Associações defendem estratégia nacional para o consumo de leguminosas

A DECO, a associação ambientalista Zero e a ProVeg Portugal sublinharam hoje a importância do consumo de leguminosas e o seu papel na agricultura sustentável e defenderam uma estratégia nacional para o consumo de proteína vegetal.

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“A valorização das leguminosas não é apenas um investimento na economia agrícola e na inovação e desenvolvimento, mas também uma aposta na segurança e soberania alimentar, na saúde pública e na sustentabilidade ambiental do planeta”, referem, num comunicado conjunto.

Na data em que se assinala o Dia Mundial das Leguminosas, as três associações defendem que, apesar dos desafios estruturais que enfrentam, a produção e o consumo de leguminosas representam uma “oportunidade estratégica para garantir um futuro alimentar mais sustentável, diversificado e saudável”.

Do ponto de vista da saúde, o nutricionista da ProVeg Lucas Oliveira destaca o potencial do consumo regular de leguminosas e derivados, enquanto principal fonte proteica, na redução do colesterol e melhoria do funcionamento intestinal.

Segundo o especialista, as leguminosas são particularmente benéficas para pessoas com diabetes e com maior risco cardiovascular, mas, além dessa dimensão, as associações destacam também o impacto na sustentabilidade agrícola, por reduzirem a necessidade de fertilizantes sintéticos, mitigando a poluição e as emissões de gases com efeito de estufa, e pela reduzida pegada de carbono.

Segundo Pedro Horta, especialista em agricultura da Zero, citado em comunicado, o cultivo de leguminosas contribuiu ainda para “uma melhor assimilação dos nutrientes pelas plantas, reduzindo a lixiviação e consequente poluição das massas de água, e previne a erosão e compactação do solo, promovendo maior diversificação, produtividade e rendimento agrícola”.

No entanto, a produção nacional caiu nos últimos anos e, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, a taxa de autossuficiência de leguminosas secas em Portugal é de apenas 14% e, por isso, as associações consideram que deve ser considerada uma prioridade nacional.

“Para que os consumidores possam fazer escolhas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e acessíveis é fundamental que existam condições que tornem esse acesso uma realidade”, sublinha a diretora-geral da DECO, Ana Tapadinhas, que defende políticas públicas que assegurem que estas opções estão ao alcance de todos.

O Plano Nacional de Energia e Clima 2030 já inclui uma linha de ação para promover dietas de baixo carbono e reflete o compromisso do Governo português em criar uma estratégia nacional para promover o consumo de proteína vegetal, mas as associações referem desafios como a falta de financiamento, prazos longos e a falta de métricas de impacto.

Por isso, sublinham a “necessidade urgente de implementar uma Estratégia Nacional para o Consumo de Proteína Vegetal em Portugal, algo já prometido pelo Governo”.

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