POLÍTICOS QUE DESVIEM DINHEIRO PÚBLICO DEVEM PERDER MANDATO

Após uma breve pesquisa, chega-se à conclusão que é no plano autárquico onde encontramos mais casos de corrupção, principalmente o crime de peculato.

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Desde a Operação Influencer, à Operação Marquês e Operação Tutti Frutti, dada como concluída, com o Ministério Público a acusar 60 arguidos (11 dos quais são empresas) pela prática de vários crimes de colarinho branco, com quatro presidentes de juntas de freguesia da capital acusados, dois vereadores da Câmara de Lisboa (PS e PSD) e dois deputados (PSD), que a corrupção tem andado de mãos dadas com titulares de cargos públicos inseridos na esfera socialista e social-democrata, durante os últimos 50 anos. Casos de prevaricação, suspeitas de lobbying e peculato, mais conhecido como, desvio de dinheiro, são três dos crimes que mais se têm tornado mediáticos, sendo que este último é considerado como um dos mais
alarmantes para o Presidente do CHEGA.
“Não podemos andar a brincar com o dinheiro dos portugueses.” A frase é utilizada, por várias vezes, por André Ventura que garante que “não descansa enquanto houver corrupção em Portugal.”
“Eu não tenho cura de querer ter um país livre de corrupção, não tenho cura de exigir responsabilidade”, declarou Ventura ao primeiro-ministro na quarta-feira, na Assembleia. Durante o debate quinzenal com Luís Montenegro, Ventura não poupou em acusações e começou por questionar os processos em Portugal que levam a que políticos de todos os partidos estejam em funções e em situações de “corrupção ou crimes graves”.
“Não podemos ter no seu exercício de funções pessoas que estão já com uma imputação gravíssima em cima, ou tenham contornado as regras para o exercício de funções e no uso de dinheiros públicos”, reforçou o líder do CHEGA. A verdade é que, após uma breve pesquisa, chega-se à conclusão que é no plano autárquico onde encontramos mais casos de corrupção, principalmente o crime de peculato.
Em outubro de 2020, o Jornal de Notícias escreveu: Ex-autarcas de Covelo acusados de desviar mais de 152 mil euros; um ano antes, em janeiro de 2019, o Correio da Manhã deu conta do início do julgamento de ex-autarcas da extinta Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios, em Lisboa, por desviarem 316 mil euros; em 2022, o Jornal de Leiria avançou com outro caso: Presidente da Junta de Foz do Arelho e quatro ex-autarcas julgados por desvio de dinheiro da freguesia; em dezembro do ano passado, a RTP adiantou que o “Ministério Público acusou de peculato três antigos administradores dos Transportes Urbanos de Braga, por alegadamente terem recebido comparticipação financeira por deslocações automóveis que na realidade não foram por eles realizadas”. Já este ano, em janeiro, o Mirante noticiou que o Presidente da Junta de Mouriscas foi condenado a perda de mandato pelo crime de peculato. Estes são alguns dos muitos casos que preenchem a agenda mediática diariamente, mas que são abafados pelos casos de maior calibre. E para o Presidente do CHEGA não restam dúvidas: “Aqueles que estão no exercício de funções públicas e são acusados de crimes relacionados com funções públicas devem suspender o mandato ou renunciar.” Isto porque, para André Ventura, um político que seja “indiciado” e que ainda possa “vir a ser absolvido mais à frente, de crimes cometidos no exercício de funções públicas”, constitui “uma situação
gravíssima”, pois tem “uma situação de suspeição intolerável.”
Nesta senda, Ventura considera que quando estiverem em causa “crimes graves, crimes violentos, de corrupção, crimes cometidos por titulares de cargos públicos em exercício de funções públicas, o Parlamento não deve ficar à espera da renúncia da pessoa, nem da suspensão da pessoa, nem da sua boa vontade.” “Acho que o Parlamento devia ser capaz de avaliar a evidência, a notoriedade do crime cometido, a evidência do seu cometimento, a ausência de explicações credíveis por parte do deputado ou da deputada envolvida, e o prejudicial ao prestígio das funções públicas”, fez ainda sobressair.
Quanto a custos da corrupção para Portugal, no ano de 2018, os valores cifravam-se em 18,2 mil milhões de euros por ano, o que correspondia a cerca de 7,9% do Produto Interno Bruto. Os dados constavam de um relatório apresentado pelo grupo no Parlamento Europeu dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Segundo o mesmo relatório, Portugal era o 11.º país dos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) com a fatura mais pesada
da corrupção, em termos absolutos. O relatório refere que se o montante fosse redistribuído por toda a população portuguesa, o valor perdido para a corrupção daria 1.763 euros por ano a cada português. De volta ao debate quinzenal de quarta-feira, Ventura recordou o caso do antigo secretário de Estado da Administração Local, que foi na terça-feira ouvido no Parlamento, e questionou o primeiro-ministro sobre se tinha conhecimento da situação e “porque é que nunca chegou a demitir Hernâni Dias”.
Hernâni Dias demitiu-se depois de ter sido noticiado que criou duas empresas que podem vir a beneficiar com a nova lei dos solos, sendo que era o secretário de Estado do ministério que tutela a área. O CHEGA anunciou em novembro que iria desencadear um novo processo de revisão constitucional, mas a proposta ainda não deu entrada no parlamento.

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Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.