Tribunal de Contas utiliza inteligência artificial para avaliar risco e melhorar contratação pública

O Tribunal de Contas (TdC) avançou com a criação de um modelo de avaliação de risco dos contratos públicos baseado em inteligência artificial (IA) que permitirá a "melhoria do controlo da atividade pública", defendeu hoje a presidente da instituição.

© Site Tribunal de Contas

“A concessão e criação de um modelo transversal de avaliação de risco no âmbito da contratação pública contribuirá decisivamente para a melhoria do controlo da atividade pública, assente numa análise mais eficaz”, salientou Filipa Urbano Calvão, presidente do TdC, na Conferência “Melhorar a Eficiência e a Transparência da Contratação Pública — Controlo do Tribunal de Contas para uma Contratação Pública Eficiente em Portugal”, em Lisboa.

O modelo de avaliação de risco dos contratos públicos baseado em IA e análise de dados avançados, que resultou de um projeto que durou dois anos e teve a colaboração da Comissão Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), permitirá “identificar onde e o que analisar, a partir de um conjunto de indicadores precisos de risco”, explicou a responsável.

A automatização desse processo de identificação é uma oportunidade para “ações de controlo mais direcionadas”, destacou.

Filipa Urbano Calvão admitiu ainda que o recurso à ciência de dados e à inteligência artificial “traz desafios que não se podem ignorar”, pelo que é “crítica a garantia da qualidade dos dados, da transparência e a explicabilidade dos algoritmos e da proteção dos dados pessoais e da privacidade dos seus titulares”.

Tendo em conta estes desafios, é “dever do Tribunal implementar estas ferramentas de forma ética e responsável, garantindo que os resultados são fiáveis e respeitam os valores que orientam o trabalho” do TdC, concluiu.

A participar na conferência esteve também Kjartan Björnsson, diretor adjunto e chefe da Unidade de Governação e Administração Pública, da Direção-Geral de Apoio às Reformas Estruturais da Comissão Europeia, que destacou o significativo impacto económico da contratação pública em Portugal, tendo assumido um maior papel com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O modelo criado “reduziu o número de contratos que os auditores têm de rever manualmente”, salientou o responsável, sendo um exemplo de como as ferramentas apoiadas pela IA “podem ser utilizadas eficazmente na supervisão dos contratos públicos e sublinha também a necessidade de uma maior normalização e melhoria da qualidade dos dados”.

Por sua vez, János Bertók, diretor adjunto da Direção da Governação Pública da OCDE, apontou que este projeto é um “elemento chave em melhorar serviços públicos”, nomeadamente para melhorar o “potencial e inovação na contratação pública”.

“Todos os países estão a enfrentar esta transformação digital”, apontou, que está “no centro da modernização das ferramentas e plataformas digitais do setor público e mostra como racionalizar processos, aumentar a transparência e melhorar a supervisão”.

Para o responsável, “as tecnologias emergentes, como a IA, oferecem oportunidades interessantes para melhorar a governação pública, prestar melhores serviços e reforçar a confiança”.

Últimas de Economia

A bolsa de Lisboa fechou hoje em máximos, desde junho de 2008, avançando 1,13%, para 8.991,17 pontos, com a Teixeira Duarte e a Mota-Engil a liderar as subidas, crescendo 8,03% e 5,15%, respetivamente.
O Tribunal de Contas chumbou esta segunda-feira as contas da idD Portugal Defence de 2022 e detetou várias desconformidades em contratos celebrados durante a presidência de Marco Capitão Ferreira, incluindo empréstimos de 1,8 milhões sem autorização do Ministério das Finanças.
Os custos de construção de habitações novas aumentaram 4,0% em 2025 face a 2024, acelerando face ao aumento homólogo de 3,4% registado no ano anterior, ainda mais impulsionados pelo valor da mão-de-obra, estima hoje o INE.
A plataforma para pedir apoio à supervisão de habitações, em funcionamento desde quinta-feira, recebeu 623 candidaturas, num montante global de 4,5 milhões de euros, disse à agência Lusa o responsável pela estrutura de missão.
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) já recebeu indicações de prejuízos da ordem dos 130 milhões de euros, mas alerta que ainda não é possível “falar em números concretos”.
Todas as cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, assim como da região do Algarve, tornaram-se "inacessíveis" para uma família de rendimento médio que queira arrendar casa pela primeira vez, conclui um estudo da Century 21.
O dinheiro colocado pelos clientes particulares em depósitos atingiu 144,3 mil milhões de euros em 2025, o valor máximo desde 2003, o início da série, segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, mais 5.900 milhões de euros do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2014 (o início da série), segundo o Banco de Portugal.
Cerca de 116 mil clientes da E-Redes continuavam esta terça-feira às 12:00 sem fornecimento de eletricidade em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, informou a empresa.
O presidente da estrutura de missão para responder aos efeitos da depressão Kristin afirmou hoje que a plataforma para pedir apoios para a reconstrução das casas afetadas deverá ficar disponível online entre hoje e quarta-feira.