Inspeção do BdP aos preços do crédito à habitação decorre no 1.º semestre

O Banco de Portugal (BdP) está a levar a cabo uma inspeção, durante o primeiro semestre do ano, aos preços praticados pelos bancos no crédito à habitação, segundo informações recolhidas pela Lusa.

© D.R.

Na semana passada, na apresentação das contas de 2024, o presidente do BPI previu que haverá “concorrência feroz” entre bancos por crédito à medida que desçam as taxas de juro, mas também afirmou que isso terá de ser feito com racionalidade pois o Banco de Portugal está atento ao que os bancos fazem para garantir a sustentabilidade do setor financeiro e está mesmo a fazer auscultações para perceber como chegam aos seus preços.

Questionado pela Lusa, o Banco de Portugal disse que, no âmbito da sua atividade de supervisão, leva a cabo várias tarefas para verificar se os bancos cumprem as suas obrigações e seguem as melhores práticas internacionais e que aí pode intervir “para que eventuais falhas sejam corrigidas, sem nunca eximir as instituições das suas responsabilidades”.

“No acompanhamento regular das instituições, [o BdP] pode recorrer a várias técnicas de supervisão, podendo, se necessário, recorrer a inspeções ou análises temáticas”, disse fonte oficial do regulador e supervisor financeiro.

Ainda sobre a fixação de preços no crédito, recorda o BdP que desde 2021 há orientações da Autoridade Bancária Europeia (EBA) sobre a concessão e monitorização de empréstimos.

Essas orientações dizem respeito a requisitos da avaliação de solvabilidade de clientes, fatores a refletir no custo cobrado aos clientes, avaliação de garantias do empréstimo, entre outros.

De acordo com fontes do setor bancário contactadas pela Lusa, a inspeção que o BdP está a fazer aos preços praticados pelos bancos no crédito quer avaliar se os valores cobrados têm em conta os riscos e custos e decorrerá ao longo do primeiro semestre deste ano.

Os bancos contactados para esta inspeção (em que se encontram os maiores bancos, CGD, BCP, Novo Banco, BPI e Santander) selecionaram equipas de auditoria que estão a recolher os dados e a analisá-los.

Depois, essas equipas farão relatórios a entregar ao Banco de Portugal para que este faça a sua análise.

Em 2024, os bancos emprestaram 17,6 mil milhões de euros em crédito à habitação, mais 34% do que em 2023, o valor mais alto desde o início da série (dezembro de 2014), segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal esta terça-feira.

Para esta subida contribuiu sobretudo o crédito concedido a pessoas com menos de 35 anos, que representou 47% do montante de novos contratos para habitação própria permanente entre agosto e dezembro do ano passado.

A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação desceu de 4,19% em dezembro de 2023 para 3,20% em dezembro último (abaixo da média da zona euro).

Últimas de Economia

O dinheiro colocado pelos clientes particulares em depósitos atingiu 144,3 mil milhões de euros em 2025, o valor máximo desde 2003, o início da série, segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Os bancos emprestaram 23,3 mil milhões de euros em crédito à habitação em 2025, mais 5.900 milhões de euros do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2014 (o início da série), segundo o Banco de Portugal.
Cerca de 116 mil clientes da E-Redes continuavam esta terça-feira às 12:00 sem fornecimento de eletricidade em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, informou a empresa.
O presidente da estrutura de missão para responder aos efeitos da depressão Kristin afirmou hoje que a plataforma para pedir apoios para a reconstrução das casas afetadas deverá ficar disponível online entre hoje e quarta-feira.
O mês de janeiro de 2026 teve o maior consumo de energia elétrica de sempre registado no sistema nacional, segundo avançou hoje a REN - Redes Energéticas Nacionais.
O preço mediano dos 41.117 alojamentos familiares transacionados no terceiro trimestre de 2025 foi de 2.111 euros por metro quadrado, mais 16,1% que no mesmo período de 2024 e 2,2% acima do trimestre anterior, divulgou hoje o INE.
O Estado anunciou ajuda, mas o dinheiro não chegou a quem precisava. Em 2025, 1,2 milhões de euros destinados à botija de gás ficaram por gastar, apesar do aumento do preço e do recorde de beneficiários. Um apoio que existe no papel, mas falha na vida real.
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 332,3 milhões de euros em 2025, com um aumento de 37,4 milhões de euros face ao ano anterior, foi anunciado.
A empresa que gere o SIRESP vai receber este ano uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para garantir a gestão, operação e manutenção da rede de comunicações de emergência e segurança do Estado, anunciou hoje o Governo.
Mais de 42% dos créditos para a compra de casa por jovens até aos 35 anos em 2025 foram feitos ao abrigo da garantia pública para o financiamento da primeira habitação, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).