo negoceia com aquela que é a estrutura sindical “que mais médicos representa”.

A presidente da Fnam afirmou que poderão surgir novas formas de luta em 2025, algo que só irá acontecer “porque a Federação Nacional dos Médicos será empurrada para isso”.

“Neste momento, aguardamos que a lei seja cumprida e que o Ministério da Saúde não se mantenha nesta violação e que seja dada continuidade a uma negociação que seja capaz, de uma vez por todas, de trazer mais médicos para o SNS”, disse.

Na segunda-feira, a Fnam acionou os “mecanismos legais disponíveis” para garantir o cumprimento da negociação coletiva, alegando que a recusa da ministra em negociar com a Fnam constitui “uma grave violação da lei”.

Últimas do País

A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a área da Medicina Física e Reabilitação chegou aos 179,6 milhões de euros em 2024, um aumento de 59,2% relativamente a 2021, segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
A taxa de prevalência de consumo de droga em situação de reclusão estabilizou ou aumentou em 2023 e no caso dos centros educativos as raparigas apresentam padrões de consumos de droga e álcool de maior risco que os rapazes.
Um homem de cerca de 90 anos foi encontrado hoje sem vida numa localidade na freguesia de São Pedro Sul, distrito de Viseu, onde tinha sido dado como desaparecido, avançaram à Lusa fontes da GNR e da Proteção Civil.
Dois cidadãos estrangeiros foram detidos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, por tráfico de estupefacientes. Os suspeitos traziam Ayahuasca, uma substância psicotrópica que tem efeitos alucinogénicos, para realizarem um ritual em território nacional.
O diretor do Departamento de Medicina Crítica (DMC) da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), Pedro Moura, demitiu-se do cargo invocando "falta de alinhamento estratégico" e "múltiplas situações de desrespeito institucional", foi hoje divulgado.
Um empresário angolano a cujas sociedades o Banco Espírito Santo Angola (BESA) terá emprestado 1,5 mil milhões de dólares disse hoje, em tribunal, que os financiamentos visaram a compra de terrenos em Angola, simultaneamente dados como garantia.
As recentes tempestades provocaram uma "erosão costeira acentuada" no Algarve, com perdas significativas de sedimentos, recuo da linha de costa e quedas de arribas, alertou hoje o investigador Óscar Ferreira, defendendo intervenções urgentes.
O presidente da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes, revelou esta quarta-feira, 18 de fevereiro, que há ainda quase 84 mil utilizadores sem comunicações na sequência do mau tempo.
As 4.310 candidaturas das empresas à linha de crédito à tesouraria criada na sequência do mau tempo somam cerca de 905 milhões de euros, para um montante de mil milhões de euros, anunciou hoje a Estrutura de Missão.
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) decidiu hoje, em Cascais, solicitar ao Governo o alargamento dos concelhos abrangidos por apoios aos danos das tempestades, isenção de portagens nas zonas mais afetadas e auxílio nas candidaturas das populações.